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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Kimberly Wexler - A Coerência que Seduz

    Na série Better Call Saul, a personagem Kim Wexler marcou mais que o próprio Saul. Ela é a advogada que não muda sua essência, independente do cenário ou situação em que ela esteja. A Kim pode estar fazendo um trabalho pro bono ou advogando para a poderosa Mesa Verde Bank and Trust, pode estar morando em um belo apartamento ou numa casa simples alugada, pode estar almoçando num restaurante chique ou lanchando na Dog House... ela continua sendo a mesma Kim. Não há arrogãncia, não há mudança de perfil, não há hipocrisia: sua essência se mantém. Isso é coerência interna, isso é inteireza. 

Ao contrário de muitas pessoas que conhecemos, a Kim não muda de acordo com seu cenário. Ela se mantém, ela se sustenta, ela permanece a mesma. Ela não precisa de status pra se sentir válida, ela não precisa de dinheiro pra ser quem é, ela não depende de validação externa para sustentar sua identidade. 


Ela consegue estar num ambiente elitizado sem se vender, e consegue também estar num lugar humilde sem se diminuir por isso. Ela pode fazer o certo ou o errado, mas sustenta sua escolha.

Pensadores como Jean-Paul Sartre nos ensinam que somos livres, mas estamos condenados a fazer escolhas e nos tornamos responsáveis pelo que nos tornamos. Kim é exemplo disso: ela sabe o que está fazendo, não se esconde atrás de desculpas e escolhe conscientemente - inclusive o erro. Isso a torna autêntica, mesmo quando suas ações não são totalmente boas.

Kim é fascinante porque possui caracterísiticas difíceis de reunir. Ela tem consciência moral, liberdade real e disposição de arcar com as consequências. Isso é autenticidade, Há pessoas que constroem uma identidade para os outros verem, precisam mostrar evolução, precisam sinalizar status, precisam "parecer", fazendo brilhar seu papel no teatro social. Já a Kim Wexler não anuncia quem é, não precisa provar nada, não faz propaganda de si mesma. Ela não "se torna alguém", ela já é.

Por um mundo com mais Kim Wexler e menos teatro social. Um mundo onde o valor não seja provado por "conquistas" e "evoluções", onde a dignidade não venha do cargo ou do salário, mas da coerência. Por um mundo onde a humildade não seja encenada. Por um mundo onde o valor verdadeiro apareça sem precisar grifar. Por um mundo onde as pessoas valham pelo que são, não pelo que parecem.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Para os que Levantam Cedo e Enfrentam o Mundo

       Hoje o valor de uma pessoa é medido por padrões de sucesso que ignoram as realidades da maioria. O discurso da meritocracia nos diz que quem não chegou lá é porque não se esforçou o suficiente. Mas a verdade é outra: o ponto de partida nunca é igual para todos.

Você, que acorda antes do sol, enfrenta transporte lotado, um trabalho exaustivo e, ainda assim, volta pra casa com um salário que mal paga as contas, precisa saber que o problema nunca foi você. Você trabalha duro, luta por sua família e faz o que pode com o que tem. O que falta ao mundo é reconhecer que essa sua força é o verdadeiro mérito.

O sistema em que vivemos favorece quem já começou a corrida com vantagens — seja pela herança de riqueza, pela educação de qualidade ou pelas conexões que abrem portas. Enquanto isso, o seu esforço muitas vezes é invisibilizado. Não porque vale menos, mas porque não gera o tipo de lucro que o capitalismo aplaude.

Você não é menos por não ter carimbos no passaporte, ou nem mesmo passaporte, ou uma casa grande e bonita. Você é a engrenagem que mantém o mundo funcionando. Você, que constrói, limpa, cuida, organiza e faz o básico acontecer, merece respeito.

Aqueles que apontam o dedo e chamam você de "perdedor" não enxergam o privilégio que os colocou onde estão. Eles não entendem o peso que você carrega todos os dias, nem a dignidade que há em fazer o melhor com o pouco que a vida te ofereceu.

Seu valor não está no status, bens materiais ou em viagens luxuosas. Está na sua humanidade, no seu esforço silencioso e, principalmente, na sua resistência. Porque, apesar de tudo, você segue em frente, dia após dia. E isso é algo que nem o dinheiro mais sujo ou a vida mais fácil pode comprar.

Mesmo que ninguém te diga isso, saiba: você importa. O mundo só funciona porque pessoas como você existem. E é no trabalho honesto e na luta cotidiana que está a verdadeira grandeza. E como já disse o sábio mago Gandalf:

“I have found it is the small things, everyday deeds of ordinary folk that keep the darkness at bay. Simple acts of kindness and love.”

