Submarino

domingo, 25 de setembro de 2016

Privacidade zero

Você sabia que cobrir as câmeras de notebooks e desktops é um costume comum nos escritórios do Governo dos Estados Unidos? Pois é: se quem entende do assunto quando se trata de espionagem tem esse costume, imagina-se que não seja um mito. As câmeras podem ser invadidas, controladas, ter sua posição alterada via sistema (quando móveis), e você pode ter a intimidade de sua casa gravada por estranhos. 

James Comey, diretor do FBI, afirmou que as câmeras sobre a tela utilizada nos escritórios do FBI são cobertas para que estranhos não verifiquem o que não é de sua alçada. "Se você tem um carro, espera-se que você o tranque", afirmou James. É uma boa lógica.

A privacidade está cada vez menor. Nós fazemos escolhas que envolvem privacidade em vários momentos do dia, e às vezes não nos damos conta de que somos vigiados a cada instante. A desculpa de "é para nossa segurança" nem sempre é válida. Quando o governo, ou mesmo a empresa onde você trabalha diz que está tentando te manter seguro, na verdade está tentando te controlar.
Atualmente postamos nossa opinião em comentários nos sites, publicamos fotos e vídeos em redes sociais, e fazemos tudo isso sem perceber que estamos entrando numa era de controle de massa e privacidade zero. Seja um hacker ou seja o governo, qualquer um deles pode acessar nossa vida, literalmente, e na maioria das vezes, sem percebermos.

O mundo caminha para o controle total, e a maioria das pessoas só vai acreditar nisso depois que acontecer.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Stranger Things

Há muito tempo uma série não conquistava jovens e adultos - e até mesmo crianças - prendendo todos pela curiosidade. Stranger Things se passa nos anos 80 (1983), mas faz com que crianças de 8 anos fiquem quietas assistindo seus episódios. A série da Netflix, com apenas uma temporada de oito episódios, mistura Stephen King com Steven Spielberg, trazendo drama, mistério, suspense, terror e humor ao mesmo tempo. 


Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Dustin Henderson (Gaten Matarazzo), Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin) e Will Byers (Noah Schnapp) são garotos na faixa dos dez ou doze anos, amigos inseparáveis, fãs de Star Wars e Senhor dos Anéis, que passam horas em imensas campanhas de RPG, rolando dados e se divertindo. Após uma dessas campanhas, Will volta para casa de bicicleta e cruza com uma criatura estranha e perigosa. Assustado, ele tenta se proteger correndo a pé (ele cai da bicicleta) até sua casa. Enquanto ele pega uma arma em um depósito de ferramentas, o monstro reaparece levando-o consigo. Seus amigos se unem para tentar descobrir o que aconteceu a ele, enquanto a mãe de Will se desespera e começa a ser tratada como louca pelas pessoas da cidade. Os amigos de Will fazem buscas na floresta e acabam encontrando uma menina assustada (Millie Brown), que possui poderes mentais. Ela tem o número 11 gravado em seu braço e eles a chamam de "Eleven". Mike a esconde em seu porão, e logo eles descobrem que há um laboratório do governo na cidade, que possui ligações com Eleven, o monstro e o sumiço de Will.


A série vai te levar aos anos 80 de uma maneira incrível: a música, os velhos telefones de disco, o rádio, o relógio calculadora, as bicicletas antigas, os walkie talkies... As referências a Star Wars, Senhor dos Anéis, ET, Tubarão, Evil Dead, citações de quadrinhos (X-men 134 - O Despertar da Fênix), Scanners, Carrie, a Estranha. Frases, cenários, músicas, estilos, tudo nos faz reviver os anos 80. As filmagens da segunda temporada foram prometidas para 2017, mas há indícios de que já tenham começado. Será uma longa espera, mas se os Duffer Brothers (criadores da série) continuarem neste ritmo, será novamente um sucesso. 

