Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de março de 2022

Rússia e Ucrânia

Ucrânia

Kiev, a atual capital da Ucrânia, foi o centro do primeiro estado eslavo, criado por um povo que se autodenominava “Rus”, isso em meados do século IX.

Foi a partir deste estado medieval que surgiram a Rússia e a Ucrânia, argumento este utilizado pelo presidente Putin para identificar a Rússia e a Ucrânia como povos irmãos, e que não está totalmente errado. A este estado medieval os historiadores chamaram “Rus de Kiev”.

São Vladimir Svyatolasvich, “O Grande”, consolidou o reino Rus, que se estendia no território que hoje corresponde à Belarus, Rússia e Ucrânia.

A região já foi dominada pelo Império Mongol no século XIII, foi dividida entre o Grão-Principado de Moscou e o Grão Principado da Lituânia no século XIV, e a partir de então, a Ucrânia sofreu influências diferentes relativas a cada dominador. Uma parte da região oeste foi influenciada pela dinastia dos Habsburgo, já a Crimeia teve influência dos povos gregos e tártaros, e teve períodos sob o domínio otomano e russo.

Em 1764, Catarina, a Grande, passou a avançar sobre terras ucranianas que eram dominadas pela Polônia. Com lo século XX veio a revolução russa e a União Soviética, que mexeu novamente com as fronteiras e com a influência sofrida pela Ucrânia.

Isso resume as mudanças e influências que a Ucrânia como povo vem sofrendo ao longo de séculos em busca de identificação e independência, sem falar do sofrimento como Holodomor, a grande fome imposta por Stalin para forçar camponeses ucranianos a se unirem ao regime comunista, e a transferência de soviéticos para a Ucrânia tentando uma dominação cultural.

Quando os nazistas invadiram a Ucrânia, muitas pessoas os tomaram por libertadores, que os libertariam do regime de Stalin, e deram seu apoio às forças alemãs. Hoje ainda existem muitas células neonazistas na Ucrânia, como o Batalhão de Azov, envolvidas diretamente com o Governo da Ucrânia e que foram criadas e armadas pela CIA na Guerra Fria, pois a CIA aproveitou-se deste sentimento de apoio ao nazismo que surgiu durante a Segunda Guerra.

Após o colapso da União Soviética, um tratado entre Rússia e Ucrânia definiram as fronteiras das duas nações, mas as diferenças continuaram existindo no meio do povo ucraniano devido às influências que sofreu sob domínio de tantos povos diferentes, muitos ucranianos desejam retornar ao controle da Rússia, que consideram sua pátria mãe, e outros desejam trilhar o caminho ocidental, abandonando as tradições herdadas da velha Rus de Kiev.

Ucrânia e suas fronteiras

 

Rússia e OTAN

A OTAN surgiu em 1949 com 12 membros iniciais, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Portugal, Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica, Islândia e Luxemburgo, com o objetivo de frear a expansão da União Soviética, a velha história (que é usada ainda hoje por governos autoritários para manter seus eleitores ignorantes) da “ameaça comunista”.

O principal fundamento da Otan é a defesa mútua, não é um acordo comercial ou cultural ou de qualquer outro interesse, é um acordo militar. Com a queda da União Soviética, eu pergunto: por que a Otan ainda existe?

Hoje a Otan possui um número de membros muito maior, e cada membro investe 2% de seu PIB em gastos relacionados à defesa. Desde o fim da União Soviética, a Otan já incorporou a Polônia, a República Tcheca, a Romênia, a Bulgária, a Eslováquia, a Eslovênia, a Estônia, a Lituânia, a Letônia, a Albânia, a Croácia, Montenegro e Macedônia. A Otan se tornou uma ferramenta americana de ameaça contra a Rússia, pois os Estados unidos possuem grande interesse nos recursos da região, principalmente o gás.

Putin, ex-agente KGB, assumiu o comando da Rússia em 2000, e levou 8 anos para consolidar seu poder interno e levantar a Rússia de sua precária situação econômica, mas em 2008 começou a reagir com mão forte para virar o jogo imposto pela Otan.

A Rússia sempre quis criar um cordão sanitário em volta de suas fronteiras para evitar más surpresas, como a instalação de mísseis em áreas próximas, e por isso Putin critica tanto o fim da União Soviética, chamando de “a pior tragédia geopolítica da História”.

Não podemos negar que Putin age como o novo czar da Rússia, e manipula as informações dentro de seus muros, reprime manifestações contra seu governo e influência até mesmo fora de suas fronteiras, como no caso das eleições americanas que levaram Trump ao poder.

 

Estados Unidos

Os Estados Unidos têm influenciado, manipulado, invadido e destruído vários países sempre com a desculpa de proteger os interesses do povo americano ou de levar democracia a outros povos. Seja através da CIA, ou de invasão militar, ou ainda com sanções econômicas e políticas, os EUA perturbam a ordem e a soberania de países que consideram potencialmente perigosos. Mesmo hoje, enquanto criticam a ação da Rússia na Ucrânia, os EUA mantêm forças militares em vários países como Síria, Iêmen, Afeganistão, Iraque, Somália, Líbia e outros.

Também através da CIA os EUA têm fomentado golpes de estado e derrubada de governos democraticamente eleitos, como ocorreu na própria Ucrânia com Viktor Ianukovitch, presidente pró Rússia que foi derrubado depois de intensos protestos e ataques de grupos neonazistas como o Batalhão de Azov, todos fomentados pelos Estados Unidos.

 

A Situação Atual

O que você, leitor, acha que os EUA fariam se a Rússia criasse um pacto de defesa mútua com países como México, Venezuela, Cuba, Brasil, e utilizasse estes países como base de lançamento de mísseis intercontinentais? Os Estados unidos não interfeririam? Eu não tenho dúvidas.

Outra questão é o pacote de sanções econômicas sofridas pela Rússia, e por outros países que por qualquer motivo contrariam os interesses americanos, como Cuba e China. Quando os Estados Unidos invadem países, matam supostos terroristas e apoiam a derrubada de governos legítimos eu não vejo nenhuma sanção econômica sendo imposta. Já ouvi defensores do sonho americano afirmando que os EUA são o centro econômico do mundo e por isso não pode m sofrer sanções. Mas ser o centro econômico do mundo não dá o direito de influenciar ou subjugar outros países de acordo com sua vontade. 

