Submarino

quinta-feira, 28 de março de 2013

#365Livros - #Livro87 - HARRY POTTER OU O ANTI PETER PAN



Harry Potter, ou o anti Peter Pan
Isabelle Cani

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS DE HP 3, HP 4, HP 6 E HP 7.

Peter Pan é um livro patético de um garoto que não quer crescer nunca. É fácil viver quando se é criança, é fácil escrever sobre crianças porque a vida delas é simples e livre de jugos, porque não existe preconceito em seus corações e são a própria liberdade, ainda que a maioria das pessoas pense exatamente o contrário. Difícil é ver que o tempo passa, a vida bate na sua porta e você precisa crescer mesmo se não quiser. J K. Rowling mostrou isso magistralmente bem em sua série e a professora francesa Isabelle Cani faz essa análise com muita propriedade, colocando frente a frente essas duas obras sobre crianças tão diferentes, dissecando todas as mensagens de Harry Potter, e demonstrando que a maior grandeza desta obra está numa coisa bem simples: a frieza da realidade.
(sobre HP e o Cálice de Fogo): “O que induz ao erro, antes de tudo, é certamente a analogia. Temos a sensação de reviver o ano anterior, e mesmo de vivê-la melhor, com um Snape mais cabisbaixo e lamentável, um coadjuvante mais cúmplice e amigável. Seria necessário um leitor bem perspicaz para reparar imediatamente que falta o essencial, ou seja, a emoção de Lupin diante do mapa que ele reconhece, a difícil decisão que ele toma em um instante, antes de apoiar Harry. Com o falso Moody, tudo é fácil, justamente porque seus sentimentos não são comprometidos, pois ele interpreta um papel para conquistar a confiança de Harry. A semelhança não passa de uma farsa, as duas cenas são diametralmente opostas. A lição da segunda é que na vida, nada recomeça de forma idêntica: acreditar e querer reviver o que já foi vivido é cair na armadilha da magia negra”.
“Agir é ter de sujar as mãos O adulto é aquele que abre mão de seu imaginar inocente, que assume sua parte de culpa, preço que se paga por ser lúcido”.
(sobre Severo Snape): “Snape é o grão de areia de um amor sincero que se introduz na engrenagem do assassinato e acaba fazendo tudo derrapar [...] Snape é também o meio pelo qual Rowling mostra que a penúltima verdade descoberta por aquele que se acha esperto pode levar a uma interpretação totalmente errônea: supor a partir de um fragmento, por mais precioso e verídico que seja, às vezes é pior do que estar mergulhado na ignorância completa”.

2 comentários:

Marvin (Sérgio Rodrigues) disse...

Se não preparamos nossos filhos para a vida como ela é, se tornarão adultos frágeis que não saberão como enfrentar a dificuldade, e se entregarão ao primeiro obstáculo.

Gabriela Braz de Paula disse...

Concordo com O Sergio.
Muito interessante esse post.
:)