("Eu descobri que são as pequenas coisas, os atos cotidianos de pessoas comuns que mantêm as trevas afastadas. Simples atos de bondade e amor.")

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Realidades Paralelas

Em meio a tanta discussão sobre realidades paralelas, simulação e multiversos, eu gosto de pensar nos outros "eus" que estão em algum lugar vivendo uma vida diferente da minha. E gasto um bom tempo pensando em como eles reagem à sua existência, se estão melhores ou piores que eu.

Acredito que em algum lugar há um "eu" que foi pra Marinha aos dezessete anos, virou oficial, fez carreira, tem um bom apartamento próximo a uma das bases da Marinha. Viaja por aí, fala outros idiomas, tem uma família que reconhece seu esforço e o admira. 

Há também um outro eu que não entrou em uma grande empresa, mas trabalha num terminal rodoviário, e mora com sua esposa numa casinha de madeira numa rua esquecida e pouco movimentada atrás de uma serraria desativada, e é feliz.  

Há também (e aqui eu exagero) um "eu" que foi pra igreja católica, se tornou padre, aproveitou a oportunidade de conhecimento que a igreja pode oferecer, e estudou muito. Estudou filosofia, sociologia, teologia, história, hebraico, grego, e por seu conhecimento conseguiu trabalho em Roma. E vive lá, num apartamento pago pelo Vaticano, organizando arquivos e livros de uma biblioteca da igreja romana, e produzindo estudos sobre o cristianismo.

Há também um "eu" que se tornou professor. Um "eu" mais desinibido, com mais coragem de falar em público.

Seria bom vê-los em suas vidas, sem que soubessem. Conhecer seu dia a dia, seu trabalho, sua família, seus amigos. Será que estão contentes? Será que se tornaram arrogantes? Será que por terem vencido, vivem espalhando na internet esse discurso chato e insuportável de "cheguei aqui porque me esforcei"?

A vida é boa ou ruim? O esforço é válido? Quem venceu, se esforçou? Ou foi somente um golpe de sorte? A vida é justa? 

Se essas perguntas fossem respondidas, acredito que muita coisa se esclareceria. E talvez não precisássemos de universos paralelos para que, em um deles ao menos, pudessemos vencer.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Distorcendo Valores

As coisas que acontecem na sociedade humana, que se considera evoluída e superior, têm me perturbado. É surpreendente observar até onde chegamos com nossas novas manias e tendências. A constante inversão de valores em relação às coisas e às pessoas é algo preocupante e me leva a questionar: até quando isso vai?

Vivemos em uma era em que os avanços tecnológicos e o progresso material têm ocupado um lugar central em nossas vidas. No entanto, nessa busca incessante por conquistas e acumulação de bens materiais, muitas vezes esquecemos do verdadeiro valor que as pessoas ao nosso redor possuem.

É triste constatar que o ser humano parece ter dificuldade em reconhecer a importância das relações interpessoais e o impacto que elas têm em nossas vidas. Estamos mergulhados em uma cultura do individualismo, em que o egoísmo muitas vezes é confundido com uma doença social.

Esquecemos que são as pessoas que nos rodeiam, nossos familiares, que nos oferecem suporte, no entanto, trocamos as relações pessoais por objetos, metas, pets (sim, tudo que é demais prejudica), ou qualquer outra coisa, negligenciando as relações familiares!

É necessário um despertar do cultivo de relações saudáveis. Devemos lembrar que somos seres sociais e que nosso bem-estar está diretamente ligado à qualidade dos laços que estabelecemos com as pessoas ao nosso redor.

Precisamos repensar nossas prioridades e colocar em prática uma cultura baseada na empatia, solidariedade e respeito mútuo. Somente assim poderemos construir uma sociedade mais humana, na qual as pessoas sejam valorizadas pelo que são.

É fundamental reconhecer que nada deve sobrepor-se à importância das relações humanas.

Portanto, cabe a cada um de nós refletir sobre nossas ações e escolhas, buscando priorizar o que realmente importa: as pessoas que nos rodeiam. É através do reconhecimento do valor humano e do fortalecimento dos vínculos interpessoais que poderemos construir uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeiramente evoluída.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Revolução dos Bichos - George Orwell

Terminei de ler este livro, que foi publicado em 1945 no Reino Unido. Uma crítica ao totalitarismo da União Soviética de Stalin, e atualmente, ainda é válida como um alerta a qualquer tipo de governo autoritário e hipócrita, seja ele de direita ou esquerda.

A fábula mostra perfeitamente como os ideais de uma sociedade justa - por mais bem intencionados que sejam - podem tornar-se uma ameaça quando impostas por um líder autoritário. 

