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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Brumadinho

Um crime que se repete. Uma nova Mariana. Não chamo de acidente ou tragédia, não. É um crime. Uma barragem mal feita, que quando se desfez, a primeira ação do presidente da Vale não foi se comprometer com as famílias dos mortos e desaparecidos, mas sim mostrar documentos alegando que tudo estava correto, que vistorias haviam sido feitas e que era um "acidente". O nome disso é ambição, é descaso.

A Vale foi uma poderosa empresa pública vendida por um valor muito aquém do que ela realmente valia, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi entregue na mão do capital privado, mas ao contrário do que o povo ignorante pensa, a privatização piorou a empresa em vez de melhorá-la. Prova disso é sua administração voltada única e exclusivamente ao lucro, esquecendo-se dos funcionários e da manutenção preventiva.

Que as pessoas possam suportar a dor da perda de seus ente queridos e superar as dificuldades que virão até que suas vidas sejam reconstruídas.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Temer na Noruega - Dane-se a Amazônia, eu só quero os lucros!

Michel Temer está na Noruega, onde tinha ontem seu primeiro compromisso: debater a questão ambiental. A Noruega já investiu nos últimos sete anos mais de 3 bilhões de reais para a preservação da Amazônia. O Brasil, ao contrário, não se importa com suas próprias florestas, pois o desmatamento cresceu 58% em 2016. O presidente Temer é aliado da bancada ruralista - essa classe de seres humanos idiotas que acham que dinheiro vale mais que a natureza - e por isso não faz muita coisa para preservar a mata nativa, pois se o fizer, acertará em cheio seus "amiguinhos" ruralistas.

A Noruega demonstrou grande insatisfação com essas notícias, e ameaçou suspender a parceria na proteção da Amazônia. Temer, em vez de tentar ao menos justificar-se, fez o que faz de melhor: ignorou o assunto "ambiental" e concentrou-se apenas em falar sobre o setor privado, tentando buscar investimentos no setor produtivo brasileiro. "O Brasil, digo sem medo de errar, está deixando para trás uma severa crise de sua história". Falácias e mais falácias...

Como um chefe de estado vai à Noruega para falar sobre a questão ambiental e ignora o meio-ambiente? Fico envergonhado ao saber que um país nórdico distante investe tanto na preservação de NOSSAS florestas, enquanto NOSSO PRÓPRIO GOVERNO ignora o desmatamento crescente, demonstrando total descaso com uma das maores riquezas desta nação. Mas assim funciona o capitalismo e o setor privado: o que importa é apenas o lucro.

sábado, 17 de junho de 2017

José e Liso

Um grupo de 33 leões foram recolhidos de picadeiros e jaulas na Colômbia e Peru e levados ao Santuário de Emoya - uma reserva privada no norte da África do Sul - para que pudessem voltar a ter uma vida normal na selva. Eles já haviam sofrido maus tratos nos circos, e a reintegração era a esperança para esses pobres leões.

Entre eles estavam José e Liso, dois leões de circo. José sofria com sequelas por ter apanhado na cabeça, e estava recebendo um tratamento específico, foi construído um ambiente especial para ele em Emoya. Liso era um leão tranquilo e amigável.

Infelizmente, José e Liso foram roubados do Santuário em Emoya, por caçadores que matam leões por encomenda de sacerdotes, pois a cabeça, patas e pele dos animais são utilizadas em rituais na África. Os pobres animais foram decapitados e tiveram sua pele retirada. A polícia ambiental local está investigando o caso.

Eu pergunto: quem são os animais? Quem são os seres irracionais? Malditos seres humanos que não percebem que são um acidente da natureza. Não passamos de outra espécie qualquer que - por acaso - tem se alastrado como um câncer pelo planeta, acreditando em nossa ignorância e egoísmo que valemos mais que os outros animais.

O fim da humanidade chegará, porque a natureza sabe controlar espécies que se alastram demais e prejudicam outros animais. O fim da humanidade chegará por sua própria culpa. Tudo a seu tempo.

José e Liso. Foto: Animal Defenders International

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Sétima Extinção

Desde que o primeiro organismo vivo surgiu neste planeta, essa esfera azul suspensa no nada já sofreu cinco grandes extinções, todas causadas por derretimento de geleiras, aumento do nível dos oceanos, erupções vulcânicas e asteroides.

