segunda-feira, 6 de abril de 2026

Kimberly Wexler - A Coerência que Seduz

    Na série Better Call Saul, a personagem Kim Wexler marcou mais que o próprio Saul. Ela é a advogada que não muda sua essência, independente do cenário ou situação em que ela esteja. A Kim pode estar fazendo um trabalho pro bono ou advogando para a poderosa Mesa Verde Bank and Trust, pode estar morando em um belo apartamento ou numa casa simples alugada, pode estar almoçando num restaurante chique ou lanchando na Dog House... ela continua sendo a mesma Kim. Não há arrogãncia, não há mudança de perfil, não há hipocrisia: sua essência se mantém. Isso é coerência interna, isso é inteireza. 

Ao contrário de muitas pessoas que conhecemos, a Kim não muda de acordo com seu cenário. Ela se mantém, ela se sustenta, ela permanece a mesma. Ela não precisa de status pra se sentir válida, ela não precisa de dinheiro pra ser quem é, ela não depende de validação externa para sustentar sua identidade. 


Ela consegue estar num ambiente elitizado sem se vender, e consegue também estar num lugar humilde sem se diminuir por isso. Ela pode fazer o certo ou o errado, mas sustenta sua escolha.

Pensadores como Jean-Paul Sartre nos ensinam que somos livres, mas estamos condenados a fazer escolhas e nos tornamos responsáveis pelo que nos tornamos. Kim é exemplo disso: ela sabe o que está fazendo, não se esconde atrás de desculpas e escolhe conscientemente - inclusive o erro. Isso a torna autêntica, mesmo quando suas ações não são totalmente boas.

Kim é fascinante porque possui caracterísiticas difíceis de reunir. Ela tem consciência moral, liberdade real e disposição de arcar com as consequências. Isso é autenticidade, Há pessoas que constroem uma identidade para os outros verem, precisam mostrar evolução, precisam sinalizar status, precisam "parecer", fazendo brilhar seu papel no teatro social. Já a Kim Wexler não anuncia quem é, não precisa provar nada, não faz propaganda de si mesma. Ela não "se torna alguém", ela já é.

Por um mundo com mais Kim Wexler e menos teatro social. Um mundo onde o valor não seja provado por "conquistas" e "evoluções", onde a dignidade não venha do cargo ou do salário, mas da coerência. Por um mundo onde a humildade não seja encenada. Por um mundo onde o valor verdadeiro apareça sem precisar grifar. Por um mundo onde as pessoas valham pelo que são, não pelo que parecem.

sábado, 24 de janeiro de 2026

A Cultura do Ponto de Vista Sociológico e a Importância da CAIXA Cultural

A cultura nasce com o ser humano. É possível observar isso quando uma criança que ainda não sabe falar é vista cantarolando uma música qualquer, ou dançando inocentemente. Com a humanidade também foi assim: O homem começou a se organizar em sociedade há aproximadamente doze mil anos atrás. A escrita surgiu há quatro mil anos atrás e a partir daí surgiram as primeiras cidades, e posteriormente os grandes impérios. Mas a cultura, na forma da arte, veio muito antes: em 1995 em uma caverna na Eslovênia foi descoberta uma flauta de osso, cuja datação por carbono apontou ser de aproximadamente sessenta mil anos atrás, construída pelo nosso antepassado, o "Homem de Neandertal". 

A cultura é socialmente construída: ela se desenvolve no agrupamento de pessoas. É dinâmica: sempre se transforma e se adapta. É material e imaterial: Um bom exemplo disso é o crucifixo carregado por um cristão (um objeto material) que de acordo com suas crenças detém um poder de proteção (imaterial). 

A cultura é, juntamente com a linguagem, a identidade de um povo. E por este mesmo motivo a cultura é o primeiro alvo de governos autoritários e ditatoriais. Quando um governo ataca a cultura, desvalorizando-a ou sufocandoa, seu único objetivo é deter o controle de narrativas, distorcendo a História, eliminando a diversidade e neutralizando o pensamento crítico, pois a arte, a literatura, a música, o teatro, o cinema, todos são ferramentas de questionamento e resistência. 