A ignorância e a exploração dos trabalhadores - que desconhecem o seu poder e importância como geradores de riqueza - são o combustível para a manutenção da elite. Um líder autoritário, como o porco Napoleão da fábula, pode distorcer os ideais, manipular a história, e fazer alianças justamente com quem tratava antes como inimigo. Não há preocupação com os menos favorecidos, há somente interesse próprio.

O socialismo falhou, e a ditadura de Stalin matou milhões de pessoas, matou mais que o nazismo. O capitalismo também falhou, e somente permanece porque é o modelo econômico que favorece a elite. Se houvesse justa divisão de renda, o capitalismo seria viável, pois o único problema deste modelo econômico é que após a geração de lucro pelo trabalhador, este fica com a menor fatia, não há justa divisão. E se considerarmos todas as pessoas mortas em guerras por petróleo e território, e todas as pessoas que morrem de fome devido à exploração, o capitalismo matou muito mais que Stalin.

Em tempos de falsos leões (que na verdade também são porcos), o livro de George Orwell é uma obra que indico a todos. Juntamente com "1984", do mesmo autor, "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess formam uma biblioteca indispensável de alerta sobre os perigos da desinformação, da manipulação de ideias e fatos, da perda de liberdade em prol de segurança, da falta de consciência de classe e da falsa esperança de que líderes autoritários são a solução para países em desenvolvimento.

sábado, 12 de outubro de 2019

Bacurau

Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles trazem o filme Bacurau, alvo de críticas e elogios, que a meu ver é um alerta: Uma cidade no interior do Nordeste que de repente não se encontra mais nos mapas, e seus moradores começam a ver drones voando nos céus e uma onda inédita de turistas chegando à cidade... carros começam a ser alvos de tiros e cadáveres começam a aparecer... e a pacata Bacurau vira uma "zona de caça" para turistas.

Fazendo uma analogia entre a história de Bacurau e a atual sociedade, a politica proposta pelo Governo, as mudanças na economia, não estamos longe - nós os menos favorecidos - de nos tornarmos alvos. A política de "segurança" praticada no Rio de Janeiro já não faz diferença entre civis e bandidos. O sistema de saúde, já agonizante, não está longe de ser privatizado e abandonar de vez os pobres. A educação já é alvo de empresários que gostariam muito de que as escolas deixassem de ser um dever do Estado para com o cidadão e se tornassem um negócio.

E com toda esta exclusão social, o que restará aos menos favorecidos? O que o Estado fará com eles? Quem viu o discurso de Bolsonaro na ONU, quem ouve todos os dias os absurdos ditos pelo presidente Trump, sabe que as classes menos favorecidas estão sendo afastadas da proteção do Estado. Os cidadãos de classes um pouco mais altas já sofrem a ilusão de que quanto menos o Estado se envolver com os pobres, melhor será. Há muitos ignorantes afirmando que a causa da pobreza é a "vitimização" das pessoas.

Quando a Saúde for um negócio, quando a Educação for um produto e quando as milícias e empresas de segurança mandarem nas ruas superando a polícia, seremos alvos, não só no Rio ou em São Paulo, seremos alvos em qualquer lugar.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Declínio da Linguagem

Fico observando a escrita - se é que se pode chamar assim - dos adolescentes de hoje e imaginando o que será da linguagem num futuro bem próximo, São poucos os jovens que escrevem direito, que conhecem um pouco de gramática, de concordância. Tornou-se moda escrever errado, abreviar tudo, mudar o significado de certas palavras. 

"Turu baum"?
"kkkkk" - quem ri assim?
"Naum"

Muitos "especialistas" afirmam que a base da escrita é o seu uso, para justificar esse tipo de linguagem ridícula das redes sociais. Eu afirmo que a base da escrita é o bom senso. Para poder quebrar as regras é necessário conhecê-las antes.

Parece-me que o ser humano tornou-se preguiçoso ao extremo, ou desesperado em ganhar tempo quando se comunica. Precisa abreviar tudo, comer vogais e digitar pedaços de palavras para enviar uma mensagem. 

Quem já leu "1984" lembra da Novafala, aquele tipo de linguagem introduzido na distopia relatada no livro para que as pessoas pensassem cada vez menos. A internet está fazendo isso, está matando o português e acabando com o vocabulário vasto que poderíamos utilizar.

Há pessoas que usam palavras cada vez menores mesmo em conversas fora da internet. Só falam utilizando monossílabos! Se continuarmos assim, em breve poderemos retornar às cavernas, pois estaremos emitindo grunhidos incompreensíveis.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A Aparência de um Homem de Sucesso

Li recentemente uma pesquisa feita na Austrália, comprovando que homens de boa aparência obtém mais sucesso em suas carreiras do que homens que não possuem tanta beleza física. Vivemos isso nos dias atuais, vemos isso nas empresas, nas escolas, em todos os lugares. Tanto homens como mulheres são julgados pela sua aparência e status.

