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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Exorcismo

Subsídio Doutrinal nº 9 - "Exorcismos: Reflexões Teológicas e Orientações Pastorais". Este é o título de um documento publicado recentemente pela CNBB - Comissão Nacional dos Bispos do Brasil. O documento é um material breve, conciso e embasado teologicamente afirmando a existência do demônio e sua ação neste mundo, e pede que os bispos escolham um exorcista para cada Diocese.

Ficou assustado? Acredito que não. Pouca gente fica assustada ao ouvir falar do Diabo, pois a moral dele anda muito baixa... Hoje a maioria dos seres humanos se consideram tão inteligentes e independentes que duvidam até da existência de Deus, imagine se alguém acreditará ainda na existência do Diabo! O mundo está cheio de ateus ou agnósticos. Somos "esclarecidos" demais para acreditar que haja um ser que influencie e incentive nossas maldades.

Por que a Igreja Católica resolveu publicar um documento assim em pleno século XXI? Talvez tenham pensado melhor a respeito de tantos problemas que o mundo continua enfrentando. Apesar de nossa suposta "iluminação", ainda há guerras, ainda há muita fome, ainda há desprezo, ambição, orgulho e maldade no coração humano. O ser humano é mal por natureza, mas isso não dispensa a existência do mal personificado.

Em tantos anos de existência humana, já deveríamos ter aprendido a conviver em paz e ajudar o próximo, mas estamos longe disso. A corrupção e o ódio dominam a mente dos poderosos e para que o mal seja feito, não precisa muita influência do Diabo, basta apenas um "empurrãozinho"...

(imagem: Diocese de Jales)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

O discurso de Vladimir Putin

Esse discurso foi feito no Kremlin. Há muita gente analisando o conservadorismo de Putin, e muita gente criticando, chamando-o de falso conservador. Eu entendo que Putin é um líder que carrega em seus ombros a morte de centenas de milhares de pessoas (lembrando que os líderes das grandes potências concorrentes também não são santos), mas seu discurso, do meu ponto de vista, foi muito válido. 

Ele falou o que muita gente quer falar e não pode porque tem medo, porque não se pode mais criticar as coisas que não são naturais, porque a minoria está impondo à maioria "direitos" que eles exigem, nos tomando o nosso próprio direito de ter opinião.

Às vezes essas coisas acontecem, e o mundo precisa que um homem mau, mas poderoso, fale o que os homens bons têm medo de falar. 

domingo, 25 de dezembro de 2016

Chegou o Natal

Mais um ano se foi. Mas não precisamos nos preocupar, teremos novas 365 oportunidades de não mudarmos nada. Chegou o Natal, esse dia maravilhoso (pena que é o único) em que todo mundo fica bonzinho e abraça até mesmo quem mais odeia. Damos presentes uns aos outros, almoçamos e jantamos juntos com pessoas que não fazemos ideia de quem são e como vivem, mas chamamos de parentes...

Época maravilhosa em que subimos na mesa e pedimos desculpas pelos erros que cometemos, pedimos perdão àqueles que humilhamos o ano todo, afinal de contas precisamos zerar o jogo pra começar de novo. Dizemos "Feliz Natal" a todo mundo que encontramos, mas não lembramos de Deus o resto do ano, a não ser quando precisamos de um milagre. E pior, há pessoas que acreditam que realmente não precisam d'Ele.

Quando Jesus nasceu, o Império Romano vivia a chamada "Paz Romana", graças às poderosas legiões romanas e ao pulso de ferro de Caesar Augustus. José saiu de Nazaré, onde morava, e foi para Belém, sua cidade natal, a fim de se registrar. Todas as pessoas corriam de um lado para o outro a fim de se registrarem, hospedarias lotadas, cidadãos preocupados em jurar lealdade a Cesar. E ninguém prestou atenção no Menino que nasceu numa estrebaria, e ficou junto aos animais.

