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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Revolução dos Bichos - George Orwell

Terminei de ler este livro, que foi publicado em 1945 no Reino Unido. Uma crítica ao totalitarismo da União Soviética de Stalin, e atualmente, ainda é válida como um alerta a qualquer tipo de governo autoritário e hipócrita, seja ele de direita ou esquerda.

A fábula mostra perfeitamente como os ideais de uma sociedade justa - por mais bem intencionados que sejam - podem tornar-se uma ameaça quando impostas por um líder autoritário. 

A ignorância e a exploração dos trabalhadores - que desconhecem o seu poder e importância como geradores de riqueza - são o combustível para a manutenção da elite. Um líder autoritário, como o porco Napoleão da fábula, pode distorcer os ideais, manipular a história, e fazer alianças justamente com quem tratava antes como inimigo. Não há preocupação com os menos favorecidos, há somente interesse próprio.

O socialismo falhou, e a ditadura de Stalin matou milhões de pessoas, matou mais que o nazismo. O capitalismo também falhou, e somente permanece porque é o modelo econômico que favorece a elite. Se houvesse justa divisão de renda, o capitalismo seria viável, pois o único problema deste modelo econômico é que após a geração de lucro pelo trabalhador, este fica com a menor fatia, não há justa divisão. E se considerarmos todas as pessoas mortas em guerras por petróleo e território, e todas as pessoas que morrem de fome devido à exploração, o capitalismo matou muito mais que Stalin.

Em tempos de falsos leões (que na verdade também são porcos), o livro de George Orwell é uma obra que indico a todos. Juntamente com "1984", do mesmo autor, "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess formam uma biblioteca indispensável de alerta sobre os perigos da desinformação, da manipulação de ideias e fatos, da perda de liberdade em prol de segurança, da falta de consciência de classe e da falsa esperança de que líderes autoritários são a solução para países em desenvolvimento.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Trump e suas "revisões"

Novamente o presidente americano resolveu "revisar" acordos comerciais. O alvo agora é Cuba, e como Trump não sabe fazer nada de bom, resolveu estragar o que Obama fez. Em um pronunciamento em Miami, afirmou que a Casa Branca vai reverter parte da abertura nas relações com Cuba, cancelando alguns acordos e retomando algumas restrições contra a ilha de Castro.

Durante o discurso, o presidente chegou a afirmar que os americanos não se calarão diante da opressão comunista... Em que ano esse maluco acha que está? Alguém da Casa Branca, por favor, dê um calendário pra ele! A Guerra fria acabou!

Tanta coisa pra consertar internamente, e Trump prefere estragar o que Obama fez, e alfinetar países que ele considera como ameaças. Ele poderia muito bem utilizar seu tempo para reformar política e economicamente seu país, ou até mesmo pagar suas dívidas pessoais, que - de acordo com um relatório de 98 páginas divulgado pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA - chegam a 315 milhões de dólares para credores alemães, americanos e de outras nacionalidades...

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Keynesianismo

Todos sabemos - creio eu - que há duas principais teorias econômicas que influenciam e moldam o mundo em que vivemos: O Socialismo e o Capitalismo.

O Socialismo, que deveria ser um caminho para o Comunismo, foi teorizado mais profundamente por Karl Marx. É o fim da propriedade privada. É a valorização total do trabalhador. Infelizmente, por culpa do ser humano, o Socialismo não funcionou conforme foi teorizado, pois o homem em sua astúcia sempre quer tirar proveito de tudo, sempre corrompe o sistema, por melhor que o sistema seja.

Já o Capitalismo é a desvalorização do trabalhador. O endeusamento do capital, a sujeição do ser humano à categoria de engrenagem de uma máquina alimentada por suor, que gera lucro para o empregador. E o mais interessante sobre o Capitalismo é que este sistema também não funciona, mas pela influência da mídia paga pelos empresários, e pela manipulação das massas por aqueles que detém o poder econômico, o povo ignorante pensa que o sistema funciona, e se submete à desvalorização de seu próprio esforço de trabalho em troca de um fim de semana de descanso, futebol na TV, algumas cervejas e um churrasco...