Um exemplo disso é a proibição de livros e filmes (como já ocorreu na Alemanha nazista, na ditadura no Brasil em 1964, nos EUA sob o governo Trump e até mesmo atualmente em alguns estados brasileiros, onde livros como "O Diário de Anne Frank" e "1984" foram censurados), a desvalorização do conhecimento de povos nativos e a marginalização cultural.

A cultura não nasce da erudição, nasce do povo. O mesmo sentimento que inspirou Pablo Picasso a pintar o famoso quadro "Guernica" retratando o terrível bombardeio da cidade de Guernica durante a guerra civil espanhola pode inspirar também um menino da periferia a grafitar um muro criticando a ação violenta do Estado contra os menos favorecidos. A arte não escolhe cor, raça ou posição social. A cultura não é conservadora, é transformadora e libertadora, e na maioria das vezes nasce de momentos difíceis, como escape e protesto. 

A colonização cultural é o que ocorre quando impomos nossa própria cultura a outro povo, como no caso da cristianização dos indígenas pelos portugueses aqui no Brasil. Toda religião deve ser respeitada, mas nenhuma deve ser imposta a ninguém. Quanta riqueza cultural foi perdida pelo simples fato de que muitas tradições nativas foram consideradas "pecado" pelos missionários e jesuítas. A religião é uma característica cultural: Se você tivesse nascido no Japão ou na Índia, você seria um cristão? Provavelmente não. 

A apropriação cultural ocorre quando nos apropriamos de saberes de outros povos, sem muitas vezes dar a eles o devido crédito, como ocorreu também na história do Brasil: você sabia que muitas técnicas de cultivo foram aprendidas com os indígenas? Você sabia que os africanos que foram aqui escravizados possuíam técnicas de extração de ouro e diamantes que os portugueses e brasileiros desconheciam? Aprendemos com eles e negamos a eles a liberdade e o reconhecimento de seus saberes. 

É com a compreensão, aceitação e respeito pelas características individuais de cada ser humano e de cada grupo social que aprendemos a viver em sociedade de forma mais justa e equitativa. E foi com este intuito que a CAIXA, como banco público e instituição brasileira preocupada com o desenvolvimento social criou em 12 de agosto de 1980 em Brasília a CAIXA Cultural, que nasceu com o intuito de democratizar o acesso à arte e preservar o patrimônio cultural brasileiro. Cada unidade funciona como um centro cultural completo. Elas abrigam galerias de arte, teatros, salas de cinema, espaços para oficinas e leitura, e acervos históricos. A unidade de São Paulo, por exemplo, fica em um edifício histórico no centro e reúne o Museu da CAIXA, exposições, mobiliário antigo e documentos que contam parte da história financeira e social do país. 

A CAIXA Cultural se destaca por sua programação variada: artes visuais, teatro, dança, música, literatura e cinema. Muitas atividades são gratuitas ou têm preços populares, reforçando o compromisso de democratizar o acesso à cultura. Além de fomentar novas produções artísticas, ela também preserva a memória institucional da CAIXA, mantendo acervos, obras e documentos de grande valor histórico. Sua importância social está no fato de que contribui para a formação de público, valoriza a diversidade cultural brasileira e cria espaços de reflexão e convivência. A CAIXA Cultural Belém foi inaugurada no dia 8 de outubro de 2025 aumentando o alcance na divulgação da cultura.

A CAIXA Cultural mostra como uma grande instituição financeira pode exercer um papel social relevante, promovendo cultura, história e inclusão, e tornando a arte acessível a diferentes grupos da sociedade. Que sirva de exemplo para outras empresas e instituições, pois toda forma de cultura é válida e deve ser preservada. 

Parafraseando Umberto Eco: “Cultura é a tela invisível na qual cada ser humano pinta todos os dias um diálogo infinito entre símbolos e interpretações, buscando uma forma de compreender o outro, compreender o mundo em que vive, e consequentemente, compreender a si mesmo”.

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