Neste momento a economia russa está sendo estrangulada, as ações do principal banco da Rússia, o Sberbank, caíram 90%. A bolsa está fechada. Os juros foram aumentados. Mesmo assim a Rússia continua fazendo uma guerra de pressão contra a Ucrânia, cansando as defesas ucranianas e ainda sobra fôlego para ameaçar a Finlândia e a Suécia. O presidente da Ucrânia diz que seu exército não está cedendo, mas ao mesmo tempo afunda seus próprios navios com medo de perdê-los para a Rússia. A situação vai se prolongar.

 

Principados de Rus de Kiev

Possíveis Saídas

Mesmo com todas as sanções impostas à economia russa, ainda demora uns seis meses para que o sapato comece a apertar no pé russo. Acredito que seria viável a Ucrânia tornar-se um país neutro, não participando da OTAN. Da mesma forma a Rússia poderia aceitar a participação da Ucrânia na União Europeia, por não se tratar de um pacto de defesa, mas sim econômico. A independência das províncias de Donetsk e Lugansk poderiam ser reconhecidas pela Ucrânia, e um acordo de paz poderia ser assinado.

Ou na pior hipótese, a guerra pode se prolongar até a Rússia quebrar, o que pode fazer com que Putin aperte o cerco antes e force uma invasão total na Ucrânia, sendo que este fato pode acabar forçando também outros países a entrarem militarmente no conflito, enviando tropas, levando a guerra para o patamar mundial, o que na verdade ninguém quer, pois basta um líder “nervoso” escorregar o dedo no botão nuclear num momento de “aposto tudo” e só Deus sabe o que restaria da humanidade.

domingo, 25 de outubro de 2020

O Contrato Social

Você já leu "O Contrato Social", de Rousseau? Ele defendia a liberdade natural do homem, e a instituição da justiça e da paz para submeter tanto o forte quanto o fraco, tanto o rico quanto o pobre. O contrato social seria um pacto legítimo, onde o povo seria o soberano, não o rei. Imagina o incômodo que isso causou a Rousseau, sendo que ele viveu no século XVIII na Europa, onde reinava o poder absolutista...

O pensamento de Rousseau valorizava a verdadeira democracia, a vontade geral do povo, a não manipulação da população. O poder do governo deveria ser limitado à manutenção da igualdade entre todos os indivíduos. 

Segundo Rousseau, a desigualdade social tem origem na noção de propriedade privada, onde cada indivíduo acumula mais e mais numa busca desenfreada de poder e riqueza com o único objetivo de superar e submeter seus semelhantes. É neste processo que o indivíduo se converte em um ser egoísta e individualista, convertendo sua bondade natural, gradualmente, em maldade.

A filosofia de Rousseau explica e expõe muitos defeitos da democracia atual, e até mesmo da situação que nosso país vive nestes dias, pois de acordo com ele, a desigualdade causada por circunstâncias sociais deve ser combatida, pois acaba com a liberdade dos indivíduos, restando no homem somente o culto das aparências. De acordo com Rousseau, a civilização afastou o homem da felicidade.

sábado, 12 de setembro de 2020

O Rei Asoka

 Asoka foi um rei Indiano, neto de Chandragupta, que invadiu Kalinga, ampliando seu domínio Indiano em 255 a.C, e após a invasão, ficou tão enojado com a violência da guerra que decidiu adotar as doutrinas pacíficas do Budismo, afirmando que suas únicas conquistas seriam religiosas.

Seu reinado durou 28 anos, e foi um dos mais brilhantes modelos de adiministração até mesmo para os dias de hoje. Enquanto em pleno século XXI temos presidentes ignorantes de ultra direita que desprezam a ciência e fazem descaso com as necessidades sociais, Asoka, em 255 a.C, criava hospitais pelo país, mandava perfurar poços de água e plantar árvores, ampliando as áreas verdes de seu Império e criava jardins públicos e hortas para o cultivo de plantas medicinais. 

Asoka criou até mesmo um Ministério para a proteção de aborígenes e outras raças desprivilegiadas, implantou um fundo para a educação das mulheres (em 255 a.C!). Favoreceu o desenvolvimento da cultura e enviou missionários educadores para outros lugares, disseminando o conhecimento.

Asoka foi a maior prova de que sempre há possibilidade de desenvolver a educação e a ciência e favorecer o povo. Infelizmente, após sua morte, a casta social privilegiada dos brâmanes (sempre a casta privilegiada), que sempre se opôs aos ensinamentos budistas, suplantou o desenvolvimento da India e desmantelou o país.

O Rei Asoka

domingo, 30 de agosto de 2020

Gerônimo - Uma Lenda Americana

Assistí novamente o filme "Gerônimo - Uma Lenda Americana", de 1993, com direção de Walter Hill. Não quero aqui analisar caracterísitcas técnicas do filme, mas sim a mensagem que nos deixou.

Na expansão americana para o Oeste, os índios navajos foram obrigados a viver em reservas, e mesmo estas não eram respeitadas, pois eram constantemente invadidas pelos brancos, que quando não exploravam a região por causa do ouro, vendiam aos índios bebidas e armas, destruindo sua cultura e tirando-lhes a paz.

Um índio se revoltou contra a imposição dos brancos, e por ter perdido sua esposa e filhos em um massacre da cavalaria americana, se recusou a ir para as reservas, tornando-se a dor de cabeça do general Crook Charles. Seu nome era Goyahkla, ele lutou contra o exército americano e mexicano, escapando de diversas capturas. Conta a lenda que ele foi chamado de Gerônimo devido aos gritos dos mexicanos quando fugiam de seus ataques: "Valha-me, São Gerônimo!".

Ele se rendeu em setembro de 1886 às tropas do general Nelson Miles no Arizona, e nunca retornou à terra onde nasceu, pois morreu na prisão em 1909. 