Mas lá no começo do século XX um inteligente economista inglês chamado John Maynard Keynes propôs uma nova organização político-econômica que colocava o Estado como agente indispensável na Economia. Keynes afirmava que a Economia não se regula sozinha, conforme o pensamento dos Capitalistas, mas que o Estado deve intervir para proporcionar condições iguais a todos os envolvidos no sistema. Foi o Keynesianismo que salvou os Estados Unidos da crise de 1929, através do New Deal, Roosevelt trouxe o Estado de volta ao crescimento da economia e isso foi condição indispensável para a recuperação do país.

O modelo de Keynes não é a Estatização da Economia - como fizeram algumas potências comunistas -  mas o Estado assume um papel de regulamentação, intervindo na Economia sempre que a ambição desmedida do empregador se esquece das necessidades do trabalhador. Nos países da Europa Setentrional, as ideias de Keynes foram bem aceitas, e geraram o que se chama hoje de Estado do Bem-Estar Social.

No modelo de Keynes, o Estado deve:

- Intervir na Economia, atuando em áreas onde a iniciativa privada não quer ou não tem capacidade para atuar;

- Criar ações politicas voltadas para o protecionismo econômico;

- Parar o Liberalismo Econômico;

- Criar medidas que levem ao pleno emprego, equilibrando a capacidade de demanda e produção, indiferente à ganância dos empregadores;

- Estimular a Economia em momentos de crise;

- Criar políticas fiscais evitando o descontrole da inflação.

Essa interessante teoria - que já se provou excelente na recuperação de países após grandes crises e até mesmo após a Segunda Guerra Mundial - vem sendo barrada pelo Liberalismo Econômico, pelo Capitalismo, pela ganância de empregadores que se dizem "preocupados" com os trabalhadores, mas na verdade só se preocupam com seu bolso. Se você quer conhecer mais sobre o modelo Keynesiano, procure o livro A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicado pela primeira vez em 1936 por John Maynard Keynes.

domingo, 27 de novembro de 2016

Morre Fidel Castro, líder cubano

Antes que comecem a me criticar - pois já fui chamado de petista, comunista, socialista e etc - quero lembrar que não sou da turma do "morreu, virou santo". Fidel era um ditador comunista e como todo ditador que se preze, matou muita gente, torturou muita gente, censurou a imprensa e mentiu muito (o que políticos de direita também fazem muito bem).

Ele nasceu em 13 de agosto de 1926 em Birán e morreu em Havana na noite de 25 de novembro deste ano. Admirava Marx e Lênin e acabou com a ditadura do Batista, que fugiu em 1º de janeiro de 1959. Interessante lembrar que Fulgêncio Batista era apoiado pelo governo americano, e por isso estava "tudo certo". Fidel tomou o poder, nacionalizou as indústrias, eliminou as dissidências e instalou um governo socialista autoritário unipartidário. Criou novas leis, dentre elas a lei da reforma agrária, melhorou a saúde e a educação, enfim, fez coisas que capitalistas não gostam.

Cubanos nos EUA comemoraram a morte de Fidel. Não sabem eles como Trump os ama. Brasileiros de esquerda elogiam Fidel. Brasileiros de direita comemoram sua morte. Vejo a morte de um líder, um líder cruel, um ditador comunista, mas um líder. Já fui criticado no twitter por chamá-lo de líder, mas estou avaliando-o não como exemplo de ser humano, mas como LÍDER.

Li em alguns sites listas de crimes de Fidel, e - por mais absurdo que isto seja - incluíram em seus crimes o fato de " tornar Cuba uma colônia da Rússia" e "quase causar uma guerra mundial nuclear". O mais triste é que o autor da matéria é um historiador. Gostar da Rússia agora é crime? Vejo o governo russo como um mal necessário, alguém que freia os EUA em sua ambição desmedida. O governo americano mete o bedelho em todos os países do mundo. Agentes dos EUA influenciam, torturam, matam, mentem, espalham boatos, criam protestos, derrubam governos e mandam nos países pobres, e ninguém chama isso de autoritarismo. Até a campanha para desacreditar Getúlio Vargas, o que culminou em sua morte, foi influenciada pela CIA. Os EUA quase causaram guerras mundiais nucleares em vários lugares do mundo (sem falar de Hiroshima e Nagasaki). Há postos militares americanos em todos os cantos do planeta, mas isso ninguém percebe. Se a Rússia não existisse, imagina quão maior seria a influência dos EUA em seu imperialismo econômico, cultural e político.