Procurei então o exemplo de um homem bem sucedido, para que eu pudesse verificar sua aparência e sua posição social. Acabei encontrando Jesus, que para muitos tem se tornado sem importância, mas seus ensinamentos e seu exemplo tem sido alento e esperança para muitos. Mesmo desconsiderando sua santidade - como muitos o fazem - ele venceu e obteve sucesso em todos os aspectos de sua "carreira": como mestre, ensinando tanta gente, como exemplo de honestidade, de empatia, de sinceridade. Em tudo ele obteve sucesso, e - para os que creem - venceu a morte.

Mas vejamos sua aparência e status: mesmo sendo Filho de Deus, ou profeta famoso em Israel - para que aqueles que não aceitam sua divindade - Jesus era um homem simples e até mesmo desprezível. Ele era como uma planta que cresce em terra seca. Vocês já viram algo assim? Não era bonito, não tinha nada que chamasse atenção. Foi rejeitado e desprezado por todos. Era como alguém que não queremos ver. (texto de Isaías 53).

E quanto ao status? Não era de se esperar que o Messias de Israel viesse em grande pompa? Mas não foi assim. Jesus mesmo certa vez disse a um homem que queria segui-lo: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". (Mateus 8:20). Que exemplo de vida! E fazemos hoje exatamente o contrário. Nos preocupamos com tudo: beleza, status, moda, aparência. Precisamos fazer tudo o que os outros fazem. Precisamos ter o que os outros têm. Precisamos fazer até mesmo o que não gostamos para manter nosso status. Triste vida que vivemos. Que não seja tarde para aprendermos a viver uma vida mais simples e feliz.

domingo, 23 de julho de 2017

Mudanças

Demorei um pouco para realizar aqui uma nova postagem, pois estava em meio a uma mudança, e é sobre isso que resolvi escrever: mudança. Algumas são mais simples, como trocar os móveis de lugar, outra mais complexas, como mudar de casa, mas algumas mudanças mexem com nossa estrutura emocional, nossa vida como um todo. 

Quando mexemos em uma estrutura formada, por mais fraca que seja esta estrutura, a mudança influencia nossa vida, nos causa sempre um pouco de insegurança, de incerteza. Mas a verdade é que precisamos encarar algumas reviravoltas em nossa vida quando precisamos melhorar, quando precisamos nos sentir melhor. 

Eu deixei para trás uma vida incerta e que me magoou muito, e estou recomeçando. Há sempre um pouco de receio, alguma preocupação, mas o primeiro passo é aceitar e entender que para sair de um lugar ou situação ruim, é preciso se mexer, se mover. É preciso partir do começo novamente, cuidando para não repetir os mesmos erros. 

Esta mudança de situação tem me feito pensar também nas demais coisas, como o trabalho: quanta coisa poderia ser melhor em nossa vida se deixássemos de lado a preocupação excessiva com status, com a ganância e com a opinião alheia. Não é necessário assumir o posto máximo em uma empresa para ser feliz. Não é necessário ganhar muito para termos o que realmente importa. Não vale a pena expor os filhos e a família a situações controladas pela empresa apenas para manter a função dentro dela. 

Precisamos nos preocupar mais com nosso bem estar emocional, deixando de lado o dinheiro e o status. Precisamos parar de pensar que dar tudo que nossos filhos querem é o mesmo que lhes dar atenção, porque não é. Precisamos viver, porque a vida vale a pena. Precisamos parar de pensar que ambição é algo positivo, porque não é. 

Precisamos de coragem para mudar, para deixar de fazer o que nos faz mal, para largar velhos hábitos. Vamos mudar, mas vamos procurar mudar para melhor. Vamos, acima de tudo, viver.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Um Novo Nome Para uma Velha História

A Reforma Trabalhista está às portas, e o fim de algumas poucas e boas vantagens do trabalhador também. Vemos e ouvimos que o Governo está aprovando tudo isso porque está "preocupado" com os trabalhadores. Mas como um Governo comprado e mantido por empresários pode estar preocupado com trabalhadores?

Hoje, para tirarmos férias - algo que é um direito nosso - já temos que brigar muito para conseguir! O tempo que passamos trabalhando para garantirmos nossas férias chama-se período aquisitivo. Trabalhamos um ano para termos direito a esses trinta dias e, mesmo assim, é preciso brigar quando chega o tempo de descansarmos. 

