A cultura nasce com o ser humano. É possível observar isso quando uma criança
que ainda não sabe falar é vista cantarolando uma música qualquer, ou
dançando inocentemente.
Com a humanidade também foi assim: O homem começou a se organizar em
sociedade há aproximadamente doze mil anos atrás. A escrita surgiu há quatro
mil anos atrás e a partir daí surgiram as primeiras cidades, e posteriormente os
grandes impérios. Mas a cultura, na forma da arte, veio muito antes: em 1995
em uma caverna na Eslovênia foi descoberta uma flauta de osso, cuja datação
por carbono apontou ser de aproximadamente sessenta mil anos atrás,
construída pelo nosso antepassado, o "Homem de Neandertal".
A cultura é socialmente construída: ela se desenvolve no agrupamento de
pessoas.
É dinâmica: sempre se transforma e se adapta.
É material e imaterial: Um bom exemplo disso é o crucifixo carregado por um
cristão (um objeto material) que de acordo com suas crenças detém um poder
de proteção (imaterial).
A cultura é, juntamente com a linguagem, a identidade de um povo.
E por este mesmo motivo a cultura é o primeiro alvo de governos autoritários e
ditatoriais. Quando um governo ataca a cultura, desvalorizando-a ou sufocandoa, seu único objetivo é deter o controle de narrativas, distorcendo a História,
eliminando a diversidade e neutralizando o pensamento crítico, pois a arte, a
literatura, a música, o teatro, o cinema, todos são ferramentas de
questionamento e resistência.
Um exemplo disso é a proibição de livros e filmes (como já ocorreu na Alemanha
nazista, na ditadura no Brasil em 1964, nos EUA sob o governo Trump e até mesmo atualmente em alguns estados brasileiros, onde livros como "O
Diário de Anne Frank" e "1984" foram censurados), a desvalorização do
conhecimento de povos nativos e a marginalização cultural.
A cultura não nasce da erudição, nasce do povo. O mesmo sentimento que
inspirou Pablo Picasso a pintar o famoso quadro "Guernica" retratando o terrível
bombardeio da cidade de Guernica durante a guerra civil espanhola pode inspirar
também um menino da periferia a grafitar um muro criticando a ação violenta do
Estado contra os menos favorecidos. A arte não escolhe cor, raça ou posição
social. A cultura não é conservadora, é transformadora e libertadora, e na maioria
das vezes nasce de momentos difíceis, como escape e protesto.
A colonização cultural é o que ocorre quando impomos nossa própria cultura a
outro povo, como no caso da cristianização dos indígenas pelos portugueses
aqui no Brasil. Toda religião deve ser respeitada, mas nenhuma deve ser imposta
a ninguém. Quanta riqueza cultural foi perdida pelo simples fato de que muitas
tradições nativas foram consideradas "pecado" pelos missionários e jesuítas. A religião é uma característica cultural: Se você tivesse nascido no Japão ou na
Índia, você seria um cristão? Provavelmente não.
A apropriação cultural ocorre quando nos apropriamos de saberes de outros
povos, sem muitas vezes dar a eles o devido crédito, como ocorreu também na
história do Brasil: você sabia que muitas técnicas de cultivo foram aprendidas
com os indígenas? Você sabia que os africanos que foram aqui escravizados
possuíam técnicas de extração de ouro e diamantes que os portugueses e
brasileiros desconheciam? Aprendemos com eles e negamos a eles a liberdade
e o reconhecimento de seus saberes.
É com a compreensão, aceitação e respeito pelas características individuais de
cada ser humano e de cada grupo social que aprendemos a viver em sociedade
de forma mais justa e equitativa. E foi com este intuito que a CAIXA, como banco
público e instituição brasileira preocupada com o desenvolvimento social criou
em 12 de agosto de 1980 em Brasília a CAIXA Cultural, que nasceu com o intuito
de democratizar o acesso à arte e preservar o patrimônio cultural brasileiro. Cada
unidade funciona como um centro cultural completo. Elas abrigam galerias de
arte, teatros, salas de cinema, espaços para oficinas e leitura, e acervos
históricos. A unidade de São Paulo, por exemplo, fica em um edifício histórico no
centro e reúne o Museu da CAIXA, exposições, mobiliário antigo e documentos
que contam parte da história financeira e social do país.
A CAIXA Cultural se destaca por sua programação variada: artes visuais, teatro,
dança, música, literatura e cinema. Muitas atividades são gratuitas ou têm preços
populares, reforçando o compromisso de democratizar o acesso à cultura. Além
de fomentar novas produções artísticas, ela também preserva a memória
institucional da CAIXA, mantendo acervos, obras e documentos de grande valor
histórico. Sua importância social está no fato de que contribui para a formação de público,
valoriza a diversidade cultural brasileira e cria espaços de reflexão e convivência. A CAIXA Cultural Belém foi inaugurada no dia 8 de outubro de 2025 aumentando o alcance na divulgação da cultura.
A CAIXA Cultural mostra como uma grande instituição financeira pode exercer
um papel social relevante, promovendo cultura, história e inclusão, e tornando a
arte acessível a diferentes grupos da sociedade. Que sirva de
exemplo para outras empresas e instituições, pois toda forma de cultura é válida
e deve ser preservada.
Parafraseando Umberto Eco: “Cultura é a tela invisível na qual cada ser humano pinta todos os dias um diálogo
infinito entre símbolos e interpretações, buscando uma forma de compreender o
outro, compreender o mundo em que vive, e consequentemente, compreender
a si mesmo”.
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