Fidel nos tempos da guerrilha

O mundo não estava preocupado com quem Fidel torturou ou matou. O mundo estava preocupado com o fato de Fidel ser um amigo da Rússia e estar ali na porta dos fundos dos EUA. Ouvi líderes de países dizendo que o socialismo não funcionou em Cuba. E o capitalismo funciona no mundo? Para a minoria rica e proprietária dos grandes conglomerados funciona. Para a classe média iludida com carros do ano funciona. Para os jovens que chamam de "objetivo de vida" uma existência baseada em aparência e status, funciona. Eu gostaria de saber quem se importa com a mão de obra praticamente escrava que produz a tecnologia do mundo, quem se importa com os braços cansados que produzem nossos alimentos numa terra que não é sua. Quem se importa? Alguém se importa com as crianças feitas soldados nas guerras civis da África? Com o refugiados árabes? Com as minorias étnicas? Alguém se importa? É ignorância pensar que o capitalismo funciona. Aceitamos e vivemos num mundo capitalista porque não temos escolha, não mandamos no mundo, não mandamos sequer em nossas vidas e nunca mandaremos. O socialismo não funcionou. O comunismo não funcionou. Talvez, se fosse feito exatamente o que Marx pensou, teríamos um mundo diferente, mas ninguém compreendeu. E não são os sistemas econômicos o problema, mas os seres humanos gananciosos que comandam os países.

Fidel morreu, e com ele morreu uma era de lutas contra o imperialismo americano. Um líder, um criminoso, um lutador, um ditador assassino. Sem ele, Cuba seria hoje um outro Haiti, uma colônia americana produtora de açúcar, destruída pelo tráfico de drogas. Alguém se importa com o Haiti? Há muitos ditadores por aí, eles apenas não usam esse título. Há muitos assassinos que usam a mão de agentes secretos para cometerem seus crimes. Há muitos criminosos comandando países poderosos, eles usam terno e gravata em lugar de uniformes militares.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O Capital

Como bom capitalista rebelde e revoltado, li "O Capital", do mestre Karl Marx. É fato que o socialismo não funcionou. É fato que o capitalismo desenvolveu as indústrias e deu riqueza aos (alguns) homens. Mas é fato também que a pobreza e a miséria, a falta de oportunidade, a sujeição do trabalhador à máquina chamada indústria, tudo isso é fruto do capitalismo. 

Você já ouviu falar em mais-valia? Mais-valia é o real valor do seu trabalho, que você, provavelmente, nunca saberá. É esta mais-valia que enriquece o dono da indústria onde VOCÊ produz, o dono da loja onde VOCÊ vende, o dono do banco onde VOCÊ atende. Percebeu que é sempre VOCÊ? E por que não é VOCÊ quem fica rico? Pergunte a Marx, leia sua obra, e chore como eu...

"A ignorância é a mãe da indústria, como o é da superstição. O raciocínio e a imaginação estão sujeitos a errar, mas o hábito de mover o pé ou a mão não depende nem de um nem da outra. Por isso, as fábricas prosperam mais onde se requer menos inteligência, de modo que, não tendo necessidade de forças intelectuais, a fábrica pode ser considerada como uma máquina cujas peças são os seres humanos." (Ferguson)

" A divisão do trabalho, em sua forma capitalista, não é mais do que um método particular de produzir a mais-valia relativa, ou de fazer aumentar, às custas do operário, os lucros do capital - é o que chamam de riqueza nacional. Às custas do trabalhador desenvolve-se a força coletiva do trabalho em prol do capitalista. Criam-se novas condições para assegurar a dominação do capital sobre o trabalho. Essa forma de divisão do trabalho é uma fase necessária na formação econômica da sociedade, e um meio civilizado e refinado de exploração." (Marx)



Triste, não? Já comentei aqui que ainda vivemos numa espécie de feudalismo, só que mais "sofisticado". Muitos trabalham para manter a riqueza de poucos. E esses muitos são conquistados com migalhas, com uma casa alugada ou popular, um carro financiado em 60 meses, um celular de última geração, uma roupa "da moda", um churrasco aos domingos e algumas cervejas. Se cada pobre trabalhador descobrisse quanto vale realmente seu trabalho, mudaríamos o país, mas o ser humano é gado marcado, e a ignorância é uma bênção.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A Riqueza das Nações - Adam Smith

Essa obra famosa, escrita por Adam Smith, é uma das raízes do capitalismo, definindo sua estrutura e desenvolvimento. O filósofo e economista europeu nasceu na Escócia em 1723. Aos 16 anos cursou Filosofia Moral na Universidade Glasgow e no ano seguinte entrou na Universidade Oxford. Em 1751 já era professor em Glasgow.