A primeira grande extinção ocorreu na transição do período Ordoviciano para o Siluriano há cerca de 440 milhões de anos atrás. Movimentos geológicos derreteram as geleiras e o nível dos oceanos subiu, causando um desequilíbrio na vida marinha e matando 60% de suas espécies.

A segunda foi há 360 milhões de anos, no período Devoniano. Uma nova glaciação voltou a reduzir o nível dos mares e a temperatura. 70% das espécies de águas quentes desapareceram e os corais sofreram grandes mudanças. A causa dessa mudança climática ainda é desconhecida.

Entre os períodos Permiano e Triássico, há 250 milhões de anos, o impacto de um asteroide na Terra eliminou 95% das espécies. Alguns cientistas afirmam que - em vez do asteroide - pode ter sido uma grande erupção vulcânica que reduziu os níveis de oxigênio na Terra. Essa foi a terceira grande extinção.

A quarta extinção foi causada por um vulcão poderoso (ou Hércules!) que causou a divisão do supercontinente Pangeia há 210 milhões de anos, entre os períodos Triássico e Jurássico. Dá pra imaginar o estrago que isso fez na vida na Terra.

Entre os períodos Cretáceo e Terciário, há 65 milhões de anos atrás, os dinossauros encerraram seu reinado no planeta. O impacto de um asteroide, que causou uma grande cratera na Península do Yucatan, eliminou os poderosos répteis. Essa foi a quinta grande extinção, fechando o ciclo conhecido como "The Big Five".


Atualmente, a grande degradação ambiental causada pela espécie humana - que teima em se achar superior aos animais, esquecendo que é apenas mais uma espécie - tem impactado profundamente a fauna e a flora, mas principalmente os oceanos. Pesquisadores da Universidade de Connecticut têm alertado sobre o perigo da extinção dos grandes animais marinhos. Um exemplo disso é a poluição da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro, onde há alguns anos atrás era possível ver famílias de golfinhos nadando ali, mas hoje, resta a penas a sujeira no mar. A poluição dos oceanos, se continuar desenfreada, causará a sexta grande extinção, a extinção da vida marinha.

Após a sexta grande extinção, que infelizmente tudo indica que vai ocorrer, uma outra espécie será extinta na sétima e última extinção(ao menos para nós será a última): a própria humanidade. A poluição dos lençóis de água, o derretimento das geleiras, a poluição do ar, a destruição da camada de ozônio, o lixo não tratado, a liberação de gases tóxicos por indústrias e veículos, tudo isso está criando uma ambiente inadequado, no qual a natureza será obrigada a retomar as rédeas e eliminar a principal causa do problema: a espécie humana. O homem não entendeu ainda que não é a Terra que será prejudicada com sua ignorância. Muitas espécies morreram e morrerão devido ao comportamento humano, mas o planeta não sucumbirá. Seremos nós mesmos o alvo de toda a ganância humana, de toda a poluição e desmatamento desenfreado. O planeta vai se recuperar e novas espécies surgirão, mas toda espécie que se comporta como um câncer será eliminada, para que a vida em sua totalidade tenha equilíbrio. Pagaremos caro pela nossa ignorância se não mudarmos nosso comportamento.

terça-feira, 22 de março de 2016

#366Acordes - Acorde #82 - Planeta Água


#82 –22/03/16 – “Planeta Água”
Composição: Guilherme Arantes
Interpretação: Guilherme Arantes