O México e os EUA sempre acusaram Gerônimo de massacrar americanos e mexicanos, mas se esqueceram prontamente da destruição dos povos navajos causada pela ganância dos desbravadores do Oeste. O homem branco decidiu que era superior aos índios, e dizimou o povo indígena e sua cultura. 

O texto abaixo, parte do filme, demonstra em poucas linhas o sentimento de tristeza e derrota do povo navajo, que não merecia o fim que teve, assim como todos os demais índios das Américas Central e do Sul, com toda sua riqueza e cultura, que o homem branco, em sua ignorante ganância, destruiu ao longo dos anos:

“Ninguém sabe por que o Deus único deixou homem branco tirar nossa terra.

Por que eles tinham que ser tantos?

Por que tinham tantas armas, tantos cavalos?

Por muitos anos o Deus único me fez guerreiro.

Nenhuma arma, nenhuma bala me matou.

Era esse o meu poder.

Agora o meu tempo acabou.

Agora talvez o tempo do nosso povo tenha acabado.”

- Gerônimo.


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Democracia em Vertigem

Petra Costa, a jovem cineasta brasileira de 36 anos, elevou o nome do Brasil - ao contrário de nossos governantes que nos envergonham diante do mundo - com seu filme Democracia em Vertigem, que foi indicado ao Oscar 2020 de Melhor Documentário de Longa Metragem.

(Petra Costa)

O filme, que teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance em 24 de janeiro de 2019, e na Netflix em 19 de junho de 2019, mostra a traição cívica que derrubou Dilma, além de abranger também o governo Lula. O roteiro contou com a consultoria do jornalista Eduardo Bueno, um grande conhecedor da História do Brasil, que compartilha seu conhecimento e alfineta ignorantes através do canal Buenas Ideias.

Petra Costa abrange todo este processo de um ângulo bem pessoal, mas mesmo assim mostra toda a maquinação política por trás da derrubada de um governo democraticamente constituído, expondo as manipulações e jogadas desonestas de senadores e deputados.

A cerimônia do Oscar ocorrerá em 09 de fevereiro em Los Angeles, e torcemos para que Democracia em Vertigem obtenha o Oscar, mas concordamos que somente a indicação já é motivo de orgulho, pois o documentário expõe a crise política na qual nosso país encontra-se mergulhado.

sábado, 9 de novembro de 2019

30 Anos da Queda do Muro de Berlim

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha - bem como o mundo todo - foi dividida em zonas de influência soviéticas e americanas. Comunismo e Capitalismo. Havia a República Democrática Alemã, pertencente aos russos, e a República Federal da Alemanha, pertencente ao bloco Ocidental. O problema é que Berlim ficava na parte oriental da Alemanha, que coube aos soviéticos...

Para resolver a questão, e evitar o contato entre capitalismo e socialismo, os líderes Walter Ulbricht e Nikita Kruschev construíram um muro dividindo Berlim. A construção começou em 1961, e ficou pronto em dois anos.

Uma curiosidade: o presidente russo, Vladimir Putin, na época era um oficial da KGB e trabalhava na Alemanha Oriental.

Com a mudança do modelo econômico na URSS a partir de 1980, e a falha das medidas econômicas conhecidas como Glasnost e Perestroika, o modelo comunista começou a desmoronar, e a queda foi inevitável.

Junto com a velha URSS, caiu também o muro. Na verdade, foi derrubado: em 09 de novembro de 1989, cidadãos de ambos os lados de Berlim, munidos de martelos e outras ferramentas, puseram abaixo várias partes do muro. No ano seguinte, ocorreu a reunificação da Alemanha, e a divisão acabou.

(algumas partes do muro ainda são mantidas em pé, como memorial histórico)

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Diário de Guantánamo

A jornalista Mahvish Rukhsana Khan relata neste livro as atrocidades que o Governo americano cometeu contra os presos em Guantánamo, uma prisão para “terroristas”. Sim, há terroristas em Guantánamo, mas a grande maioria dos presos são pessoas comuns, que viviam suas vidas comuns no Oriente Médio: médicos, professores, jornalistas, pastores de ovelhas, dentistas. E por que estão lá? Porque foram entregues por pessoas de mau caráter, por parentes que não gostavam deles, por pessoas que deviam a eles e os entregaram como conspiradores para que não precisassem pagar suas dívidas, ou simplesmente porque o governo americano, através de seus militares, considerou que fossem ameaças…

Como pode um homem de 80 anos que não pode caminhar ser considerado uma ameaça pelo governo dos EUA? Sim, haviam presos idosos e doentes que foram torturados e tiveram sua liberdade negada pelos EUA. 
Graças a Mavish e uma equipe de advogados americanos, alguns deles puderam recorrer e lutar por justiça, sobrevivendo à tirania do governo americano e retornando às suas famílias.

Um livro indispensável para que quer conhecer o lado negro do imperialismo americano.


domingo, 7 de abril de 2019

Fascismo e Nazismo

Atualmente se discute muito sobre a origem do fascismo e do nazismo, e muito do que se fala não tem embasamento histórico. Foi pensando nisso que resolvi esclarecer de vez as origens dessas duas malditas ideologias que tanto prejudicaram os povos submetidos a elas e tantas mortes causaram na história da humanidade.

O FASCISMO surgiu na Itália, no início da década de 1920, quando vários problemas - principalmente de ordem econômica - ocorriam no país. A Itália, apesar de ser um dos países vencedores da Primeira Guerra Mundial, enfrentava sérias dificuldades sociais e econômicas.

A Itália era governada pelo rei Vitor Emanuel III e seu Primeiro Ministro Giolitti. Benito Mussolini era do Partido Socialista Italiano, mas foi expulso quando apoiou a entrada da Itália na Primeira Guerra. NESTE MOMENTO, VOCÊ, EXTREMISTA DE DIREITA, PODE PENSAR QUE O FASCISMO VEIO DO COMUNISMO, MAS CALMA, A AULA AINDA NÃO ACABOU.