O chefe já escolhe quando nos dar férias, e na maioria das vezes ainda nos força a vender alguns dias, como se não tivéssemos família ou vida particular, e agora ainda será possível dividir o período de férias em TRÊS! Vão nos fazer vender quinze dias e nos darão três períodos de cinco dias cada, durante o ano, no tempo que for melhor para a empresa. Essa "negociação" com a gerência nós já sabemos como funciona: O chefe nos impõe sua vontade e pressão, e faz com que aceitemos suas propostas, seja por medo ou não, pois somos peças descartáveis na máquina empresarial.

É assim que a banda toca. Nos dedicamos anos e anos em um trabalho, e quando mais precisamos é preciso convencer meio mundo a  nos dar algo que - por direito -  já é nosso. E agora, com a reforma, vai ficar ainda pior.

Bira - FENASPS

sábado, 17 de junho de 2017

José e Liso

Um grupo de 33 leões foram recolhidos de picadeiros e jaulas na Colômbia e Peru e levados ao Santuário de Emoya - uma reserva privada no norte da África do Sul - para que pudessem voltar a ter uma vida normal na selva. Eles já haviam sofrido maus tratos nos circos, e a reintegração era a esperança para esses pobres leões.

Entre eles estavam José e Liso, dois leões de circo. José sofria com sequelas por ter apanhado na cabeça, e estava recebendo um tratamento específico, foi construído um ambiente especial para ele em Emoya. Liso era um leão tranquilo e amigável.

Infelizmente, José e Liso foram roubados do Santuário em Emoya, por caçadores que matam leões por encomenda de sacerdotes, pois a cabeça, patas e pele dos animais são utilizadas em rituais na África. Os pobres animais foram decapitados e tiveram sua pele retirada. A polícia ambiental local está investigando o caso.

Eu pergunto: quem são os animais? Quem são os seres irracionais? Malditos seres humanos que não percebem que são um acidente da natureza. Não passamos de outra espécie qualquer que - por acaso - tem se alastrado como um câncer pelo planeta, acreditando em nossa ignorância e egoísmo que valemos mais que os outros animais.

O fim da humanidade chegará, porque a natureza sabe controlar espécies que se alastram demais e prejudicam outros animais. O fim da humanidade chegará por sua própria culpa. Tudo a seu tempo.

José e Liso. Foto: Animal Defenders International

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Preconceito

Nos dias atuais fala-se tanto em luta contra o preconceito, luta contra o racismo, contra a falta de tolerância. Em todos os lugares vemos manifestações e protestos contra a homofobia, a mídia tenta fazer com que possamos aprender a valorizar as diferenças, as raças, as cores, as escolhas sexuais. Até alunos preguiçosos não podem mais ser chamados de preguiçosos... agora são portadores de déficit de atenção ou hiperatividade...
Mas há um tipo de preconceito que não está sendo combatido em lugar nenhum e, ao contrário, está sendo incentivado nas empresas, nos bancos, nas lojas, nas igrejas. Sim, até nas igrejas: é o preconceito que diz respeito ao poder aquisitivo, à classe social, ao lado financeiro do ser humano.

Exemplo? Se você é um trabalhador e tem uma simples conta salário num banco, sem limite de cheque especial, sem grandes investimentos, e vai ao banco pedir um favor que está "fora do cardápio" do atendimento, não recebe este favor. mas se você tem uma conta recheada, com algum investimento ou aplicação na casa dos milhares, você pode sentar na frente do atendente e esquecer-se da vida e de quem está esperando a vez. Pode contar de sua vida, do seu cachorro, dos seus planos, da sua fazenda, da sua chácara, da sua mulher, da sua vontade de morar fora do país, pode pedir ao atendente que vá ao caixa por você pagar suas contas enquanto você fica ocupando a mesa e tomando café, que ninguém vai reclamar... porque você é VIP.

Seu saldo manda. Seu extrato impressiona. E esta é a orientação em todo lugar. O tratamento recebido por um rico em uma loja é diferente do tratamento dispensado a um pobre. O pastor na igreja trata melhor quem vai dar um dízimo "mais gordo". ISSO É PRECONCEITO. Mas é um preconceito incentivado no mundo capitalista onde vivemos. Mesmo que você não concorde, será forçado a isso se você trabalha em alguma instituição com clientes "importantes". 

Tanta gente boa e sem dinheiro. Tanta gente interessante e sem recursos. E tantos idiotas com um saldo bancário impressionante, sendo valorizados pelo que tem na carteira. Triste realidade.