Planeta Água foi a segunda colocada do Festival MPB Shell, de 1981, escrita e defendida pelo grande Guilherme Arantes (claro que uma canção com esse nome não ganharia um festival promovido por uma empresa petrolífera). Por um motivo muito especial ela não foi apresentada na semana dos festivais, estando aqui hoje, dia 22 de março. Planeta Água sempre é lembrada quando se fala em preservação ambiental, particularmente, dessa substância composta formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, sem a qual a vida como conhecemos na Terra é inviável. A canção já foi regravada um sem número de vezes, pelos mais variados e inóspitos cantores deste país (por incrível que pareça, a melhor versão, depois da original, é com aquela insossa da Wanessa Camargo, a voz da moça ficou perfeita para a canção). Todavia, preservação ambiental não se faz apenas cantando. Esses mesmos cantores que se mostraram gravando a canção, será que sua atitude ambiental vai além de cantar? E eu e você que está me lendo, até que ponto vai nossa consciência ambiental? Você Acha que ser ecológico se resume a ser ecochato, sem compreender que a água doce está acabando, sem se dar conta que seu banho de 20 minutos joga pelo ralo uma quantia absurda do líquido mais precioso que existe no planeta? Você deixa a torneira aberta enquanto escova os dentes ou lava a louça? Você acha que fazer coleta de água da chuva é perca de dinheiro? Você acha que preservar a água, assim como os animais, as plantas e todos os seres vivos, da melhor forma que pudermos, utilizando os recursos naturais – porque sim, precisamos utilizar-nos da natureza – com bom senso é lorota, que somos donos do planeta, que ele foi feito para nosso prazer? Se você pensa e age assim, parabéns, é culpa sua a epidemia da dengue, a seca, a extinção de animais, a poluição generalizada da Terra e a destruição sem freio do nosso planeta.


  

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho
E deságua na corrente do ribeirão

Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população

Águas que caem das pedras
No véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos

Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão

Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas na inundação

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho
E deságua na corrente do ribeirão

Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...


segunda-feira, 4 de maio de 2015

OLX Vendendo Animais? Desapega

Veio a meu conhecimento um fato que me deixou triste: A OLX, essa grande empresa de compra e venda de "qualquer coisa" compra e vende realmente qualquer coisa, inclusive animais. 

Não seria necessário uma fiscalização a respeito disso? Não há o perigo de esse meio se tornar um canal para venda de animais sob condições suspeitas? 

Há vários tipos de animais a venda, as fotos mostram cães em caixas de papelão, furões em gaiolas, araras e outros animais.

Não devemos permitir que um site que tem prestado um serviço tão útil a várias pessoas no país se torne permissivo para esse tipo de comércio. Confira aqui o abaixo assinado criado pela estudante de biologia Fernanda Zelmikaitis, de São Sebastião (SP) para que sejam adotadas medidas de fiscalização sobre estes anúncios. Assine, divulgue, ajude.


sexta-feira, 20 de março de 2015

LEGO - Protegendo a destruição da natureza?

A gigante do petróleo e da destruição do Ártico, a SHELL, havia fechado um contrato com a LEGO - que divertiu tanta gente com seus incríveis bloquinhos coloridos e bonequinhos divertidos - para tentar limpar sua imagem perante a sociedade. 

Mas os protestos vieram, e vieram fortes e rápidos. Não se pode aceitar que uma empresa extremamente preocupada apenas com o LUCRO use a influência de outra, que marcou tanto a infância das pessoas, para esconder sua irresponsabilidade e crueldade. O vídeo abaixo mostra de maneira clara o real significado desta aliança.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Salvando Animais da Insensatez Humana

Em 20 de junho de 2013, a Dra. Jane Goodall libertava o décimo-quinto chimpanzé na ilha Tchindzoulou, uma fêmea chamada Wounda, que já havia passado por maus momentos. O que a Dra. Jane não esperava, era o gesto sincero de gratidão e amizade, sentimentos estes que muitos humanos não possuem mais.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lembretes

Apenas dois lembretes, mas importantíssimos:

1. Parabéns Freddie Mercury, saudades (ele completaria 66 anos hoje). Rest in Peace!

 

2. Ajude o GreenPeace


quarta-feira, 4 de julho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Novo Código Florestal Brasileiro

Acabei de assistir alguns discursos de um certo DVD que Kátia Abreu (senadora do PSD/TO,  presidente da CNA - Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária - e latifundiária nas horas vagas) andou distribuindo pelo país afora. Ela está lutando para a aprovação do novo Código Florestal.  A senadora alega que o texto do Código Florestal é de 1965, um tempo em que o Brasil era importador de alimentos e preservava sua madeira para queimá-la como combustível, e agora os tempos mudaram, o país não precisa preservar uma área tão grande assim (será que não?) e é necessário valorizar o agronegócio, que de acordo com ela, é o setor mais importante da economia (tenho minhas dúvidas) e é responsável por 40% da exportação brasileira.
Kátia Abreu ainda afirma que as reservas legais estão espalhadas, e esse fato impede que os animais de uma reserva se encontrem com os de outra reserva para manter a espécie (ainda estou tentando entender essa) e por esse motivo, não há razão em manter estas pequenas reservas aleatórias. Ela defende o aumento das áreas de produção para evitar importações de alimentos, e alega que talvez as ONGs tenham interesse e apoio de produtores de outros países para reduzir estas áreas de produção e forçar o Brasil a comprar alimento do exterior.