Hoje vemos a mesma correria, não por causa de um recenseamento, mas para mantermos nossa lealdade a esta data, às tradições. Compramos presentes, limpamos nossas casas, visitamos parentes, abraçamos conhecidos, fingimos nos importar com os outros, armamos presépios, pinheiros e luzes. E fora do nosso coração lotado, o Menino continua olhando o mundo, sem entender por que comemoramos algo que não compreendemos nem acreditamos.

FELIZ NATAL!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Aline Barros acha que pode julgar quem não é filho de Deus

Na última semana, a caminho de São Luis do Maranhão, para um show, a cantora Aline Barros fez uma postagem com Bruna Karla no seu Facebook oficial. Lá, a artista disse: "Como é maravilhoso poder louvar a Deus, e quero dizer mais... para nós, filhos de Deus, não existe quarta feira de cinzas mas sim quarta feira do fogo".

(créditos: http://www.portaldoholanda.com.br)

Acho que está na hora de Aline usar sua voz, que é realmente muito bela, somente para cantar, por que, para falar, os absurdos são cada vez maiores. Depois de uma entrevista vergonhosa na Marília Gabriela, e de 99,99% das suas entrevistas na televisão serem vergonha alheia, porque a moça não sabe se expressar (perto da Fernanda Brum, em matéria de pregação, ela parece uma Neanderthal), essa declaração, para mim, foi a gota d'água. 

Se ela quer achar que os católicos não são filhos de Deus, problema dela, mas mantenha a boca fechada e suas opiniões distorcidas para si. Aline, como muitos evangélicos, não sabe o que representa o poder da quaresma, a sensação de paz da penitência feita com fé, o significado das cinzas e da sexta-feira santa. As músicas de Aline me passam paz, mas olhar para ela cada vez mais me dá asco. Nessas horas, sinto muita vontade de voltar para minha igreja, onde nunca fui julgada e onde não haviam normas de conduta, como em um quartel, para serem seguidas. 

Respeito muito a fé protestante, e me identifico com ela em muitos aspectos, e da mesma forma, gostaria que a fé católica fosse respeitada, aliás, que qualquer forma de fé fosse, julgar alguém de outra religião não é o papel de um cristão verdadeiro, não é dessa forma que Jesus queria que se falasse de Deus e não era isso que ele fazia. Tão fácil apontar defeitos nos outros...

Depois do vexame, a postagem foi apagada e parece que a moça, como boa covarde, não se pronunciou. Na verdade, não houve mal entendido, ela realmente quis dizer que os católicos não são filhos de Deus. Quem julga a fé dos outros, e mais, a fé de um irmão em Cristo, não alcançou a graça de Deus.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Basílica da Sagrada Família

O arquiteto espanhol Antonio Gaudí morreu de maneira trágica atropelado por um bonde em 1926, e sua obra estava ainda pela metade. A Basílica da Sagrada Família em Barcelona, na Espanha, ainda não está completa. A fantástica igreja ficará pronta em 2026. 

Sua construção começou em 1882, e desde a morte de Gaudí, nove arquitetos já estiveram a frente do projeto. Infelizmente, em 1936 um incêndio na cripta destruiu todos os desenhos e modelos que Gaudí havia deixado, forçando os arquitetos a interpretarem o que o artista tinha em mente, para poderem continuar sua obra. Esse vídeo que mostra como ficará a igreja, fala por si mesmo. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Felicidade = Realidade - Expectativa

Infelizmente não posso escrever aqui que sou feliz. Mas nessa esperança, tenho aprendido muita coisa, e quero aqui compartilhar. Descobri que a felicidade não é algo que se possa comprar. Não é algo que se possa buscar. Não é algo que depende do tempo pra chegar. 

O mundo capitalista nos treinou e nos treina todos os dias em acreditar que a felicidade está relacionada às coisas materiais que possuímos. As propagandas de um belo carro relacionam ele ao sucesso e à felicidade. Os comerciais de roupas e acessórios nos afirmam que se comprarmos estes produtos seremos "melhores", seremos "felizes". 