"ALGUMAS PESSOAS SÃO TÃO POBRES QUE NÃO TÊM NADA ALÉM DE DINHEIRO".

domingo, 4 de junho de 2017

Relações de Trabalho

Há várias coisas, vários fatores atualmente, que tem me deixado confuso com relação às relações de trabalho. Quero citar aqui alguns deles:

- O empregador desonesto que se aproveita da necessidade do empregado para negar-lhe alguns de seus direitos;

- O empregador gente boa e honesto, que por ser bom demais acaba lesado por alguns de seus funcionários;

- O funcionário responsável, que sofre juntamente com o irresponsável porque o empregador não distingue um do outro;

- O funcionário irresponsável que prejudica a equipe toda por sua falta de interesse.

A culpa não está na lei trabalhista, nem mesmo na reforma que está sendo feita. O problema, como sempre, é o ser humano, que sempre quer tirar vantagem da situação em que está. Protecionismo nas empresas, ameaças, chantagens. Pessoas consideradas competentes apenas porque tem amigos influentes. Pessoas responsáveis que não crescem profissionalmente porque não estão dispostas a puxar o saco de ninguém ou puxar o tapete dos outros. Funcionários que não admitem que o chefe cobre suas tarefas. Chefes incompetentes que não enxergam a competência dos seus subordinados. Pessoas que não aguentam a pressão. Todos esses fatores tornam um ambiente de trabalho insuportável, prejudicando o bom funcionamento de uma empresa.

E ainda existem pessoas que querem que consideremos a empresa nossa "segunda família". Por favor, vamos ser mais realistas. Não existe interesse comum ou preocupação com os outros nas empresas. Devemos trabalhar honestamente e com competência, mas não devemos alimentar ilusões. Como já dizia um sábio provérbio: "O pássaro deve confiar nas asas, e não no galho onde senta".

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Fatos

Às vezes gosto de postar alguns fatos, sem comentários, sem observações. Mas servem para que as pessoas inteligentes pensem, vejam com seus olhos o que acontece no Brasil e no mundo e tirem suas próprias conclusões:

- Sérgio Moro absolve mulher de Cunha;

- Dilma sofreu um impeachment por "pedaladas fiscais";

- Temer negociou com os donos da JBS, outra empresa PRIVADA que afundou o Brasil;

- Rodrigo Maia recusa pedidos de impeachment contra Temer;

- Trump negocia 110 milhões de dólares em armas com a Arábia Saudita;

- Trump vai ao Vaticano, depois de sua visita à Arábia Saudita, e promete ao Papa que lutará pela paz mundial e pelo desarmamento;

- O povo brasileiro, querendo seus direitos de volta, agride e destrói patrimônio público em Brasília;

- A polícia, cumprindo seu dever, bate no povo;

- Os políticos, que tiram nossos direitos e não cumprem o seu dever, não são afetados pela violência do povo;

- A corrupção tornou-se algo intrínseco na cultura brasileira;

Tristes constatações.

domingo, 21 de maio de 2017

Perdido

Você já se sentiu inútil no trabalho? Já se sentiu como se aquilo que você faz não tivesse importância? Às vezes parece que o esforço é gasto em coisas inúteis, principalmente se você atua numa empresa que vende serviços e produtos, e sua parte é mais operacional, mais estrutural. A viga de aço fica dentro da coluna e não aparece, mas é o que sustenta o edifício.

Quando trabalhamos em um setor novo para nós, e tentamos aprender tudo desesperadamente enquanto continuamos prestando serviço ao cliente, é mais complicado ainda. Nem sempre as pessoas podem nos ensinar. Já ouvi alguém dizendo que os manuais nos preparam para várias situações, menos para aquelas que vamos realmente enfrentar no dia-a-dia.

Pior ainda que sentir-se inútil no trabalho é sentir-se deslocado na vida. Você já se perguntou em alguma situação "o que estou fazendo aqui?". Já se sentiu deslocado em ambientes onde você é julgado pela maneira como vive, pelo carro que tem (ou até por não ter um carro), pela casa onde mora, pelas escolhas que faz? São muitas as pessoas que só se preocupam com status e cargos, esquecendo-se das coisas boas da vida. Mesmo os mais simples eventos precisam ser cheios de glamour, e cada um tem que tentar impressionar o outro com suas aquisições.

As pessoas "normais" podem não entender, mas é por esses motivos que algumas poucas pessoas se fecham em suas vidas, criam uma casca, um casulo, um canto seguro onde possam viver em paz.

Seria bom se aceitássemos as pessoas independente do que elas têm, da profissão que exercem, do cargo que ocupam, do carro no qual andem ou da casa na qual morem. Seria bom se nos tratássemos uns aos outros com igualdade, considerando que somos somente seres humanos, nada além disso.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Manipulação e privatização

Quebra da Petrobrás, sucateamento dos Correios, enfraquecimento dos bancos públicos, privatização de companhias de água e energia e até mesmo hospitais... o Brasil está sendo fatiado e vendido aos poucos, como sempre foi o plano da "turma da direita".