Sou leigo, não entendo nada de engenharia ambiental, mas concordo com o aumento (não exagerado) das áreas de produção, se isso vai realmente fortalecer a economia do país e evitar a importação de alimentos. Mas defendo o aumento APENAS DAS ÁREAS DE PLANTIO,  não o desmatamento de terras nativas para a criação de gado (cuja carne muitas vezes é vendida para o exterior) ou para o plantio de pinheirinhos. Aqui em Santa Catarina por exemplo, a carne de gado é cara, e não será o aumento das áreas de pasto que vai baixar o preço. O brasileiro é tão acomodado que não tem capacidade de boicotar a compra da carne bovina, o que seria o ideal. Outra coisa que vejo, e não é preciso entender o código florestal para ver isso, é o desmatamento de grandes  áreas nativas para a plantação de pinheirinho, com fins puramente econômicos, visando a produção de madeira e destruindo o solo. Talvez haja o interesse de outros países em forçar o Brasil a comprar seus alimentos, mas tenho certeza que há o interesse de grandes produtores de madeira em desmatar áreas que hoje são preservadas para lucrar com a produção de madeira. Entendo o fato de a senadora afirmar que é injusto num país onde grande parte da população ainda passa fome reduzirmos as áreas de plantio. Mas a causa da fome desta grande parte da população não tem nada a ver com a produção de alimentos, e sim, com a má distribuição da renda, cujo desequilíbrio é muito maior do que o problema da preservação da mata nativa. A senadora alega que apenas 27% do território do Brasil é ocupado para produção, e eu afirmo que apenas 10% da população do país (leia-se ricos) ficam com 80% de toda a renda nacional, enquanto que 20% desta renda tem que ser dividida entre 90% da população. Isso sim é um problema. Não adianta produzirmos mais enquanto toneladas de alimentos são jogados fora todos os dias em restaurantes chiques, e milhares de brasileiros buscam sua comida no lixo. Não é o desmatamento que vai mudar isso, e sim, bom senso e justiça. Acredito que a presidente Dilma pode segurar esta barra, e fiquei um pouco mais feliz com a notícia abaixo:

quarta-feira, 16 de março de 2011

Índice do Planeta Feliz

Há um sujeito chamado Nick Marcks que (espero eu) entende melhor de economia do que nós... E criou o “índice do planeta feliz” e o “Centro de Bem Estar” da “Fundação para a Nova Economia (New Economics Fundation)”. Os nomes são bonitos... O tal IPF (índice do planeta feliz) foi criado com a intenção de substituir o PIB (produto interno bruto) com a desculpa de que o PIB se baseia apenas na economia e na produção de bens e serviços, não levando em consideração o bem estar das pessoas e a sustentabilidade do planeta. Uma nação precisa oferecer bem estar aos seus cidadãos sem acabar com o planeta, oferecendo uma boa expectativa de vida, e boas condições sociais.

Concordo. Concordo com tudo. O problema é que parece que o índice de felicidade dos países latino-americanos é muuuiiito alto. Estranho, não? De acordo com o IPF a Costa Rica é o país mais feliz do mundo, e aqui no sul também há outros “felizes” como o Brasil, o Paraguai...

Talvez seja necessário criar um novo índice econômico de progresso que não leve em conta apenas produtos e serviços, mas se basear em “felicidade declarada” pra medir progresso é ridículo! Os brasileiros, por exemplo, estão quebrados, ainda pagando contas do Natal, com boa parte do Rio de Janeiro destruído, e cortes orçamentários ocorrendo até nas áreas de EDUCAÇÃO e DEFESA, e estão todos pulando e festejando o Carnaval. Que povo feliz, não??? Estamos com a m#rd@ até o pescoço, mas somos felizes! E se somos felizes, somos o país do progresso! Uau!!!