Após ser expulso do Partido Socialista Italiano, Mussolini criou uma organização paramilitar que, após o fim da Primeira Guerra, obteve apoio de ex combatentes. Esta organização era chamada Fascio de Combatimento. Daí surgiu o Partido Nacional Fascista, que promoveu a Marcha Sobre Roma em 26 e 27 de outubro de 1922, cujo objetivo era forçar o rei Vitor a indicar Mussolini como primeiro ministro. No dia 30, o rei cedeu às pressões fascistas e encarregou Mussolini de "reorganizar" o país.

Em 1925 o fascismo já se mostrava ditatorial, e criou o sindicalismo corporativista - não porque se importasse com os trabalhadores, mas para controlá-los. Mussolini assumiu o título de Duce e conduziu a Itália à Segunda Guerra Mundial. Importante lembrar que o rei Vitor Emanuel III continuava vivo,mas era apenas uma sombra, deixando todas as decisões políticas nas mãos do Duce.

Objetivos do fascismo:

- Patriotismo e exaltação da Itália;

- Obediência cega ao Duce;

- Cerceamento da liberdade civil;

- DERROTA DOS MOVIMENTOS DE ESQUERDA.

(Faixa exposta no primeiro discurso de Hitler em 1933 onde se lê "Faça a Alemanha livre do Marxismo!")

O NAZISMO surgiu na Alemanha, tendo herdado muitos aspectos do fascismo italiano. Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha enfrentou grave crise econômica com inflação altíssima, o que facilitou a revolta da classe média e também dos trabalhadores alemães. 

Havia um pequeno grupo, conhecido como Partido Trabalhista Alemão, criado por um mecânico ferroviário, ao qual Hitler se juntou em 1919. Na verdade, Hitler entrou para o partido para "acompanhar" o desenvolvimento do mesmo e informar os militares sobre o que acontecia nas reuniões. Era uma espécie de espião.

Hitler foi se interessando realmente pelo lado político "da coisa" e com sua oratória inflamada, em 1920 já era a principal figura do partido, e começou a distorcer os ideais e transformar o grupo. O capitão Ernest Roehm incorporou ao partido grupos paramilitares, as SA - seções de Assalto. Hitler mudou o nome do partido para Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. O programa do partido desprezava estrangeiros, denunciava judeus, marxistas, comunistas, ciganos, poloneses e minorias, e prometia trabalho e o fim das reparações de guerra.

Hitler e seu grupo tentaram um golpe em Munique, em 1923, mas falharam. Hitler foi preso e escreveu Mein Kampf (Minha Luta) na prisão. Hitler cumpriu somente oito meses de sua pena, e ao sair, reorganizou e aprimorou o partido, criando estruturas hierárquicas e administrativas. Além das SA já existentes, criou as SS (brigadas de segurança) e também um jornal.

Hitler se tornou chanceler da Alemanha, ficando abaixo somente do presidente Von Hindenburg. Em 1933 o Parlamento Alemão foi incendiado e Hitler atribuiu o incêndio aos comunistas, exigindo de Hindenburg mais poder para "combater os comunistas". Em 1934 Hindenburg faleceu e Hitler tomou para si o posto de presidente, chamando a si mesmo de Führer (líder), e o governo tornou-se totalitário. O nazismo era racista, xenófobo, extremista, totalitário, violento, anticomunista e apresentava um patriotismo exagerado.

Apesar de também criticar o capitalismo, Hitler passou a receber apoio financeiro de empresas e da burguesia de extrema direita, a elite da época, que temia o avanço do partido comunista alemão e a perda de seus privilégios. 

Hitler conduziu a Alemanha à destruição e à vergonha com a Segunda Guerra Mundial, e suicidou-se para não cair na mão dos russos quando estes tomavam Berlim, no fim da Segunda Guerra Mundial.

Obs.: Há uma história que sempre reaparece na internet sobre um broche alemão de comemoração ao dia do trabalho, onde uma águia segura uma foice e um martelo. Este broche é citado pelos eleitores de extrema-direita (e extrema ignorância) como suposta prova de que o nazismo era de esquerda. A verdade é que o broche foi criado em comemoração ao dia do trabalho em 1933, no qual Hitler queria ganhar o apoio dos trabalhadores e controlá-los também, evitando as diversas manifestações operárias que já ocorriam em toda a Alemanha. Enquanto o símbolo comunista usa a foice e o martelo cruzados, o broche alemão mostrava a águia nazista segurando a foice e o martelo, controlando a classe trabalhadora do campo (a foice) e a classe trabalhadora da cidade (o martelo). Logo após a comemoração do dia do trabalho em 1933, Hitler intensificou as perseguições aos sindicatos e desmontou todas as organizações operárias.



Bibliografia:

A Chegada do Terceiro Reich - Richard J. Evans
As Origens do Totalitarismo - Hanna Arendt
O Carisma de Adolf Hitler - Laurence Rees

LINKS INTERESSANTES:

TRECHOS DE DISCURSOS DE HITLER, ONDE ELE CRITICA OS MOVIMENTOS DE ESQUERDA

BIBLIOTECA DO EXÉRCITO - NAZISMO É DE EXTREMA DIREITA

NAZISMO - MOVIMENTO DE EXTREMA DIREITA

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A Imposição da "Democracia" Norte Americana.

Você já percebeu como os norte americanos são preocupados com a democracia em outros países? Sempre que há um "ditador" comandando algum país, logo os EUA começam a impor sanções com a desculpa de derrubar governos mal intencionados, "comunistas". E assim que o país está quebrado economicamente, as tropas norte americanas invadem com para "derrubar o ditador" e "impor a democracia". Que povo maravilhoso, que se preocupa com as nações que sofrem, não? 

NÃO!

O governo norte americano não está preocupado com nenhum outro povo, e às vezes não se preocupa nem mesmo com seu próprio povo, pois envia jovens para a morte em vários lugares do planeta.

O governo norte americano não se importa se um país é regido por uma ditadura ou por um governo democrático. Não se importa se as pessoas estão sem emprego ou com fome. Não se importa se o governo é comunista, fascista, de direita, esquerda, centro ou de qualquer outra ideologia. O governo norte americano se importa com DINHEIRO, PETRÓLEO, RECURSOS MINERAIS E NATURAIS. 