Não importa se a causa da crise é real ou fictícia, a única saída que alguns políticos sempre apresentam é a venda dos bens públicos. Essa sede de pôr as mãos no que sempre foi público é muito antiga, e os acordos que ocorrem por trás do pano também não são de agora. Há muita gente lá fora - e muitos empresários aqui dentro também - ávidos em abocanhar as empresas públicas, que são sucateadas, desmanteladas e vendidas por muito menos do que realmente valem.

Só os indivíduos de mente pequena não conseguem enxergar que o objetivo da maioria dos políticos que hoje dominam o governo, o congresso e o senado, não é fazer o país "voltar a crescer" e sim, usar a crise como desculpa para vender o que pertence ao Brasil. Ajudaram a criar um cenário propício para que as vendas fossem justificadas, e agora preparam-se para entregar os bens públicos nas mãos da iniciativa privada, fazendo o povo achar que a causa da corrupção que destrói o país são as empresas públicas. Será que ninguém percebeu que o pivô de todo o desvio de dinheiro do qual somos testemunhas é uma empresa privada?

Aqui na cidade onde moro - Lages, SC - até mesmo o hospital está sendo sucateado. Fecharam a ala de Oncologia, pagam miseravelmente seus funcionários e alegam não haver recursos para manter o funcionamento. Tudo isso - de acordo com as conversas que circulam internamente - em preparação para uma privatização.

O povo brasileiro não lê e não estuda, e isso é o que faz com que também não tenha opinião própria. A falta de conhecimento impede que o povo veja o que realmente está ocorrendo no país. A população não pensa por si mesma e precisa que a mídia - que também é corrupta - lhe diga o que pensar e o que fazer. E os políticos querem manter o povo assim - alienado e iludido - para que sua manipulação continue fácil. Povo marcado, povo feliz.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A morte do português

Uma publicação na internet falava de algum evento futuro, e alguém, em tom "jocoso", comentou dizendo que só acreditava se os Simpsons confirmassem... Aí começou o problema...

Algum maluco fanático religioso quis aproveitar a situação para "descer a lenha" nos Simpsons, já que para esse tipo de gente, tudo é do Diabo... mas o comentário foi tão mal escrito que virou piada. Transcrevo abaixo:


"Só acredito se os Simpsons confirmarem... essa mania nao existe para mim os tal de simpsons nao existe eles filho do diabo esse desenho simposons é diabólico nao acredito nesses caras as pessoas tambem nao deveriam acreditar em um desenho a que absurdo. que ;eu sabia tem que acreditar em deus; nao em homens e desenhos simpsons tudo burrice isso sim acreditar em previsoes deles a poxa to fora disso; confio em deus em primeiro lugar. nao sei se acredito so deus revelar aos servos fieis e verdadeiros filhos de deus"


Tentei reproduzir com a mesma "concordância e pontuação" com que o texto foi escrito.


Outro caso: Um comentário na avaliação de um jogo baixado na Play Store:


"Esse jogo eu instalei para meu irmão ... que ele pediu eu instalar esse jogo mas eu não queria pq teria que desinstalar o planet of cubes aí eu pensei 2 vezes e disse ponha o jogo que ele nem gosta mais o jogo que ele gosta claro que eu não ia desinstalar o jogo dele aí eu desinstalei o meu é eu gostei desse jogo também. Mas eu também gostei dele também."


Esses e outros textos são exemplos da maneira como as pessoas estão se "comunicando" atualmente. Eu pergunto: adianta tanta informação disponível estar ao nosso alcance? Adianta alguma coisa a "inclusão social e digital"? Os adolescentes e jovens não sabem ler, não sabem escrever, não sabem falar e muito menos compreender! Recebo todos os dias e-mails de pessoas que trabalham em empresas importantes, em setores importantes, mas escrevem seus e-mails de maneira tão pobre e errada que eu sinto vergonha alheia. O mínimo que o ser humano precisa saber é como se comunicar com seus semelhantes!

Por que é tão difícil deixar o facebook de lado e ler um bom livro? Por que é tão difícil ter um dicionário à mão quando não sabe como escrever uma palavra? E aquela velha Gramática jogada na gaveta? Não seria bom relembrar algumas regrinhas?

O mundo muda, a tecnologia avança, mas a verdade ainda é a mesma, quem quer aprender de verdade, dá seu jeito.

sábado, 8 de abril de 2017

Utilitarismo - John Stuart Mill

Estou lendo um livro sobre Utilitarismo, uma doutrina filosófica cujos pioneiros foram Jeremy Bentham e Stuart Mill. Bentham aliava sua teoria ao hedonismo - as ações morais são aquelas que maximizam o prazer e minimizam a dor. 
O Utilitarismo de Stuart Mill se afasta do hedonismo, e se aprofunda na bondade, considerando que a felicidade deve ser não apenas para uma pessoa, mas para a coletividade.