Sinceramente, se este “Índice do Planeta Feliz” se tornar indicador de progresso, eu jogo fora todos os meus livros de administração e gestão financeira. Um país precisa de administradores honestos, preocupados com os cidadãos. Precisa de empresas, trabalho, educação, saúde, produção de produtos e serviços, tecnologia, sustentabilidade ambiental, informação. A riqueza de uma nação é conhecimento e produção, e não gente nua, bêbada, drogada e pulando ao som de barulhos ensurdecedores.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Mundo que Chegou Pelo Correio - parte 4 - final (Carl Sagan)

"O nosso mundo grande é muito semelhante a esse mundo pequeno, e somos muito parecidos com os camarões. Mas há, pelo menos, uma diferença importante: ao contrario dos camarões, somos capazes de mudar o nosso meio ambiente. Podemos fazer conosco o que um dono descuidado daquela esfera de cristal pode fazer com os camarões. Se não cuidarmos, podemos aquecer o nosso planeta pelo efeito estufa atmosférico ou esfriá-lo e escurecê-lo com as conseqüências de uma guerra nuclear ou de um grande incêndio num campo petrolífero (ou ignorar o perigo de um impacto causado por um asteróide ou um cometa). Com a chuva ácida, a diminuição da camada de ozônio, a poluição química, a radioatividade, a destruição das florestas tropicais, e uma dúzia de outros ataques ao meio ambiente, estamos puxando e esticando o nosso pequeno mundo em direções bem pouco compreendidas. A nossa civilização pretensiosamente avançada pode estar alterando o delicado equilíbrio ecológico que evolui com dificuldade ao longo do período de 4 bilhões de anos da vida sobre a Terra.
Os crustáceos, como os camarões, são muito mais antigos que as pessoas, os primatas ou até os mamíferos. As algas remontam a 3 bilhões de anos atrás, muito antes dos animais, quase até a origem da vida sobre a Terra. Todos têm trabalhado juntos – plantas, animais, micróbios – por muito tempo. O arranjo de organismos na minha esfera de cristal é antigo, muito mais antigo que as instituições culturais que conhecemos. A tendência a cooperar tem sido dolorosamente extraída por meio do processo evolucionário. Aqueles organismos que não cooperam, que não trabalharam uns com os outros, morreram. A cooperação está codificada nos genes dos sobreviventes. Faz parte da sua natureza cooperar. É a chave para a sua sobrevivência.
Mas nós, humanos, somos recém-chegados, pois só surgimos há uns poucos milhões de anos. A nossa presente civilização técnica tem apenas algumas centenas de anos. Não tivemos muitas experiências recentes de cooperação voluntaria entre as espécies (ou até entre a mesma espécie). Somos muito inclinados ao curto prazo e quase nunca pensamos no longo prazo. Não há garantia de que seremos bastante sábios para compreender o nosso sistema ecológico fechado em todo o planeta, ou para modificar o nosso comportamento de acordo com esse entendimento.
O nosso planeta é indivisível. Na América do Norte, respiramos oxigênio gerado na floresta tropical brasileira. A chuva acida das indústrias poluentes no meio oeste norte-americano destrói florestas canadenses. A radioatividade de um acidente nuclear na Ucrânia compromete a economia e a cultura Lapônia. A queima de carvão na China aquece a Argentina. Os clorofluorcarbonetos liberados por um ar-condicionado na Terra Nova ajudam a causar câncer de pele na Nova Zelândia. Doenças se espalham rapidamente ate os pontos mais remotos do planeta e requerem um trabalho medico global para serem erradicadas. E, sem duvida, a guerra nuclear e um impacto de asteróide representam um perigo para todo o mundo. Gostando ou não, nós, humanos, estamos ligados com nossos colegas humanos e com as outras plantas e animais em todo o mundo. As nossas vidas estão entrelaçadas.
Se não fomos agraciados com um conhecimento instintivo que nos mostre o que fazer para que nosso mundo regido pela tecnologia seja um ecossistema seguro e equilibrado, devemos descobrir como fazê-lo. Precisamos de mais pesquisa cientifica e mais controle tecnológico. É provavelmente muito cômodo esperar que um grande Zelador do ecossistema venha à Terra e corrija os nossos abusos ambientais. Cabe a nós a tarefa.
Não deve ser tão difícil assim. Os pássaros – cuja inteligência tendemos a denegrir – sabem o que fazer para não sujar o ninho. Os camarões, com cérebro do tamanho de partículas de fiapos, sabem o que fazer. As algas sabem. Os microorganismos unicelulares sabem. Já é hora de sabermos também."