Trump alega querer ajudar a Venezuela, enquanto barra a entrada de alimentos  e remédios. Se ele quisesse mesmo ajudar o povo venezuelano, enviaria remédios e alimentos. Mas ao contrário disso, os norte americanos querem quebrar a Venezuela para depois tomar-lhes o petróleo. Eles invadem com a desculpa de derrubar o governo de Maduro, criam um governo provisório, mandam suas empreiteiras reconstruírem o que eles mesmo destruíram, e roubam o petróleo com alguma desculpa esfarrapada. Foi assim no Iraque, exatamente assim. Não havia armas de destruição em massa. Nunca houve.

Em 1846, os EUA invadiram o México e anexaram o Texas, por causa do ouro que havia lá.

Em 1906, os EUA invadiram CUBA para combater o povo, durante as eleições.

Em 1912, os EUA invadiram a Nicarágua com a desculpa de combater guerrilheiros e ficaram no país por 20 anos.

Em 1915 tropas norte americanas invadiram o Haiti e transformaram o país numa colônia por 19 anos, esgotando seus recursos. A pobreza que se vê hoje no Haiti é culpa dos norte americanos.

Em 1919, os EUA invadiram Honduras, colocando no poder um governo fantoche.

Em 1925, os EUA invadiram o Panamá para combater uma greve de trabalhadores.

Em 1954 os EUA invadiram a Guatemala, derrubaram o governo de Jacobo Arbenz, eleito democraticamente, e impuseram uma ditadura militar a seu serviço.

Em 1961 invadiram novamente Cuba, mas aí foram rechaçados.

E houveram outras invasões nestes mesmos países por vários anos, e também em outros lugares, como El Salvador, Porto Rico, Granada, Bolívia, Hawaí, Paraguai, Chile, Venezuela, Equador, BRASIL (através da CIA, os EUA apoiaram o golpe de Castelo Branco), isso sem falar  no Oriente Médio, no Vietnã, e tantos outros lugares. E em todos estes lugares os EUA exploraram o povo e roubaram recursos com desculpas esfarrapadas.

Entrar em um país e sequestrar seu presidente conduzindo-o à forca ou à prisão é crime contra a soberania do país. Se ilude quem acha que os Estados Unidos estão preocupados com os demais países. Tudo é interesse e ambição. E se for preciso matar uma população inteira para extrair recursos, os norte americanos farão isso.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Jobs e Danielle Miterrand

Jobs mudou o mundo? Mudou. Influenciou positivamente a tecnologia? Claro. Mudou nosso dia-a-dia? Também. Merece respeito? Sim. Mas sabemos que o homenzinho não era fácil.

Certa vez, Danielle Miterrand (esposa do presidente francês François Mitterrand) visitou umas das fábricas da Apple convidada por Steve Jobs. O intérprete era Alain Rossmann. Jobs, que tinha convidado seu pai anteriormente para uma visita em sua nova fábrica, e ficou feliz em perceber que seu pai gostou realmente do que viu - pois seu pai era meticuloso e perfeccionista como ele - tentava descrever os aspectos tecnológicos e a robótica avançada para Danielle. Falou da produção just in time, da automação, da capacidade de produção... 

Mas Danielle começou a perguntar sobre as condições de trabalho na fábrica, sobre o pagamento de horas extras, sobre o fato de o trabalho ser pesado ou não e sobre os períodos de férias. Isso irritou profundamente Jobs, que olhando para o intérprete, disse: "Se ela está tão interessada no bem-estar dos funcionários, diga-lhe que pode vir trabalhar aqui a qualquer hora." Alain empalideceu, olhou para Danielle e disse: "O Sr. Jobs agradece sua visita e seu interesse pela fábrica." 

Nem Danielle nem Jobs ficaram sabendo o que realmente tinha acontecido, mas o intérprete sentiu um grande alívio. Jobs ficou tão furioso que entrou em seu carro e saiu da fábrica partindo pela estrada a 160 quilômetros por hora. Para irritar um capitalista, basta falar sobre o bem-estar de seus funcionários...



domingo, 27 de novembro de 2016

Morre Fidel Castro, líder cubano

Antes que comecem a me criticar - pois já fui chamado de petista, comunista, socialista e etc - quero lembrar que não sou da turma do "morreu, virou santo". Fidel era um ditador comunista e como todo ditador que se preze, matou muita gente, torturou muita gente, censurou a imprensa e mentiu muito (o que políticos de direita também fazem muito bem).

Ele nasceu em 13 de agosto de 1926 em Birán e morreu em Havana na noite de 25 de novembro deste ano. Admirava Marx e Lênin e acabou com a ditadura do Batista, que fugiu em 1º de janeiro de 1959. Interessante lembrar que Fulgêncio Batista era apoiado pelo governo americano, e por isso estava "tudo certo". Fidel tomou o poder, nacionalizou as indústrias, eliminou as dissidências e instalou um governo socialista autoritário unipartidário. Criou novas leis, dentre elas a lei da reforma agrária, melhorou a saúde e a educação, enfim, fez coisas que capitalistas não gostam.

Cubanos nos EUA comemoraram a morte de Fidel. Não sabem eles como Trump os ama. Brasileiros de esquerda elogiam Fidel. Brasileiros de direita comemoram sua morte. Vejo a morte de um líder, um líder cruel, um ditador comunista, mas um líder. Já fui criticado no twitter por chamá-lo de líder, mas estou avaliando-o não como exemplo de ser humano, mas como LÍDER.

Li em alguns sites listas de crimes de Fidel, e - por mais absurdo que isto seja - incluíram em seus crimes o fato de " tornar Cuba uma colônia da Rússia" e "quase causar uma guerra mundial nuclear". O mais triste é que o autor da matéria é um historiador. Gostar da Rússia agora é crime? Vejo o governo russo como um mal necessário, alguém que freia os EUA em sua ambição desmedida. O governo americano mete o bedelho em todos os países do mundo. Agentes dos EUA influenciam, torturam, matam, mentem, espalham boatos, criam protestos, derrubam governos e mandam nos países pobres, e ninguém chama isso de autoritarismo. Até a campanha para desacreditar Getúlio Vargas, o que culminou em sua morte, foi influenciada pela CIA. Os EUA quase causaram guerras mundiais nucleares em vários lugares do mundo (sem falar de Hiroshima e Nagasaki). Há postos militares americanos em todos os cantos do planeta, mas isso ninguém percebe. Se a Rússia não existisse, imagina quão maior seria a influência dos EUA em seu imperialismo econômico, cultural e político.

