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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Último Turno - Stephen King SEM SPOILERS

Provando que um ótimo autor de livros de terror pode ser um ótimo autor de livros policiais, Stephen King finaliza magistralmente a trilogia Bill Hodges com o terceiro livro, intitulado "Último Turno".

Comecei a ler esta trilogia por acaso, pois peguei o primeiro livro emprestado (Mr. Mercedes), e quando comecei a ler, não consegui mais parar. Logo de início, King nos conta quem é o assassino, e mesmo assim você continua lendo ávidamente página após página tentando entender como funciona a mente deste psicopata e qual sua influência em suas vítimas.

Já no segundo livro, "Achados e Perdidos", Bill Hodges, nosso querido detetive aposentado enfrenta um outro assassino, um fã obsessivo que mata por seu "amor" à literatura, enquanto o psicopata do primeiro livro está internado numa clínica de traumatismo à beira da morte...

No terceiro livro, "Último Turno" - título escolhido pela esposa de Stephen King - uma pequena dose de terror é acrescentada à trama policial, e nos vemos pulando de coisas inexplicáveis para fatos totalmente explicáveis. No fim, o mal é vencido, e os fatos se ajustam para o término da história de uma maneira que só Stephen King sabe fazer.

A trilogia nos deixa com saudade dos personagens, nos deixa torcendo pra que eles continuem tendo sucesso em outras histórias das quais não vamos saber. O livro nos faz entender e admirar pessoas que não são entendidas ou admiradas por puro preconceito. É policial, é uma pequena dose de terror, mas é também uma lição para fazermos sempre o que precisa ser feito.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Língua e Linguagem - Rui Barbosa

Certa vez, Rui Barbosa chegou em casa e ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal. Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Então aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

"- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada."

O ladrão, confuso. perguntou:

"- Dotô, rezumino... eu levo ou dêxo os pato?"


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Escritores, opiniões e traumas

A opinião dos outros pode ferir, marcar fundo, construir, destruir, incentivar, desmotivar. Mas é importante sabermos identificar o momento certo de dar ou não atenção às críticas que nos são dirigidas, embora isto seja difícil (eu mesmo tenho tentado aprender a lidar com isso). A história está cheia de casos curiosos onde vidas foram destruídas ou construídas dependendo de como essas pessoas souberam encarar as opiniões alheias. 

Em 1961, um menino escrevia contos de terror e levava para a escola, onde os vendia aos colegas, garantindo assim alguns trocados. Um de seus contos chamava-se A Mansão do Terror, e foi muito bem recebido por seus amigos. O sucesso foi tanto que seu autor foi chamado à sala da direção, onde a diretora, srta. Hisler, o admoestou dizendo que ele não podia transformar a escola num mercado, ainda mais para vender lixos como A Mansão do Terror. - Você tem talento - ela disse - Por que desperdiçá-lo?

Muitos anos se passaram, e este autor continuou lutando contra o trauma causado pela diretora "preocupada" com o destino do talento que ele possuía. O tempo passava e ele ainda sentia vergonha do que escrevia, mas continuou escrevendo contos e livros de terror mesmo assim. Mas o trauma foi superado e o sucesso e o reconhecimento vieram. O nome deste autor? Stephen King.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

TOP 10 Os Livros Mais Lidos no Mundo - infográfico

O designer americano Jered Fanning criou este infográfico para mostrar os livros mais vendidos no mundo. A pesquisa se baseia exclusivamente no número de cópias VENDIDAS  e não IMPRESSAS. Ah, é bom lembrar que - como o Jered mesmo afirmou - a pesquisa não diz se o livro é bom ou não, apenas mostra o número de cópias vendidas. A prova maior disso é que crepúsculo está na lista...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dia da Toalha

O dia da toalha é celebrado todo ano como um tributo ao grande autor Douglas Adams, um reconhecimento ao livro intitulado "O Guia do Mochileiro das Galáxias". Neste dia, seus fãs carregam uma toalha, que é citada no livro como peça indispensável para um mochileiro:

“A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon;
Pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas do rio Moth;
Pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz);
Você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro;
E naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.
Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc., etc.
Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a Galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito.”

Hoje, leve sua toalha contigo, mesmo que você não seja um nerd (afinal de contas não é "o dia do orgulho nerd", e sim, tributo à Douglas Adams). Se você já leu O Guia do Mochileiro das Galáxias, ofereça seu tributo ao autor, e se você não leu, corra atrás desses livros, você não sabe o que está perdendo...


(site desta imagem: http://spin-onehalf.com)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O brasileiro é burro mesmo

No sábado – 20/08/2011 – vi algo que realmente me fez rodar a baiana. O jornal Hoje, da emissora dona do Acre, trouxe ao ar uma reportagem sobre a linguagem rebuscada das bulas de remédio. Sim, bulas de remédio têm uma linguagem pouco compreensível, não por ser rebuscada, mas simplesmente porque nem todo mundo tem conhecimento de vocabulário medico e químico!

Veja um exemplo, retirado da bula do cloridrato de venlafaxina 150mg, um antidepressivo, do laboratório Eurofarma:
Ocorre alteração farmacocinética significante da venlafaxina e da O-desmetilvenlafaxina em alguns pacientes com cirrose hepática compensada após dose única oral de venlafaxina.

Ora, nenhuma pessoa não ligada à área medica e/ou química tem a obrigação de saber o que significa Farmacocinética. No entanto, em qualquer dicionário de língua portuguesa simples, você encontra a definição da palavra cinética: e a parte da física que estuda o movimento dos corpos. Como o termo Farmaco é ligado à farmácia, remédios, uma pessoa de inteligência razoável pode concluir que a venlafaxina pode não fazer efeito em pacientes com cirrose, já que sua disposição farmacocinética, ou seja, o arranjo da formula desse remédio é alterado no organismo de quem sofre cirrose. Ainda que você não tenha uma inteligência razoável, não faz tanto mal assim. É dever do medico, não do paciente, saber se ele tem alguma doença que prejudique a ação do remédio, e recomendar outra droga.