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Mundo que Chegou Pelo Correio - parte 3 (Carl Sagan)

"As fantasmagóricas cascas mortalhas e o raro corpo morto de um camarão não permanecem por muito tempo. São comidos, em parte pelos outros camarões, em parte pelos microorganismos invisíveis que proliferam no oceano desse mundo. E assim nos lembramos de que essas criaturas não trabalham sozinhas. Elas precisam umas das outras. Elas cuidam umas das outras – de um modo que não sou capaz de fazê-lo. Os camarões tiram oxigênio da água e exalam oxigênio. Eles respiram mutuamente os gases que são refugos dos outros. Seus refugos sólidos também passam pelas plantas, animais e microorganismos. Nesse pequeno éden, os moradores têm um relacionamento extremamente íntimo.
A existência dos camarões é muito mais tênue e precária que a de outros seres. As algas podem viver muito mais tempo sem s camarões do que os camarões podem viver sem as algas. Os camarões comem as algas, mas as algas se alimentam principalmente de luz. Por fim – ate hoje não sei a razão – os camarões começaram a morrer um a um, chegou o momento em que restava apenas um deles, mordiscando mal-humorado – assim parecia – um raminho de alga ate morrer. Um pouco para minha surpresa, eu me peguei chorando a morte de todos eles. Acho que foi em parte porque eu chegara a conhecê-los, um pouco, mas em parte, eu sabia, foi porque eu temia um paralelismo entre o seu mundo e o nosso.
Ao contrario de um aquário, esse pequeno mundo é um sistema ecológico fechado. A luz entra no mundo, mas ele não recebe nada mais – nem alimento, nem água, nem substancias nutritivas. Tudo deve ser reciclado. Exatamente como na Terra. Em nosso mundo maior, nós também – plantas, animais e microorganismos – vivemos um dos outros, respiramos e comemos os refugos uns dos outros, dependemos uns dos outros. A vida em nosso mundo é também energizada pela luz. A luz do sol, que passa pelo ar claro, é colhida pelas plantas e lhes dá força para combinar dióxido de carbono com água e assim formar carboidratos e outros materiais comestíveis, que por sua vez constituem a dieta principal dos animais."

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O Mundo que Chegou Pelo Correio - parte 2 (Carl Sagan)

"Depois de algum tempo, começamos a poder distinguir os indivíduos. Um camarão está na muda, abandonando o seu velho esqueleto para criar espaço para o novo. Mais tarde, podemos ver o que restou – a casca transparente, como uma mortalha, pendendo rígidamente de um ramo, seu amigo ocupante cuidando de seus afazeres com uma nova carapaça luzidia. Eis um ao qual está faltando uma pata. Teria havido um furioso combate pata a pata, talvez por causa do afeto de uma devastadora beldade casadoira?
De certos ângulos, o topo da água é um espelho, e um camarão vê o seu próprio reflexo. Será que consegue se reconhecer? Mais provavelmente, apenas vê o reflexo como mais um camarão. De outros ângulos, a espessura do vidro curvo os amplifica, e então posso ver como eles realmente são. Observo, por exemplo, que têm bigodes. Dois deles correm para o topo da água e, incapazes de romper a tensão da superfície, batem no menisco. Depois, aprumados – um pouco espantados, imagino – afundam suavemente para o fundo da esfera. Suas patas estão cruzadas de modo casual, pelo menos é o que quase parece, como se a façanha fosse rotina, nada digno de contar na carta para a família. Eles são senhores de si.
Se consigo ver claramente um camarão pelo cristal curvo, imagino que ele deve ser capaz de me ver, ou pelo menos o meu olho – um grande disco preto avultando, com uma coroa marrom e verde. Na verdade, às vezes, quando estou observando um que mexe agitadamente nas algas, ele parece se enrijecer e olhar para mim. Temos feito contato ocular. Eu me pergunto o que ele acha que vê.
Depois de um ou dois dias de preocupações com o trabalho, acordo, dou uma olhada no mundo de cristal... todos parecem ter desaparecido. Eu me censuro. Não preciso alimentá-los, dar-lhes vitaminas, mudar a sua água, nem levá-los ao veterinário. Tudo o que tenho de fazer é cuidar para que não fiquem muito na luz, nem muito tempo no escuro, e que estejam sempre a temperaturas entre 40° e 85° F. (acima dessas temperaturas, acho que eles viram sopa, deixando de ser um ecossistema.) Por falta de atenção, eu os teria matado? Mas então vejo um deles colocando a antena para fora atrás de um ramo, e compreendo que eles ainda estão com boa saúde. São apenas camarões, porem depois de algum tempo começamos a nos preocupar com eles, a torcer por eles. Se ficamos a cargo de um pequeno mundo como esse, e conscienciosamente nos preocupamos com a sua temperatura e níveis de luz, então – fosse qual fosse a nossa intenção no inicio – acabamos por nos importar com aqueles que estão lá dentro. No entanto, se estiverem doentes ou morrendo, não podemos fazer muita coisa para salvá-los. De certo modo, somos mais poderosos que eles, mas eles fazem coisas – como respirar água – que não fazemos. Somos limitados, poderosamente limitados. Até nos perguntamos se não é cruel colocá-los nessa prisão de cristal. Mas nos tranqüilizamos com o pensamento de que pelo menos ali eles estão a salvo das baleias com barbatanas na boca, dos vazamentos de óleo e do molho de coquetel."