Na 68ª edição do Emmy, o "Oscar da Televisão", a série não foi indicada, mas Millie Brown, Gaten Matarazzo e Caleb McLaughlin fizeram seu show: distribuíram sanduíches de pasta de amendoim para os convidados e cantaram "Uptown Funk" antes da premiação. Só este momento já valia um prêmio.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Sétima Extinção

Desde que o primeiro organismo vivo surgiu neste planeta, essa esfera azul suspensa no nada já sofreu cinco grandes extinções, todas causadas por derretimento de geleiras, aumento do nível dos oceanos, erupções vulcânicas e asteroides.

A primeira grande extinção ocorreu na transição do período Ordoviciano para o Siluriano há cerca de 440 milhões de anos atrás. Movimentos geológicos derreteram as geleiras e o nível dos oceanos subiu, causando um desequilíbrio na vida marinha e matando 60% de suas espécies.

A segunda foi há 360 milhões de anos, no período Devoniano. Uma nova glaciação voltou a reduzir o nível dos mares e a temperatura. 70% das espécies de águas quentes desapareceram e os corais sofreram grandes mudanças. A causa dessa mudança climática ainda é desconhecida.

Entre os períodos Permiano e Triássico, há 250 milhões de anos, o impacto de um asteroide na Terra eliminou 95% das espécies. Alguns cientistas afirmam que - em vez do asteroide - pode ter sido uma grande erupção vulcânica que reduziu os níveis de oxigênio na Terra. Essa foi a terceira grande extinção.

A quarta extinção foi causada por um vulcão poderoso (ou Hércules!) que causou a divisão do supercontinente Pangeia há 210 milhões de anos, entre os períodos Triássico e Jurássico. Dá pra imaginar o estrago que isso fez na vida na Terra.

Entre os períodos Cretáceo e Terciário, há 65 milhões de anos atrás, os dinossauros encerraram seu reinado no planeta. O impacto de um asteroide, que causou uma grande cratera na Península do Yucatan, eliminou os poderosos répteis. Essa foi a quinta grande extinção, fechando o ciclo conhecido como "The Big Five".


Atualmente, a grande degradação ambiental causada pela espécie humana - que teima em se achar superior aos animais, esquecendo que é apenas mais uma espécie - tem impactado profundamente a fauna e a flora, mas principalmente os oceanos. Pesquisadores da Universidade de Connecticut têm alertado sobre o perigo da extinção dos grandes animais marinhos. Um exemplo disso é a poluição da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, onde há alguns anos atrás era possível ver famílias de golfinhos nadando ali, mas hoje, resta a penas a sujeira no mar. A poluição dos oceanos, se continuar desenfreada, causará a sexta grande extinção, a extinção da vida marinha.

Após a sexta grande extinção, que infelizmente tudo indica que vai ocorrer, uma outra espécie será extinta na sétima e última extinção(ao menos para nós será a última): a própria humanidade. A poluição dos lençóis de água, o derretimento das geleiras, a poluição do ar, a destruição da camada de ozônio, o lixo não tratado, a liberação de gases tóxicos por indústrias e veículos, tudo isso está criando uma ambiente inadequado, no qual a natureza será obrigada a retomar as rédeas e eliminar a principal causa do problema: a espécie humana. O homem não entendeu ainda que não é a Terra que será prejudicada com sua ignorância. Muitas espécies morreram e morrerão devido ao comportamento humano, mas o planeta não sucumbirá. Seremos nós mesmos o alvo de toda a ganância humana, de toda a poluição e desmatamento desenfreado. O planeta vai se recuperar e novas espécies surgirão, mas toda espécie que se comporta como um câncer será eliminada, para que a vida em sua totalidade tenha equilíbrio. Pagaremos caro pela nossa ignorância se não mudarmos nosso comportamento.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Meritocracia é inviável no Brasil

Já gostei muito do Nerdcast. Até eles crescerem muito. Ouvi recentemente o NerdCast Empreendedor 17, falando sobre o livro "Sonho Grande" e meritocracia. Essa palavra tem me incomodado bastante. A autora do livro, Cristiane Correia, afirmou que "só critica a meritocracia quem não entrega resultados". Vivemos na era dos "empreendedores", da turma do "sonhe alto", do "pense grande", do "acredite", do "seja positivo", do "seja otimista". Eu vivo em outra realidade,mas fiquei feliz em pesquisar e descobrir que não estou sozinho. 