Fidel nos tempos da guerrilha

O mundo não estava preocupado com quem Fidel torturou ou matou. O mundo estava preocupado com o fato de Fidel ser um amigo da Rússia e estar ali na porta dos fundos dos EUA. Ouvi líderes de países dizendo que o socialismo não funcionou em Cuba. E o capitalismo funciona no mundo? Para a minoria rica e proprietária dos grandes conglomerados funciona. Para a classe média iludida com carros do ano funciona. Para os jovens que chamam de "objetivo de vida" uma existência baseada em aparência e status, funciona. Eu gostaria de saber quem se importa com a mão de obra praticamente escrava que produz a tecnologia do mundo, quem se importa com os braços cansados que produzem nossos alimentos numa terra que não é sua. Quem se importa? Alguém se importa com as crianças feitas soldados nas guerras civis da África? Com o refugiados árabes? Com as minorias étnicas? Alguém se importa? É ignorância pensar que o capitalismo funciona. Aceitamos e vivemos num mundo capitalista porque não temos escolha, não mandamos no mundo, não mandamos sequer em nossas vidas e nunca mandaremos. O socialismo não funcionou. O comunismo não funcionou. Talvez, se fosse feito exatamente o que Marx pensou, teríamos um mundo diferente, mas ninguém compreendeu. E não são os sistemas econômicos o problema, mas os seres humanos gananciosos que comandam os países.

Fidel morreu, e com ele morreu uma era de lutas contra o imperialismo americano. Um líder, um criminoso, um lutador, um ditador assassino. Sem ele, Cuba seria hoje um outro Haiti, uma colônia americana produtora de açúcar, destruída pelo tráfico de drogas. Alguém se importa com o Haiti? Há muitos ditadores por aí, eles apenas não usam esse título. Há muitos assassinos que usam a mão de agentes secretos para cometerem seus crimes. Há muitos criminosos comandando países poderosos, eles usam terno e gravata em lugar de uniformes militares.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão - um pouco de História

Entre 1789 e 1799 ocorreu na França um movimento que levantou-se contra a monarquia absolutista e os privilégios das classes feudais e aristocráticas do país. Este movimento ficou conhecido como Revolução Francesa. Alguns nobres influentes (como acontece sempre) sustentaram ataques de grupos políticos radicais e influenciaram o povo pobre, a massa das ruas e os camponeses para sublevar-se e combater a monarquia francesa, na figura do rei Luis XVI. O movimento assustou as cortes de outros países da Europa, que resolveram tomar medidas para que não ocorresse em seus países o que havia começado na França. 

Em junho de 1789 enquanto a monarquia se reunia para tentar encontrar soluções para a crise, onde o rei resolveu que a saída plausível seria a cobrança de novos impostos, ocorreu o Juramento do Jogo da Péia, que recebeu este nome por ser realizado no "Salão do Jeu de Paume" pelos representantes do povo, os deputados. O rei havia fechado a Assembleia, então o povo, a burguesia, o baixo clero, e os trabalhadores e pequenos proprietários (sans-culottes) revoltaram-se. Influenciado pelos ideais iluministas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, o Terceiro Estado - como era denominada a classe inferior - liderado pela burguesia, criou uma nova Guarda Nacional.

Depois da primeira chama, a monarquia ruiu. Veio então a Tomada da Bastilha em julho e a Marcha Sobre Versalhes em outubro, praticamente prendendo a família real. Em setembro de 1792 foi proclamada a Primeira República Francesa e o rei Luis XVI foi executado em 1793.

(execução do rei Luis XVI)

Infelizmente, com a ascensão dos jacobinos (extrema esquerda) ao poder, e o surgimento de Maximilien Robespierre, iniciou-se na França uma espécie de ditadura, culminando no Reino do Terror entre 1793 e 1794, onde mais de vinte mil pessoas foram executadas ou mortas nos combates. Trocaram o rei por uma ditador louco que acabou sendo vítima de seu próprio estado de terror, guilhotinado em 28 de julho de 1794. 

Em 1795, o Diretório (Poder Executivo que comandou a França nesse período, exercido por cinco membros, os Diretores) assumiu o país, e manteve o poder até 1799, quando Napoleão Bonaparte, Jean Jacques Régis de Cambacérès e Charles-François Lebrun assumiram o controle da França, sendo este grupo denominado "O Consulado". Mas isso já é outra história...

Um documento importante criado durante a Revolução Francesa, e que veio a servir de base para outra declaração feita pela ONU, é a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Inspirada nos pensamentos iluministas e nos ideais da Revolução Americana e aprovada em 26 de agosto de 1789, o documento trata do que deveria ser o princípio de uma nação justa, onde seu povo tivesse a garantia de seus direitos e o acesso real a uma vida mais justa. Deixando de lado a utopia, o texto vale a leitura:

"Os representantes do povo francês, reunidos em Assembléia Nacional, tendo em vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.

Em razão disto, a Assembléia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a égide do Ser Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidadão:

Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.

Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à opressão.

Art. 3º. O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.

Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.

Art. 5º. A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.

Art. 6º. A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.

Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.

Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.

Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.

Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.

Art. 11º. A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem. Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.

Art. 12º. A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. Esta força é, pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.

Art. 13º. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.

Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.

Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.

Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.

Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização."

terça-feira, 12 de abril de 2016

Chega de Princesas!

Não quero aqui defender movimentos feministas radicais ou afirmar que a mulher é mais importante que o homem. Na verdade, ninguém é mais importante que ninguém. Mas um termo que me incomoda bastante é "princesa". Essa palavra, que virou adjetivo utilizado por mães bobas e rapazes mal intencionados foge completamente do que ela representa. Culpa da Disney? Também.