O problema é quando a pessoa não é dotada de inteligência nenhuma. Veja o exemplo usado pelo referido jornal:
Posologia.

É, só isso. O jornal afirmou que posologia é um termo rebuscado demais, e poderia ser substituído por Como devo usar esse medicamento?. Ora, porque usarei cinco palavras quando existe uma que especifica corretamente o significado da frase toda?

Voltando à bula da venlafaxina:
Posologia: a dose inicial recomendada para venlafaxina em cápsulas de liberação controlada é de 75 mg, administrada 1 vez por dia para o tratamento da depressão, TAG e ansiedade social.

Percebe-se, lendo o texto, que posologia é a maneira como devo usar esse medicamento! O texto te explica, e se você quiser, pode ainda procurar em qualquer simples dicionário de língua portuguesa, e encontrará exatamente essa definição de posologia.

Ou seja, o brasileiro é burro, e sente-se bem nessa situação. Bulas de remédio têm sim uma variedade de termos técnicos que muitas vezes não conseguiremos entender. Ninguém tem a obrigação de saber nada, mas tem a obrigação de aprender as coisas importantes. Posologia é uma palavra que aparece em todas as bulas de remédios, seja ele para tratar resfriado ou AIDS. As pessoas não medem esforços para comprar mais uma calça jeans, quando ela tem cinqüentas delas em seu armário, e não usa a metade, mas acham livro uma coisa muito cara. Não tem o mínimo de bom senso para comprar um simples dicionário, que pode com certeza ser adquirido com menos de 30 reais, e será útil pelo resto da vida, independente das mudanças no idioma, e onde encontrará varias das palavras rebuscadas essenciais ao paciente, como concomitante, que é o mesmo que simultâneo.
Alem disso tudo, muitas dessas palavras diferentes podem ser conhecidas pelas pessoas se elas tiverem um vocabulário mais amplo. E isso só se consegue com leitura. E, como já disse, o brasileiro acha o livro um item muito caro, mas faz questão de ter a calça do restart, mesmo tendo oitenta calças no armário. O brasileiro é burro, é ignorante e faz questão de se manter assim. Não consegue muitas vezes entender o que está escrito numa receita de bolo, imagine numa bula de remédio! Inclusive, as pessoas reclamam do tamanho da bula! Ora, quanto maior a bula, mais informações, que, se você tiver um mínimo de inteligência, pode entender varias delas. Alem disso, se as letras das bulas forem maiores, como devem realmente ser, é claro que a bula ficará maior. E ficará maior ainda se você substituir 1 palavra que explica todo um significado por 5, que só fazem volume. Portanto, não coloquem na bula a culpa pela sua ignorância. A bula é também um texto técnico. Não tem como substituir medicamentos que inibem as isoenzimas do citocromo P450. Eu não tenho ideia do que seja citocromo P450, mas esse é um termo técnico, é um nome, não tem como substituir! Lendo o resto do texto, chego à conclusão que o uso da venlafaxina com substancias que contenham esse componente não é adequado. Cabe, nesse caso, também a mim, investigar com o médico se posso fazer uso de determinado medicamento simultaneamente à venlafaxina. O texto técnico, portanto, está aí e será assim, grego muitas vezes, mas se você tiver inteligência e conhecimento razoável, pode entender o que está escrito. O texto técnico é importantíssimo, mesmo que você não entenda, muitas pessoas estão dispostas a pelo menos tentar entender. Por fim, não diga que você não tem tempo de ler bula de remédio. Deixe de assistir os programas de televisão que esvaziam a sua cabeça, e vá ler. Quando você está sentado no ônibus, olhando para a rua que você passa todo dia, ou fofocando com seu vizinho, leia alguma coisa, seu cretino!
Não seja burro, não esvazie sua cabeça, não coloque a culpa de sua falta de inteligência e raciocínio nos outros. Na minha infância, eu não tinha dinheiro para comprar livros ou revistas úteis, mas eu tinha uma coisa chamada biblioteca, aberta para qualquer cidadão que more ou passe pela cidade. Existe, fatalmente, nesse país, uma imensidão de pessoas que não tem acesso nem à água e eletricidade, e mal tem dinheiro para comer. O problema dessas pessoas é complexo demais, e elas realmente não terão acesso a livros se não tem nem mesmo o essencial para a sobrevivência. Eu critico gente que vai à lan-house e passa duas horas no Orkut, ou passa a tarde toda comendo, ou vendo novela, ou gasta o dinheiro que poderia empregar em conhecimento em festas, todo fim de semana, ou bebida em excesso, ou coisas realmente desnecessárias. Vá à sua festa, divirta-se, tenha roupas legais, mas preocupe-se principalmente em saber, em exercitar sua mente. Perdoem-me em falar tanto de livros e leitura, mas o problema é grave no Brasil, e criticarei até quando puder. Afinal, se o cinema brasileiro pode produzir um filme sobre a vida de uma garota acéfala que resolveu ganhar a vida destruindo-a, sem justificativa nenhuma para isso, apenas o gosto de transar com 49 pessoas por noite, eu também posso criticar, com inteligência, pessoas como ela. Perdoe-me as pessoas que não precisavam ler esse texto e chegaram até aqui. Quem tem inteligência sabe cuidar da sua vida, do seu dinheiro, e provavelmente não reclama da bula de remédio.