Meu ódio chega ao limite quando ouço empresários poderosos falando que "não vence na vida quem não quer", afirmando que chegaram onde estão por mérito próprio. E fico triste quando vejo pessoas que vieram da periferia, da favela, venceram na vida, e agora esquecem de onde vieram e julgam seus semelhantes, taxando-os de incompetentes. O ser humano é tão hipócrita e cruel a ponto de tornar-se desprezível. 

Será que é tão difícil perceber que em países como o Brasil não é possível aplicar a meritocracia? Não funciona! Existe na maioria das empresas a "puxasacocracia", pois sempre vi em todos esses anos pessoas exercendo cargos importantes sem nem conhecer direito seu trabalho, e sem se importar com isso. Vi pessoas entrarem juntas em uma mesma empresa, e uma delas "crescer" rapidamente por motivo de "afinidade" com seus superiores, e a outra permanecer anos na mesma função. Isso acontece todos os dias! 

Eu nasci em uma família pobre, pai doente, mãe analfabeta. Estudei, meus pais me incentivaram. Cheguei onde cheguei (embora para muitos isso não signifique nada)  e me sinto contente, mas isso não me dá o direito de julgar outras pessoas que cresceram nas mesmas condições e não conseguiram algo melhor. Eu critico SOMENTE aqueles que NÃO QUEREM TRABALHAR, e isso é algo bem diferente do assunto tratado aqui. 
Ouvi um dos participantes do nerdcast dizer que foi expulso do colégio duas vezes, ele mesmo reconhecendo que isso não era um bom exemplo, e na hora foi repreendido pela Cristiane, que disse que "isso é outra coisa", ou seja, não é um problema. Uma meritocracia assim, não quero pra minha vida.


Há um cartaz espalhado pelas ruas da cidade onde moro que diz "Quantos pobres é preciso para fazer um rico?". Frase verdadeira. Querem um exemplo? O livro "Sonho Grande" - endeusando Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, donos da Ambev, da Heinz, Burguer King e mais meio mundo de empresas - relata suas estratégias de gestão, suas competências, seus milagres... mas me respondam: Quantas pessoas trabalham de verdade cujo trabalho sustenta este império? Quantos empregados destes três homens vendem suas horas de vida por quantias pequenas, sem saber que é o seu suor que mantém este império? Alguém vai escrever um livro sobre o funcionário da Ambev que levanta cedo, pega o ônibus, vai até a empresa e passa o dia engarrafando aquela porcaria para viciar outras pessoas? Não, ninguém vai. E sabem por que? Porque esse trabalho não é considerado importante... o atendente do Burguer King não é importante. O varredor de rua não é importante. O lixeiro não é importante. O carteiro não é importante. Quem tem valor são os "homens de negócio" que sobrevivem do suor alheio. E ainda tenho que ouvir a autora do livro afirmando que "homens como esses passam suas próprias camisas se for preciso"... Eu passo minha roupa há mais de vinte anos! Isso não tem valor?

A meritocracia não é válida no âmbito social. Falar em meritocracia no Brasil é como determinar o primeiro lugar numa corrida onde os corredores saíram em tempos diferentes e correram distâncias diferentes. Não há meritocracia sem igualdade de oportunidade. E enquanto houver a proteção de "conhecidos do meu pai" nas empresas, enquanto houver funcionárias que conquistam cargos indo para a cama com o superior, enquanto houver pessoas dispostas a puxar o tapete de outras, será impossível recompensar alguém por seus méritos. A meritocracia em si não é incorreta. Incorreto é usá-la de maneira hipócrita, num ambiente onde há um abismo entre classes sociais, onde há desigualdade de oportunidades e não existe capacitação.

sábado, 17 de setembro de 2016

Encerramento do Projeto #366Acordes

É com muito tristeza que venho comunicar a descontinuidade do projeto #366Acordes. 2016 foi - e ainda está sendo - um ano bastante difícil. Ainda assim, os problemas nunca nos impediram de manter nosso site com conteúdo de qualidade, preparado com muito carinho. Todavia, muitas situações se acumularam, e diante de falta de tempo e recursos, além de problemas de saúde e outros problemas sérios de ordem particular, e incompatibilidade criativa dos autores do blog, não temos como manter um projeto que, por ser diário, demanda mais tempo e disposição autoral para ser posto no ar, e no momento não tenho nenhum dos dois. Sinto-me bastante envergonhada. Peço desculpas aos nossos leitores e agradeço de coração a todos que visitaram e prestigiaram nosso projeto musical, gerado com tanto carinho há quase um ano. Obrigada a todos.