"A Riqueza das Nações" veio em 1776. É impressionante como Adam Smith já naquela época tinha uma visão ampla da divisão do trabalho, do custo real dos produtos e do desenvolvimento que poderia ser causado pela iniciativa privada, princípios que são ensinados hoje em qualquer curso de administração. Em pleno século XVIII, onde o mercantilismo dominava a Europa e o sistema feudal ainda existia em algumas áreas rurais, essa visão só poderia ser de alguém que estava realmente muito a frente do pensamento da época. 


De acordo com o professor Adam Smith, o desenvolvimento econômico de uma nação e o bem estar de sua população só poderia vir da divisão do trabalho, e essa mesma divisão do trabalho é a causa da redução dos custos da produção, tornando possível a venda dos produtos por preços menores. O liberalismo econômico seria a solução para o crescimento do país, com a iniciativa privada, a livre concorrência e o acúmulo de capital. 

Infelizmente, o que vemos hoje é o acúmulo de capital nas mãos de poucas pessoas. As empresas grandes, que não sofrem mais interferência do estado, acabam subjugando a sociedade, excluindo as classes mais pobres, mantendo a divisão de classes sociais, perpetuando assim a pobreza nas classes inferiores. O capitalismo, assim como o socialismo, não funciona. E o problema não está na teoria, mas sim no ser humano que a aplica. Vivemos um novo sistema feudal.

Não foi o professor que não explicou bem, e sim os alunos que não compreenderam ou intencionalmente distorceram o ensino: Após a morte do filósofo, descobriu-se que ele destinava a maior parte de seus rendimentos a instituições secretas de caridade, e uma frase dita por ele mostra que a riqueza de uma nação deveria beneficiar a todos:

"A riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do povo, e não pela riqueza dos príncipes."

terça-feira, 16 de abril de 2013

#365Livros - #Livro106 - O CAPITAL (Marvin)



O Capital (Das Kapital)
Karl Marx
Crítica ao capitalismo e à economia política desenvolvida por um alemão descendente de judeus. Marx foi um intelectual e revolucionário, além de economista, filósofo, historiador, teórico politico e jornalista. Obra de extrema importância para quem deseja entender os fundamentos do socialismo como Marx o pensou. É a origem do pensamento socialista marxista, e explica muitas ações da velha Rússia. Dividido em três tomos, um lançado em vida, os outros dois são obras póstumas. Alguns afirmam que o último foi escrito por Engels, amigo de Marx. Em 1872, quando a censura russa liberou aquele livro enorme escrito em alemão por achar que era muito complexo para ser perigoso, não sabia o que estava fazendo. Algum tempo depois, perceberam o poder das ideias socialista de Marx, que influenciaram áreas como Filosofia, Geografia, História, Direito, Sociologia, Literatura, Pedagogia, Ciência Política, Antropologia, Biologia, Psicologia, Economia, Teologia, Comunicação, Administração e Design. Por esses motivos, podemos avaliar o poder de uma ideia, quando bem desenvolvida.

domingo, 25 de julho de 2010

Guerra no Horizonte...

Já falei a respeito disso no post EUA X Venezuela. Agora veja o que lí no site Vermelho.org: 

