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sexta-feira, 21 de abril de 2017

A Depressão e a Pressão dos Bancários

Trago hoje um resumo da reportagem da revista FENAE AGORA, Edição 87, de junho de 2016, que fala sobre assédio moral, isolamento social, depressão e suicídio. Muito interessante e necessário nesses tempos de angústia em que vivem os trabalhadores, pressionados por metas e chefes hostis, desvalorizados cada dia mais por seus empregadores, que querem apenas aumentar seus ganhos. 

"Qual o castigo maior para um mortal que ousou burlar a morte, do que ser condenado a passar a eternidade realizando um trabalho inútil, sem sentido e sem esperança? Foi assim que pensaram os deuses gregos ao condenarem Sísifo a empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. A pedra, então, rolaria para baixo e ele teria que começar tudo de novo. Por toda a eternidade.
Alber Camus em seu livro "O Mito de Sísifo", escrito em 1947, compara a mitologia com a vida laboral moderna, operários que trabalham a vida toda, fazendo tarefas para as quais não vêem utilidade. Camus defende que esse destino é mais trágico ainda se o trabalhador não tem consciência disso. Pode levar ao desespero e à desistência da vida. A maneira para combater isso é a revolta, a discussão sobre a desumanização do trabalho.

O pesquisador Marcelo Augusto Finazzi defendeu sua tese de mestrado - intitulada "Patologia da solidão: o suicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho" - na UNB, na qual afirma que o assédio moral, o incentivo ao individualismo e à competição foram fatores determinantes na decisão dos pesquisados em tentar o suicídio.

A reestruturação econômica dos tempos modernos mudou a relação de trabalho dos bancários com seus colegas e com o próprio trabalho. O enxugamento, a eficiência a qualquer custo, a pressão por produtividade e as metas abusivas, sem falar nos chefes hostis que cobram jornadas de 10, 12 e até 15 horas por dia, criam um clima de 'ninguém é amigo de ninguém'.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, entre 1993 e 2005 um bancário cometeu suicídio a cada 20 dias. O trabalhador passa a acreditar que ele é o problema, não percebendo mais que é o ambiente de trabalho que está oprimindo a ele e seus colegas.

São poucos os bancários que ainda não tomam antidepressivos e não estão sofrendo de síndrome do pânico, problemas psicológicos que acabam encontrando uma válvula de escape como doenças físicas, prejudicando a vida. E quando o desespero chega ao extremo, o trabalhador passa a contemplar o suicídio como uma opção convidativa. Triste realidade do capitalismo, da produção excessiva, dos lucros sem medida. Triste realidade das modernas relações de trabalho."


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sintomas da depressão


Começa com alguma coisa que te incomoda, seja um sentimento ruim, uma lembrança triste, uma culpa de erros do passado, ou erros atuais, a perda de um ente querido, o excesso de trabalho, problemas na família, qualquer coisa. Qualquer coisa, por mais insignificante, pequena e absurda que possa parecer. Algo que te incomoda imensamente. e esse incômodo vai aumentando.

Em seguida, você se irrita, se desespera, e os pensamentos ruins não te abandonam. Vem o choro, a tristeza, a culpa. Muita culpa. Muita tristeza. Uma tristeza totalmente anormal.



Duas coisas em geral acontecem: ou você se isola totalmente, se tranca no quarto, briga e não quer saber de ninguém por perto, ou não suporta a solidão, por causa do medo, e não consegue mais nem fechar a porta do banheiro para fazer suas necessidades. Sério.

Nesse ínterim, os pensamentos ruins, medos, culpas, raiva, tristeza, se elevam a um nível quase insuportável, o choro é constante e incontrolável, você está no trabalho, cercado de afazeres, e a sensação ruim é insuportável.



Então, vem o medo. Seu cérebro parece desligar e a única coisa que você sente é um medo absurdo, e de tudo, das pessoas, do trabalho, de dormir, de acordar. Quando a noite chega, você tem medo dela, e medo de ir pro quarto, e quando o dia amanhece, você tem mais medo ainda, porque terá que enfrentar a vida. Aquelas sensações ruins podem voltar - e volta - a culpa, a angústia, a tristeza, suas inseguranças, mas o sentimento predominante é o medo. As pessoas amadas te incomodam, você não sabe nem o que sente mais, e, claro, o mais importante, não tem vontade de fazer nada, nada. A única coisa que sente é medo, uma angústia muito grande que não sabe de onde veio, porque está ali e para onde ela vai.


É claro que essa é apenas uma das manifestações da depressão, as pessoas podem ter essa doença manifestada de formas diferentes, mas em geral, os sintomas são os mesmos, as motivações são parecidas. Esse mal do século atinge cada vez mais pessoas, cada vez mais jovens, o que é assustador, e parece não haver nada que possa frear essa doença maldita.

A depressão é uma coisa muito séria, e que, além de atingir cada vez mais pessoas, também é banalizada. Tem gente que não tem depressão mas que enche a boca, com um prazer mórbido, para dizer que tem. Se tivesse mesmo, jamais desejaria ter esse sentimento tão horrível. Sentir-se triste é normal! Desanimado, cansado, ter medo às vezes. A depressão vai muito além disso. É algo exagerado, insuportável, descontrolado, que causa uma dor e um sofrimento constantes, para você e para quem você ama, que sofre por te ver assim.

Além de ser banalizada, a depressão é usada como desculpa por muita gente que tem o problema, mas usa isso para escapar das suas frustrações descontando nos outros. "Eu agi assim porque estou com depressão", eu canso de ouvir isso e tenho vontade de cuspir na cara de quem fala assim, porque se faz de vítima. Quando você extravasa e desconta sua raiva nos outros, reconheça seu erro e não se faça de vítima, não use seu problema como desculpa para ser grosseiro e insensível com os outros.

Outra coisa, tão terrível quanto às outras duas, consequência da proliferação da depressão em nossos cérebros, é confundi-la com outra doença. Às vezes, o que a pessoa tem é síndrome do pânico, transtorno bipolar, ou qualquer outra doença que somente um diagnóstico preciso pode ser assertivo, mas tudo é tratado como depressão. Na verdade, esses outros transtornos são irmãos da depressão, podem originar-se dela ou vice-versa, mas um diagnóstico preciso é fundamental para se tratar corretamente o problema.



Aliás, diagnóstico e tratamento são coisas complicadas para quem tem depressão. O paciente pode-se tornar arredio diante de um profissional. A verdade é que um tratamento torto pode piorar a situação da pessoa, e às vezes ela precisa de um tempo para, sozinha, tentar colocar suas ideias no lugar. Eu acho, diante da minha experiência - perdoem-me se eu estiver errada, mas falo o que sinto - que o depressivo é um semi autista diante de suas crises, porque vive seu mundinho, e enquanto não se entender em seu mundo não conseguirá ficar bem. É claro que ele precisa de ajuda - o deprimido precisa de muita ajuda! - mas de ajuda de verdade. Nem todo psiquiatra e psicólogo por aí está realmente apto a auxiliar um depressivo.

O que importa é ter força. Às vezes a gente não sabe da onde tirar essa força, parece que vai cair a qualquer momento. Mas é preciso levantar. Não sei direito como, mas é preciso....