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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Um Novo Nome Para uma Velha História

A Reforma Trabalhista está às portas, e o fim de algumas poucas e boas vantagens do trabalhador também. Vemos e ouvimos que o Governo está aprovando tudo isso porque está "preocupado" com os trabalhadores. Mas como um Governo comprado e mantido por empresários pode estar preocupado com trabalhadores?

Hoje, para tirarmos férias - algo que é um direito nosso - já temos que brigar muito para conseguir! O tempo que passamos trabalhando para garantirmos nossas férias chama-se período aquisitivo. Trabalhamos um ano para termos direito a esses trinta dias e, mesmo assim, é preciso brigar quando chega o tempo de descansarmos. 

O chefe já escolhe quando nos dar férias, e na maioria das vezes ainda nos força a vender alguns dias, como se não tivéssemos família ou vida particular, e agora ainda será possível dividir o período de férias em TRÊS! Vão nos fazer vender quinze dias e nos darão três períodos de cinco dias cada, durante o ano, no tempo que for melhor para a empresa. Essa "negociação" com a gerência nós já sabemos como funciona: O chefe nos impõe sua vontade e pressão, e faz com que aceitemos suas propostas, seja por medo ou não, pois somos peças descartáveis na máquina empresarial.

É assim que a banda toca. Nos dedicamos anos e anos em um trabalho, e quando mais precisamos é preciso convencer meio mundo a  nos dar algo que - por direito -  já é nosso. E agora, com a reforma, vai ficar ainda pior.

Bira - FENASPS

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Classes sociais e manipulação de massa

Novamente estive pensando sobre o livro 1984, de George Orwell. É difícil falar sobre manipulação de massa sem falar de classes sociais, ou vice-versa. Você já parou para pensar que a classe baixa (eu não gosto dessa definição) é que move o mundo financeiro? É o trabalho deles, o esforço deles, o resultado deles - que obtém este resultado muitas vezes sem entendê-lo muito bem, ou sem compreender o que estão fazendo – que faz com que a economia gire. É triste, mas é a realidade.
 