O julgamento das ações de acordo com o Utilitarismo é simples: são pesadas suas consequências, e quando as consequências positivas são superiores às negativas, a ação é considerada uma boa ação moral.

Stuart Mill também analisa a situação da nossa educação moral: somos ensinados a não fazer certas ações porque a sociedade e a justiça as consideram erradas, e essas más ações nos trarão consequências ruins. Mas o ideal não seria avaliarmos nossas ações partindo de nossa consciência? A "punição" moral deveria vir de dentro de nós, e não da sociedade. Quando o ser humano aprender que não deve cometer o mal não porque a sociedade está observando, mas porque é errado, muitas ações más deixarão de existir.

Podemos tomar como exemplo a corrupção que assola o Brasil. O ser humano aprende que não deve roubar, pois será preso, a sociedade o julgará mal e perderá sua confiança. Então quando "ninguém está olhando" e a oportunidade surge, o ser humano rouba. Se dentro de sua consciência o ato de roubar fosse condenado antes de se tornar real, se o ser humano estivesse pensando não somente em si, mas também na coletividade, no bem geral, como ensina o Utilitarismo de Mill, a corrupção não existiria. Infelizmente, será necessária uma mudança muito grande na educação moral e na ética humanas para que o ser humano se torne um ser preocupado com seus semelhantes, deixando de ser egoísta.

John Stuart Mill

domingo, 2 de abril de 2017

Pokémon Go e redes sociais

Em agosto de 2016, falei aqui sobre a febre Pokémon Go, a modinha do momento. Coisa linda! Gente caminhando pelas ruas com nova disposição e propósitos. Pessoas deprimidas que foram curadas pelos poderes do maravilhoso aplicativo que resumia-se a caminhar por aí caçando pokémons. Mas tudo passa.

Acho tão ridículas e hipócritas algumas invenções humanas que até fico com vergonha de fazer parte da espécie. Velhinhos afirmavam que "haviam descoberto um ótimo motivo para sair com seus netos: caçar pokémons". E o amor pelos netos não conta? Onde estão estes velhinhos agora? Voltaram para suas cadeiras de balanço? Os avós que realmente amam seus netos continuam por aí cuidando deles e passeando com eles.

E os deprimidos que haviam sido "curados", voltaram para seus quartos escuros? Quem resolve lutar pela vida continua lutando, não precisa de um monstrinho colorido pra lhe dar ânimo.

A tecnologia é boa e necessária, mas o ser humano precisa usá-la, e não o contrário. O que mais vemos são mães que esquecem de cuidar dos filhos, mas não esquecem de atualizar seu perfil nas diversas redes sociais das quais fazem parte. Jovens com mais de cinco mil amigos, mas que se irritam com seus pais por qualquer coisa. Então quando lhes ocorre algum problema sério, nenhum dos cinco mil amigos lhes dará apoio, e sim, seus pais.

A melhor rede social da qual poderíamos fazer parte seria um bom grupo de amigos, pessoas boas e confiáveis - que são raras - com as quais pudéssemos passar o tempo, conversar, rir e até produzir algo útil. Foi assim que a humanidade se desenvolveu, mas este tipo de relação está desaparecendo. Como será a sociedade do futuro? Algo preocupante a ser analisado.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Os Miseráveis

Hoje ganhei de presente um dos maiores clássicos da literatura mundial: Os Miseráveis. Um ótimo presente para clarear nossas ideias e nos fazer lembrar que muitos vivem em tristeza e injustiça, sem esperança. Vivemos num mundo tão injusto, tão cruel e insensato, que as misérias que assolam os menos favorecidos apenas mudam de face, mudam de lugar, mudam de época, mudam seus meios de ataque. Mas o resultado é sempre o mesmo.

Já comentei com a Larissa várias vezes que há pessoas que lutam tanto, se esforçam tanto e não vêem resultados. A vida não as favorece. É sempre a velha história, a dificuldade que assola tantos para que uns poucos tenham o que não precisam.

Os Miseráveis foi escrito em 1862 por Victor Hugo. Uma magnífica obra que denuncia todas as injustiças humanas. Uma crítica social atemporal. Um homem que rouba um pão e é condenado a 19 anos de prisão. Uma jovem que é abandonada pelo namorado quando tem uma filha. Uma menina explorada por um casal, sendo forçada a trabalhar o dia inteiro. Histórias tristes e marcantes que viram a sociedade humana pelo avesso, mostrando o lado injusto e triste de vidas que lutam por justiça e felicidade.