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Mundo que Chegou Pelo Correio - parte 1 (Carl Sagan)

Vou transcrever aqui um texto grande, mas muito bom, de Carl Sagan extraído do livro "Bilhões e Bilhões". Vou dividí-lo em partes. Vale a pena lê-lo, fala sobre o mundo em que vivemos, a preservação deste mundo, e a falta de bom senso do ser humano, que se acha a mais inteligente das criaturas...

"O mundo chegou pelo correio. Estava marcado “frágil”. No embrulho, havia um adesivo com a figura de um pequeno globo partido. Eu o abri cuidadosamente, temendo ouvir o tilintar de cristal quebrado ou descobrir cacos de vidro. Mas estava intacto. Com as duas mãos, tirei-os da caixa e o ergui à luz do sol. Era uma esfera transparente, com água mais ou menos pela metade. O numero 4210 estava indicado numa etiqueta não muito visível. Mundo número 4210: devia haver muitos desses mundos. Cautelosamente, eu o instalei no suporte de acrílico que veio junto e fiquei observando.
Podia ver a vida lá dentro – uma rede de ramos, alguns incrustados com algas verdes filamentosas, e seis ou oito pequenos animais, a maioria cor-de-rosa, saltando, ao que parecia, entre os ramos. Alem disso, havia centenas de outras espécies de seres, tão abundantes nessas águas quanto os peixes nos oceanos da Terra. Mas eram todos micróbios, muito pequenos para que eu pudesse vê-los a olho nu. Evidentemente, os animais rosa eram camarões de uma variedade apropriadamente despretensiosa. Eles logo atraiam a atenção, porque estavam muito ocupados. Alguns tinham pousado nos ramos e estavam caminhando sobre dez patas e abanando muitos outros apêndices. Um deles estava dedicando toda a sua atenção, além de um considerável numero de patas, ao ato de comer u filamento de planta. Entre os ramos, cobertos de algas assim como as arvores na Geórgia e no norte da Flórida se cobrem de barbas-de-pau, podia-se ver outro camarão movendo-se como se tivesse um compromisso urgente em algum outro lugar. Às vezes eles mudavam de cor, ao passarem nadando de um ambiente para outro. Um era pálido, quase transparente; outro, laranja, com um constrangido rubor vermelho.
Sob alguns aspectos, é claro, eram muito diferentes de nós. Tinham seus esqueletos de fora, respiravam água, e uma espécie de anus estava desconcertadoramente localizado perto de suas bocas. (mas eram exigentes no que dizia respeito à aparência e limpeza, possuindo um par de patas especializadas com cerdas semelhantes a escovas. De vez em quando, um camarão dava em si mesmo uma boa esfregadela.)
Mas, sob outros aspectos, eles eram como nós. Era difícil não perceber. Tinham cérebro, coração, sangue e olhos. Aquela agitação de apêndices natatórios impulsionando-os pela água traia o que parecia ser um evidente sinal de propósito. Quando chegavam ao seu destino, atiravam-se aos filamentos de alga com a precisão, delicadeza e diligencia de um gourmet aficionado. Dois deles, mais aventureiros que o resto, erravam pelo oceano desse mundo, nadando bem acima das algas, explorando languidamente o seu domínio."