Princesa era a filha do rei na Idade Média, e ao contrário do que se imagina, o fato de ser filha de um rei não tornava a jovem princesa mais importante que as demais. A princesa era importante unicamente para seu pai, o rei, que a usava como moeda, como uma maneira de criar alianças e fortalecer reinos e impérios. Se um rei tinha vários filhos, ótimo, não faltariam herdeiros ao trono. Mas se ele tinha várias filhas, tinha várias chances de cedê-las como esposas a outros reis, criando alianças. Às vezes, jovens de 15 anos eram entregues como esposas a reis velhos de 60 anos ou mais, apenas como garantias de negócios entre reinos diferentes. O quarto da jovem servia como uma espécie de cela, onde ela ocupava-se com afazeres, quando não estava estudando, para tornar-se uma jovem esposa atraente para seu futuro marido, que negociava  o casamento com o pai da jovem.

Numa história relatada por Bernard Cornwell, um rei, ao saber que sua filha - que havia sido entregue como esposa a outro rei - foi assassinada por seu marido que desconfiava de sua fidelidade, apenas disse: "Não tem problema, tenho mais filhas".

A vida que uma princesa levava difere muito do que é contado hoje em bonitas histórias e filmes. A mulher na Idade Média era humilhada, era objeto de posse de seu esposo. Claro que haviam exceções, mas isso não justifica tratarmos alguém por "princesa" achando que isso é um elogio. Tenho uma filha, que é inteligente, dedicada, bonita, persistente. E ela poderá tornar-se uma jovem competente, capaz, responsável, independente, mas nunca será uma princesa. Nunca a chamarei de princesa e nunca vou admitir que outros a classifiquem assim. O tempo das princesas "moedas de troca" e submissas acabou.

domingo, 27 de março de 2016

Sabedoria de Adam Smith para os dias atuais

O texto a seguir foi baseado na conclusão do compêndio "A Riqueza das Nações", de Adam Smith, traduzido e elaborado por Bento da Silva Lisboa, e, em tempos de crise política e econômica, nunca foi tão atual:

"Há três grandes ordens que constituem a sociedade:
- Os proprietários de terra que vivem de suas rendas (comerciantes e pequenos empresários de hoje);
- Os trabalhadores que vivem de seus salários;
- Os capitalistas que vivem do proveito de seus capitais (grandes empresários, multinacionais e investidores).

O interesse da primeira ordem é ligado com o interesse geral da nação, ligando-as. Quando se faz deliberação pública relativa a alguma regulação de comércio e política, os proprietários de terra que tiverem influência na legislação não se devem iludir, tendo em vista promover o interesse de sua ordem. Muitas vezes são destituídos de conhecimentos competentes por ser a única das três ordens cujo rendimento não lhes custa trabalho. A indolência, que é o natural efeito da fartura, também os faz muitas vezes não só ignorantes, mas até incapazes da aplicação de espírito que é necessária para prever e entender as consequências dos regulamentos públicos.

O interesse da segunda ordem também é ligado com o interesse da nação, pois o salário do trabalhador aumenta se há aumento na demanda de mão de obra. Quando a riqueza da nação é estacionária, o salário se reduz ao que apenas chega para poderem sustentar a família e FAZEREM CONTINUAR A RAÇA DE CADA SORTE DE OBREIROS NECESSÁRIA À NAÇÃO. Quando a riqueza declina, tais salários caem abaixo desta cota. É a ordem que mais padece com a declinação da riqueza nacional. Mesmo sendo seu interesse ligado com o interesse da nação, são incapazes de compreender tal interesse, pois sua condição não lhes deixa tempo para adquirir a instrução necessária, e sua educação é tão básica que os impede de julgar até mesmo o que conhecem do dia-a-dia. OS QUESTIONAMENTOS DA SEGUNDA ORDEM NUNCA SÃO OUVIDOS, EXCETO EM ALGUMAS OCASIÕES QUANDO O SEU CLAMOR É ANIMADO, INFLUÍDO E SUSTENTADO PELAS PESSOAS QUE OS EMPREGAM E NÃO PELO REAL INTERESSE DOS MESMOS TRABALHADORES.

A terceira ordem, que emprega o capital em proveito próprio, põe em movimento toda a nação. Os SEUS planos e projetos dirigem TODAS AS MAIS IMPORTANTES OPERAÇÕES DE TRABALHO e o fim que eles têm em vista é apenas SEU PRÓPRIO PROVEITO. Esse proveito é naturalmente baixo em países ricos, e muito alto em países pobres. E É SEMPRE MAIS ALTA NOS PAÍSES QUE CAEM RAPIDAMENTE NA RUÍNA. O INTERESSE DA TERCEIRA ORDEM, PORTANTO, NÃO É LIGADO DE MANEIRA NENHUMA COM O INTERESSE DA NAÇÃO, APENAS USANDO-A EM BENEFÍCIO PRÓPRIO. A terceira ordem tem mais inteligência e agudeza que as outras duas ordens e seu juízo diz respeito apenas ao que é conveniente a eles mesmos. Por isso, propostas de lei que vêm desta ordem devem ser atendidas com grande precaução, pois a terceira ordem tem apenas a intenção de ENGANAR E OPRIMIR AS DEMAIS, EM SEU PRÓPRIO PROVEITO."

Adam Smith

Coincidência com os dias atuais? Não acredito em coincidências.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A Vida é Bela - Uma Lição

Em 1997, surgiu o filme La Vita é Bella, um filme italiano dirigido e protagonizado por Roberto Benigni. Com música de Nicola Piovani, fotografia de Torino Delli Colli, direção de arte e figurino de Danilo Donati e edição de Simona Paggiesta esta obra ganhou o Oscar nas categorias melhor filme estrangeiro, melhor ator protagonista e melhor trilha sonora. Não podemos esquecer a brilhante atuação de Giorgio Cantarini como o menino Giosué. 

Na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, o judeu Guido é enviado a um campo de concentração junto com seu filho Giosué, que é ainda uma criança. Guido é um homem simples, inteligente e bem humorado, que resolve com determinação e amor fazer com que seu filho acredite que eles estão participando de um jogo, evitando que o menino perceba os horrores da guerra e a terrível situação em que se encontram.