As recentes provocações do governo colombiano contra a Venezuela obedecem a um plano ardiloso e sinistro de Washington, na opinião do presidente Hugo Chávez. Os Estados Unidos têm interesse na guerra e buscam criar as condições para uma conflagração na região, segundo o líder da revolução bolivariana, que rechaçou de forma enérgica as insinuações feitas por Uribe de que o país socialista estaria mancomunado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
“Não devemos subestimar o que está ocorrendo”, alertou Chávez durante um longo discurso para centenas de sindicalistas que participaram do 3º Encontro Sindical Nossa América, na noite de sexta-feira (23), em Caracas. Ele rechaçou de forma enérgica as acusações do governo Uribe, comparando-as às mentiras inventadas contra o Iraque pelo governo Bush para justificar a guerra (“disseram que o país tinha um grande arsenal de armas de destruição em massa, depois ficou comprovado que isto não era verdade”) e assegurou que, diferentemente dos EUA, a Venezuela quer a paz e não a guerra.
O presidente venezuelano acentuou que o mundo, e em especial a América Latina, vivem um momento de transição e mudança. Por aqui, ao longo dos últimos anos, foram eleitos vários governos progressistas que, embora em graus diferenciados, contestam a hegemonia norte-americana e buscam abrir caminho para um desenvolvimento soberano e a integração política e econômica da região.
Com a economia em frangalhos e num processo histórico de decadência, os EUA recorrem ao poder militar, terreno em que sua superioridade é incontestável, como último recurso para manter o domínio sobre o mundo. A guerra é, hoje, o principal instrumento do imperialismo. Isto explica um orçamento militar que corresponde à metade dos gastos bélicos do resto do mundo e foi ampliado apesar da crise (agravando os desequilíbrios financeiros e o déficit do governo imperial), bem como a crescente agressividade contra os povos.
No Oriente Médio, onde tem Israel como ponta de lança, Washington mantém a guerra imperialista contra o Iraque e o Afeganistão e respalda o terrorismo sionista (terrorismo sionista??? discordo) contra os palestinos. Na Ásia, está por trás das provocações contra a Coréia do Norte e na América Latina são notórios os preparativos para conflitos bélicos com o objetivo de reverter o processo de mudanças progressistas no subcontinente. Por ironia da história, neste momento o senhor da guerra é o Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama.
Entre as mais recentes iniciativas do império contra os povos e nações latino-americanos Chávez apontou a reativação da 4ª Frota de Intervenção, a ocupação militar do Haiti (disfarçada de “ajuda humanitária”), da Costa Rica (a pretexto de combater o narcotráfico), o golpe militar contra Zelaya (e a Alba) em Honduras, a instalação de sete novas bases na Colômbia e, agora, as falsas acusações vomitadas pelo governo Uribe.
“Os EUA vêm agredindo nossos povos faz muitos anos”, lembrou o comandante da revolução bolivariana, ele próprio vítima de um golpe militar desferido pela oligarquia venezuelana com apoio explícito do império em abril de 2002, felizmente abortado e revertido pelo povo em aliança com os militares progressistas em pouco mais de 24 horas. Quando aplicou o golpe frustrado contra a revolução bolivariana, o governo Bush já tinha planejado a guerra contra o Iraque, mas queria primeiro recuperar o controle sobre as ricas reservas de petróleo venezuelano.
“Aqui na América Latina não há dúvida de que o espaço mais quente e mais tenso que o império escolheu para a guerra é a parte norte da Sul América, onde Bolivar sonhava que nasceria a maior nação do universo, não pela sua extensão mas pelo caráter progressista e popular que imaginou com a integração”, destacou.
Interessa ao imperialismo “preparar as condições para que aqui se desate um conflito armado e tristemente o território da irmã e querida Colômbia foi transformado em território de guerra, estabelecido um regime militarista, que vai contra seu próprio povo, em 1º lugar, e contra os povos irmãos ao se converter em instrumento do imperialismo”.
“Vivemos momentos de tensões, como Fidel vem alertando ao longo dos últimos meses”, disse Chávez, aludindo ao “perigo de que se desate uma grande conflagração que pode gerar uma guerra atômica no Oriente Médio, com uma guerra imperialista contra o Irã, ou na península da Coréia”.