Assim que a Idade Média acabou, e os senhores feudais se foram, uma nova forma de economia e classificação social entrou em vigor: havia os nobres, os burgueses e a classe operária. O nobre era assim chamado não apenas por seu dinheiro e bens, mas por sua origem, seu nome, sua família, sua influência na sociedade da época. Os burgueses lá estavam apenas por seu dinheiro e seu comércio. E a classe operária fazia o trabalho que era necessário para que tudo funcionasse. Sendo assim, era impossível um burguês se tornar nobre, ou um operário se tornar nobre. Havia um abismo entre a nobreza e o resto do povo. Um burguês poderia perder seu dinheiro e seu negócio e se tornar um pobre operário. Um operário poderia receber um bom dinheiro, ou economizar, ou se associar com outros operários e se tornar burguês. Mas nenhum dos dois chegaria a ser um nobre. NUNCA.
Hoje, nos consideramos libertos desta distinção social. Ou pelo menos alguém nos disse que somos iguais. A nossa Constituição afirma isso. A Igreja afirma isso. Mas somos realmente iguais? Estamos realmente livres da distinção social? Não esqueça que estamos falando de ECONOMIA, DINHEIRO, PODER. Somos iguais como seres humanos, e uns são melhores que outros em conhecimento, inteligência e capacidade. Mas na sociedade, há um abismo entre nós e os poderosos. E o pior, é que os pequenos fazem a roda girar para manter a riqueza dos grandes. Isso é assim em todo lugar.
Exemplo: Um poderoso homem de negócios quer enriquecer ainda mais, e faz uma reunião com os CEOs de suas empresas, pedindo mais lucro, mais desenvolvimento, mais retorno. Cada CEO chega em sua empresa e reúne-se com seus gerentes de setor, traçando um plano de vendas ou produção para aumentar os ganhos da empresa. Cada gerente repassa as cobranças aos supervisores de sua área pedindo retorno. Os supervisores implantam o novo plano, e exigem dos TRABALHADORES o retorno esperado: MAIS PRODUÇÃO, MAIS VENDA, MAIS CLIENTES. E quando a classe operária realiza o que foi exigido, muitas vezes por medo de demissão ou de avaliações comprometedoras, o retorno que é obtido atinge quem? O HOMEM DE NEGÓCIOS, e, no máximo, os CEOs. É assim que funciona. E o país caminha da mesma forma. O “povão” é necessário. E quanto mais ignorantes, melhor.
Um povo ignorante não reclama! Um povo ignorante se contenta com churrascos aos domingos, cerveja e mulheres gostosas na TV! Um povo ignorante acha que a vida está ótima quando pode comprar um carro parcelado em 60 vezes e uma geladeira nova parcelada em 12 vezes! Um povo ignorante canta frases repetitivas que falam de sexo e bebedeira, e PENSA que é feliz! E “a nobreza” quer mantê-los assim. Cantando e trabalhando. Enquanto a classe operária puder ter na carteira meia dúzia de cartões de crédito e um carro novo na garagem, está tudo bem. Evitam-se os livros com a televisão, onde políticos falam que o Brasil é agora uma “potência mundial”, e o povo bate palma.
Somos pobres ignorantes, mas ficamos bravos e magoados quando alguém como o Ziraldo se levanta e afirma que somos pobres ignorantes! Não dá pra entender. Nem precisamos de um Grande Irmão, já estamos manipulados, já somos, como diz Zé Ramalho, “povo marcado, povo feliz”! E isso não vai mudar enquanto a “classe baixa” não estiver disposta a abandonar o lixo que chama de cultura, e estudar, progredir, cobrando para si um retorno real, e não um carro parcelado em 60 vezes. A nobreza, a classe alta, quer nos dar um FALSO STATUS, mantendo-nos presos a coisas que compramos sem precisar. Sabem como pensamos, e sabem que, infelizmente, vivemos de aparência. E pra haver uma igualdade de classes, precisamos deixar a aparência de lado, e cobrar o que é nosso. Não precisamos ser milionários, mas queremos apenas o que é nosso por direito, e que no papel é um texto muito bonito, pena que não é verdade.
 
(Mafalda - Quino)

sábado, 31 de outubro de 2009

Máfia


Quem já assistiu "The Goodfather"? Quem lembra da famosa frase de Mike Corleone "Eu passei minha vida toda defendendo minha família"? Quem lembra das influências do poderoso chefão? Das ameaças, dos políticos que comiam na mão dele, dos seus soldados? Quem lembra da sua aproximação com a igreja na tentativa de se redimir? Uma ótima história, um ótimo livro, um ótimo filme. Apesar de todos seus crimes, a história da máfia italiana tem sua beleza e romantismo por tratar-se de um homem defendendo os interesses de sua família. Vito Corleone, interpretado por Marlon Brando, um italiano na América, na terra da oportunidade, um homem que se tornou infuente e poderoso, dono de hotéis, cassinos e prostíbulos, mas que se recusava a vender drogas por considerar isso incorreto...

Hoje observo algo assim se repetindo, uma organização como uma "família", obtendo vantagens, comprando cargos, protegendo seus interesses e membros influentes e eliminando os fracos e todos aqueles que se colocam em seu caminho. Um líder poderoso e economicamente influente, com bons contatos, protegendo aqueles que lhe são úteis. Uma sociedade invisível que não se mostra, mas sente-se a sua força, principalmente quando se está contra ela.
E o pior não é a atuação dessa "máfia", mas sim o local onde ela atua: dentro de outra organização que foi criada para ser o sal da terra e a luz do mundo,dentro da igreja, lugar onde os problemas espirituais, físicos e materiais da humanidade, bem como suas angústias e anseios deveriam ser solucionados, mas hoje somente serve aos interesses dessa "família" que suga as forças e o dinheiro de seus membros.

Don Corleone, quando tentava arrepender-se e consertar seus erros, disse: "A política e o crime são a mesma coisa" e eu digo: "A falsa religião e o crime são a mesma coisa."