Abaixo há um trecho do filme, onde Guido traduz com bom humor ordens estritas dos nazistas, fazendo o menino divertir-se em meio a uma situação tão preocupante. O filme foi aclamado pela crítica, e além do Oscar, recebeu vários prêmios e foi indicado a muitos outros.

Nas palavras dos próprios críticos, "esta história oferece a possibilidade de esperança em face do horror inabalável." 

domingo, 5 de julho de 2015

A História Amarga do Açúcar

Por volta de 327 a. C durante as campanhas de Alexandre Magno na Índia, chegaram à Europa notícias sobre a existência de “uma espécie de bambu que produzia mel sem intervenção de abelhas, servindo também para preparar uma bebida inebriante” (historiador português Henrique Parreira).

A Saccharum officinarum, espécie de cana dominante no mundo, é uma gramínea originária da região onde hoje é Papua Nova Guiné, zona tropical do Oceano Pacífico, onde foi domesticada por populações tribais há mais de 7 mil anos, de onde se propagou para a Índia e China. No século III fabricava-se na China, a partir da cana, um produto identificado pelos ideogramas “pedra” e “mel”.

Quando começou a ser cultivada no Brasil, a cana tornou-se símbolo do desmatamento e da mudança econômica da colônia portuguesa. Em seu livro Nordeste, de 1937, Gilberto Freyre descreve bem a entrada da cana na região:

“Um conquistador em terra inimiga, matando as árvores, secando o mato, afugentando e 
destruindo os animais e até os índios, querendo para si toda a força da terra”.

Em 1570, havia apenas 60 engenhos no Brasil, e em 1630, já eram 350, produzindo mais de 20 mil toneladas de açúcar por ano. Havia um dito popular que explicava a situação da colônia: 

“Sem açúcar não há Brasil, sem escravidão, não há açúcar, sem Angola, não há escravos”.

Ilustração: Engenho de açúcar no Brasil no século XVII

A floresta tropical nativa, aos olhos dos produtores, era apenas um estorvo à produção do açúcar, que tornou-se moeda, commodity, lucro inigualável na mão dos senhores do engenho, e causa principal da escravidão. Para cada quilo de açúcar, quinze quilos de lenha era consumidos, e das árvores da floresta provinham até mesmo as caixas para seu transporte.

Ainda hoje, com o “desenvolvimento do comércio nacional e internacional do biocombustível”, confundem-se as palavras “desenvolvimento” e “desmatamento”, e o ciclo da cana-de-açúcar continua, com destruição “legalizada” de florestas em nome do progresso, e formas de trabalho em regime de semiescravidão. O doce do açúcar é suplantado pelo que nos conta a história amarga de anos de escravidão, desflorestamento, doenças causadas pelo consumo excessivo associado ao crescimento epidêmico de doenças como diabetes, obesidade e cáries dentárias, tudo isso em nome do “progresso econômico”.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

As Estátuas que Caminham - Os Moais

O mistério dos Moais, as famosas estátuas da Ilha da Páscoa - um pedaço de terra chilena na Polinésia com 24 km de comprimento por 12 km de largura. Quem as construiu? Quem as transportou?

São 887 estátuas gigantes de pedra construídas por volta de 1200 a 1500 pelos alienígenas Rapanui.

As cabeças dos Moais tem cilindros de pedra de até 12 toneladas, representando "penteados" usados por algumas tribos. Os moais representam reis, guerreiros e sacerdotes que se destacaram na cultura do povo da ilha. 

Um grupo de cientistas e estudantes recriaram o transporte dos Moais, o que era um mistério, já que as estátuas eram construídas próximas à cratera de um vulcão - onde a rocha era mais maleável devido ao calor - e transportada para os altares da costa por alienígenas a 10 quilômetros de distância.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Liechtenstein

Este belo país está localizado no centro da Europa, encravado nos Alpes, entre a Áustria e a Suíça. É um dos países mais prósperos do mundo, e - acreditem - está na lista dos menos visitados. Apesar de seu pequeno tamanho (160 km²), não fica devendo nada a outros locais turísticos do mundo.


O Principado de Liechtenstein (nome oficial) possui aproximadamente 35 mil habitantes e desde o século XV é comandado pela mesma família. Fazia parte do Sacro Império Romano Germânico até 1806, e por este motivo, o idioma oficial é o alemão. 


É um país altamente industrializado, com uma forte e livre economia. Também produz vinho, trigo, aveia, centeio, milho e diversas frutas. O PIB por habitante é de 176 mil francos suíços (R$ 550.880,00). Não há analfabetos e o Governo mantém um sistema de saúde altamente tecnológico e eficaz. Sua capital é Vaduz (foto abaixo).


Um lugar pra ser visitado. Um país pequeno e moderno com um coração medieval.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Carta de Gandhi para Hitler

Na imagem abaixo,uma carta escrita por Gandhi, e endereçada a Hitler. Nela, Gandhi pedia a Hitler que evitasse a guerra que poderia reduzir a humanidade a um estado selvagem, afirmando que o Fuhrer era a única pessoa que poderia evitar essa guerra. Infelizmente, a carta nunca chegou ao seu destino, pois foi interceptada pelo governo britânico. Talvez, o apelo do pacifista tivesse mudado a história, e impedido a morte de tantas pessoas...



Abaixo, tradução livre da carta:

Índia, 23 de julho de 1939


"Querido amigo,

Amigos têm insistido que eu lhe escreva para o bem da humanidade. Mas eu tenho resistido ao pedido deles, pois sinto que qualquer carta escrita por mim seria uma impertinência. Algo me diz que eu não devo hesitar e devo fazer meu apelo, pois talvez ele tenha alguma utilidade.

Está claro que hoje você hoje é a única pessoa no mundo que pode evitar uma guerra capaz de reduzir a humanidade a seu estado mais selvagem.   

Devemos pagar esse preço por algo, por mais valioso que lhe pareça? Você vai ouvir o apelo de alguém que deliberadamente deixou de lado métodos de guerra e obteve considerável sucesso? De qualquer forma, peço desculpas antecipadamente, caso tenha errado em escrever para você.

Permaneço seu amigo, 

M. K. Gandhi"