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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Temer na Noruega - Dane-se a Amazônia, eu só quero os lucros!

Michel Temer está na Noruega, onde tinha ontem seu primeiro compromisso: debater a questão ambiental. A Noruega já investiu nos últimos sete anos mais de 3 bilhões de reais para a preservação da Amazônia. O Brasil, ao contrário, não se importa com suas próprias florestas, pois o desmatamento cresceu 58% em 2016. O presidente Temer é aliado da bancada ruralista - essa classe de seres humanos idiotas que acham que dinheiro vale mais que a natureza - e por isso não faz muita coisa para preservar a mata nativa, pois se o fizer, acertará em cheio seus "amiguinhos" ruralistas.

A Noruega demonstrou grande insatisfação com essas notícias, e ameaçou suspender a parceria na proteção da Amazônia. Temer, em vez de tentar ao menos justificar-se, fez o que faz de melhor: ignorou o assunto "ambiental" e concentrou-se apenas em falar sobre o setor privado, tentando buscar investimentos no setor produtivo brasileiro. "O Brasil, digo sem medo de errar, está deixando para trás uma severa crise de sua história". Falácias e mais falácias...

Como um chefe de estado vai à Noruega para falar sobre a questão ambiental e ignora o meio-ambiente? Fico envergonhado ao saber que um país nórdico distante investe tanto na preservação de NOSSAS florestas, enquanto NOSSO PRÓPRIO GOVERNO ignora o desmatamento crescente, demonstrando total descaso com uma das maores riquezas desta nação. Mas assim funciona o capitalismo e o setor privado: o que importa é apenas o lucro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Novo Código Florestal Brasileiro

Acabei de assistir alguns discursos de um certo DVD que Kátia Abreu (senadora do PSD/TO,  presidente da CNA - Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária - e latifundiária nas horas vagas) andou distribuindo pelo país afora. Ela está lutando para a aprovação do novo Código Florestal.  A senadora alega que o texto do Código Florestal é de 1965, um tempo em que o Brasil era importador de alimentos e preservava sua madeira para queimá-la como combustível, e agora os tempos mudaram, o país não precisa preservar uma área tão grande assim (será que não?) e é necessário valorizar o agronegócio, que de acordo com ela, é o setor mais importante da economia (tenho minhas dúvidas) e é responsável por 40% da exportação brasileira.
Kátia Abreu ainda afirma que as reservas legais estão espalhadas, e esse fato impede que os animais de uma reserva se encontrem com os de outra reserva para manter a espécie (ainda estou tentando entender essa) e por esse motivo, não há razão em manter estas pequenas reservas aleatórias. Ela defende o aumento das áreas de produção para evitar importações de alimentos, e alega que talvez as ONGs tenham interesse e apoio de produtores de outros países para reduzir estas áreas de produção e forçar o Brasil a comprar alimento do exterior.

Sou leigo, não entendo nada de engenharia ambiental, mas concordo com o aumento (não exagerado) das áreas de produção, se isso vai realmente fortalecer a economia do país e evitar a importação de alimentos. Mas defendo o aumento APENAS DAS ÁREAS DE PLANTIO,  não o desmatamento de terras nativas para a criação de gado (cuja carne muitas vezes é vendida para o exterior) ou para o plantio de pinheirinhos. Aqui em Santa Catarina por exemplo, a carne de gado é cara, e não será o aumento das áreas de pasto que vai baixar o preço. O brasileiro é tão acomodado que não tem capacidade de boicotar a compra da carne bovina, o que seria o ideal. Outra coisa que vejo, e não é preciso entender o código florestal para ver isso, é o desmatamento de grandes  áreas nativas para a plantação de pinheirinho, com fins puramente econômicos, visando a produção de madeira e destruindo o solo. Talvez haja o interesse de outros países em forçar o Brasil a comprar seus alimentos, mas tenho certeza que há o interesse de grandes produtores de madeira em desmatar áreas que hoje são preservadas para lucrar com a produção de madeira. Entendo o fato de a senadora afirmar que é injusto num país onde grande parte da população ainda passa fome reduzirmos as áreas de plantio. Mas a causa da fome desta grande parte da população não tem nada a ver com a produção de alimentos, e sim, com a má distribuição da renda, cujo desequilíbrio é muito maior do que o problema da preservação da mata nativa. A senadora alega que apenas 27% do território do Brasil é ocupado para produção, e eu afirmo que apenas 10% da população do país (leia-se ricos) ficam com 80% de toda a renda nacional, enquanto que 20% desta renda tem que ser dividida entre 90% da população. Isso sim é um problema. Não adianta produzirmos mais enquanto toneladas de alimentos são jogados fora todos os dias em restaurantes chiques, e milhares de brasileiros buscam sua comida no lixo. Não é o desmatamento que vai mudar isso, e sim, bom senso e justiça. Acredito que a presidente Dilma pode segurar esta barra, e fiquei um pouco mais feliz com a notícia abaixo:

sábado, 13 de março de 2010

A Amazônia é Nossa!!! (Senador Cristóvam Buarque)

                    Durante debate recente em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal e ex-Ministro da Educação, Senador Cristóvam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristóvam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:
                    "De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
                    Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma óptica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
                     Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um País.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
                     Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um País.
                    Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
                   Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
                    Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, é justo que internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
                    Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de COMER e de ir a escola. Internacionalizemos as Crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!!!"