sexta-feira, 16 de setembro de 2016

#366Acordes - Acorde #260 - Sublime

#260 – 16/09/16 – “Sublime”
Composição: Levi Lima e Saulo Fernandes
Interpretação: Jammil e uma noites

Poucas coisas me deixam mais feliz do que saúde e um céu azul. São instrumentos de vida, regozijo, um sopro de esperança e força em nossas almas, já cansadas. Essa sensação de felicidade e alegria simples, gratidão e força, foi maravilhosamente traduzida na música Sublime, realmente sublime, da banda Jammil e uma noites. Sem nem um dedo de axé, a canção é emocionante, quase uma oração a beira do mar, de agradecimento, fé e paz, mesmo quando o mundo parece explodir ao nosso redor.





Barquinho de papel
Rede de pescador
Anzol e carretel
Beijo de beija-flor
Sem compromisso
Só quero agradecer

O som sublime das ondas na parede
O azul do céu
Dourado sol e mata verde
Sem compromisso
Só quero agradecer

Se a canção traduzir
Todo silêncio do ar
Tem som de mar na concha
Se cada sorriso voar
Se todo amor preencher
Amém!
Sem sombra de dúvidas
Eu sempre fico zen

Hoje o dia amanheceu tão lindo
Veio renovando aquele sentimento
Tudo de bom
O mundo fica mais completo
Cheio de beleza
Quando a gente vibra na frequência
Fé no coração...


A Fé no coração...
Pra dizer Bom Dia...

A Fé no coração...
Pra dizer Bom Dia!



Você tem o que Merece?

Nunca um texto redigido por um personagem fictício foi tão verdadeiro e oportuno. Nesses tempos de eleições municipais, nesses tempos de crise no Brasil, crise financeira, política e moral, o texto abaixo, escrito pelo repórter Ben Urich, o jornalista investigativo da série "Demolidor" nos fala de verdades que doem fundo na alma das pessoas comuns, dos trabalhadores, dos pobres, dos "derrotados", daqueles que não tem uma "carreira", uma "renda digna".  Infelizmente há coisas que não mudam, que não mudarão. A vida é injusta, e o ser humano é cruel.

(Ben Urich, na HQ e na série)

O texto é redigido com a intenção de trazer ao conhecimento do povo de Hell's Kitchen as maldades de Wilson Fisk, um poderoso chefe do crime que diz ser um homem de negócios com boas intenções para a cidade. Mas serve muito bem para vários outros poderosos de nosso tempo, para várias pessoas que são esnobes por serem ricas, para a classe alta, para os políticos e empresários que tratam o trabalhador como parte de seus estoques.


"Você tem o que merece. - É um velho ditado, um que sobreviveu ao longo dos anos por ser verdadeiro. Para a maioria, mas não para todos. Alguns têm mais do que merecem porque se acham diferentes dos outros, e as regras à que pessoas como você e eu - pessoas que trabalham e lutam para viver suas vidas, apenas viver - se submetem, não se aplicam a elas. E podem fazer qualquer coisa, viverem felizes para sempre enquanto o resto de nós sofre. E elas o fazem das sombras, sombras que criamos com nossa indiferença, com a frequente falta de interesse em qualquer coisa que não nos afete diretamente, a nós, no aqui e agora. Ou talvez seja apenas a sombra da fadiga, do quanto estamos cansados, lutando pra agarrar nosso caminho de volta a uma classe média que já não existe, graças àqueles que tomam mais do que merecem. E continuam tomando, até só sobrar para o resto de nós uma lembrança de como costumava ser antes das corporações e do capital decidirem que não tínhamos mais importância.
Mas nós temos. Você e eu, o povo desta cidade. Nós ainda nos importamos..."