O atual governo colombiano, lacaio do imperialismo, cumpre na América Latina papel análogo ao de Israel no Oriente Médio. Hoje, entre Colômbia e Venezuela, “o contraste é muito grande”, sublinhou Chávez. “Aqui sabemos que está em marcha uma revolução, estamos construindo nosso modelo socialista, enquanto a Colômbia se foi convertida por Uribe num enclave do imperialismo”.
“Fui obrigado a romper relações com o governo da Colômbia e não com a Colômbia ou o povo colombiano, porque Colômbia e Venezuela constituem uma mesma pátria. Há razão para preocupação (deles), pois a oligarquia sabe que os destinos da Venezuela e Colômbia no fundo são os mesmos. Uma vez desatada a revolução bolivariana aqui a burguesia colombiana ficou apavorada”, disse o presidente venezuelano, lembrando que tal temor vem de longe e já se manifestava desde 4 e fevereiro de 1992, quando liderou uma insurreição militar (derrotada) contra o governo neoliberal de Carlos André Peres.
“Quando a oligarquia colombiana e o imperialismo se deram conta do ímpeto revolucionário de militares venezuelanos começaram as hostilidades. Já naquela época se dizia que o movimento militar bolivariano era uma extensão da guerrilha colombiana. Como hoje, divulgaram imagens, fotografias e montaram o cenário para nos associar às Farc. Recordo isto à imprensa lembrando que está tudo registrado. A Venezuela participou da guerra contra a guerrilha.”
"Eu declarei que não iria mais participar daquela guerra, que o conflito era um problema interno da Colômbia. Nós queremos buscar o mecanismo para a paz, mas me acusaram com informes, documentos e mapas falsos de apoiar as Farc e querer a guerra. Disseram que o golpista, o coronel Chávez comandou assalto contra unidade militar venezuelana, tudo isto está registrado. A oligarquia colombiana, temerosa do efeito contágio da revolução bolivariana, arremete contra o nosso governo, o nosso povo, a nossa revolução".
Acrescentou que os EUA “lhes metem ainda mais medo. Eu estou seguro que este show montado por este senhor que parece inabilitado para exercer cargo público na Colômbia, que essas imagens que ele apresentou lhes foram dadas pelo império ianque, pois agora a Colômbia tornou-se uma grande base militar do imperialismo”.
O presidente venezuelano lembrou que é uma vergonha o que vem ocorrendo no interior da Colômbia. Os militares estadunidenses praticam toda sorte de crimes, inclusive tráfico de droga inclusive, dos militares ianques, mas gozam de imunidade. “Não dá vergonha ao governo colombiano entregar de forma tão abjeta o território colombiano a este tipo de gente?”, indagou.
Hugo Chávez salientou que o mundo vive um momento bem diferente de 10 ou 15 anos atrás. “Em 1994, o governo Clinton reuniu os chefes de estados de todos os países americanos, com exceção de Cuba, para anunciar a instalação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Chegou a dizer que estava realizando o sonho de Bolívar, o que era uma mentira, pois se tratava do sonho de domínio do império”.
Era uma época que sucedeu a queda do Muro de Berlin e o colapso da União Soviética. Parecia que a história tinha chegado ao fim e o capitalismo neoliberal era o fim da história, como sustentou um ideólogo estadunidense Francis Fukuyama. “As ideias de Marx, Engels e Lênin foram negadas. As luzes do socialismo se apagaram no mundo. Uma das poucas luzes acesas era Cuba revolucionária, Cuba de Marti, de Fidel, de Che Guevara.”
Mas, as coisas mudaram. “Em 1998, quando fui eleito pela primeira vez, era só eu e Fidel. Depois vieram Lula no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Kirchner na Argentina, Tabaré Vasquez (depois Pepe Mujica), Rafael Correia no Equador. A Alca foi enterrada em Mar del Plata na Argentina, em dezembro de 2005”.
O socialismo voltou à ordem do dia. “Estamos fazendo um grande esforço para construir o socialismo, sabemos que socialismo não se decreta e nem se impõe de um dia para o outro, é um caminho largo de construção de um novo modo de vida, um novo modo de produção e de relacionamento entre os homens, num processo em que a classe trabalhadora joga um papel protagônico”, afirmou o líder da revolução bolivariana.
Diante deste cenário de transição e mudança “o império contra-ataca e contra-ataca com fúria”, observou, citando os exemplos de ofensiva capitalista e destacando o golpe contra Zelaya em Honduras, “que foi um golpe contra a Alba e contra todos nós”. Eles querem a guerra, alertou, “nós queremos a paz”, reiterou, “mas reagiremos à altura se formos agredidos. A Venezuela não voltará a ser colônia dos EUA nem de ninguém. Se vierem estarão desencadeando uma guerra de 100 anos, que pode se transformar num bumerangue contra o governo colombiano e o império”.
(fonte: Umberto Martins)