Até as crianças são assim: Querem tanto um novo brinquedo, e assim que ganham, logo o esquecem, desejando outra coisa. Isso não significa que devemos nos acomodar - que é o outro extremo - mas que devemos ser felizes ANTES de termos o que desejamos. Devemos nos sentir felizes SEM DEPENDER  do que temos. 


Às vezes somos forçados a comprar e comprar. A própria sociedade que nos julga nos impõe o que devemos ter. Até alguns pastores iludem seus fiéis com promessas de carros e casas, afirmando que Deus quer que tenhamos essas coisas, e se não temos, é porque algo está errado...

Gostei da frase de Oscar Wilde, que disse: "Neste mundo há duas tragédias, uma é não conseguir o que se deseja, a outra é conseguir".
A explicação disso tudo é que não nos contentamos com "coisas" porque esse anseio não vem da mente e sim da alma, e a alma não se contenta com coisas materiais. Quando nos damos presentes e bens materiais, tentamos nos iludir, e é por isso que o anseio continua, sempre.

Gostei muito do vídeo abaixo e baseei meu texto nele. Infelizmente, há mais de SEIS BILHÕES DE PESSOAS que precisam aprender isso, e esse processo vai demorar muito.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

São Sérgio de Radonej - O Reformador Russo

Sergey Radonezhsky, era mestre e conselheiro de um monastério ortodoxo, e o mais importante reformador monástico da Rússia Medieval.

Veio de uma família nobre, nasceu em 1314 em Rostov. Aos 22 anos, se recolheu para meditação e estudos em um mosteiro isolado na floresta, onde um urso o acompanhava. Atuou em muitas missões diplomáticas para o príncipe Dmitry Donskoy.

Saint Sergius, the Builder - by Nicholas Roerich - 1925


Tornou-se um dos santos mais venerados da igreja ortodoxa e um dos patronos da Rússia. Morreu em 25 de setembro de 1392 e suas relíquias estão na Catedral da Santíssima Trindade, em Serguiev Possad, próximo a Moscou.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ataque à Revista Francesa Charlie Hebdo

Na manhã do dia 07 de janeiro doze pessoas foram covardemente assassinadas por extremistas islâmicos, fanáticos religiosos, ignorantes que se escondem atrás de uma religião. Entre os mortos, quatro cartunistas venerados na França e no mundo: Georges Wolinski, Jean Cabut, Stephane Charbonnier e Tignous. O motivo: charges a respeito de religiosos e suas maluquices. Nosso respeito às vítimas do ataque, às suas famílias e aos cidadãos franceses. Foi um ato covarde. Um ataque ao humor, à imprensa e à liberdade de opinião.

Esperamos que os governos do mundo não fiquem de braços cruzados. Quantas pessoas mais precisam morrer para que alguém reaja? Os assassinos gritavam "vingamos o profeta" e "Alá é deus". Que deus é este? Que o braço forte da justiça caia sobre os fanáticos de todas as religiões. Onde há fanatismo, o amor é esquecido. Ainda há alguns imbecis afirmando que o humor exercido pelos editores da Charlie Hebdo era agressivo demais. Agressivo? E atirar em pessoas com fuzis não é agressivo?


(Charge sobre o ataque, de Ruben L. Oppenheimer)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Santificação

Normalmente, eu não gosto de música pentecostal, muito menos que fale sobre arrebatamento, mas essa me conquistou. E o clipe ficou fod*!!!!!!!!!!!!!!!!


domingo, 28 de setembro de 2014

36 anos da morte de João Paulo I

Imagine-se lendo um livro, ou vendo um filme, ou qualquer coisa do gênero, e deparar-se com uma história de hipocrisia, onde pessoas matam sem escrúpulos, onde o dinheiro é mais importante do que qualquer coisa. Você indigna-se vendo uma história de maldade. Imagine o protagonista, um personagem bom e justo, que tinha tudo para ser um herói, e na verdade era. Agora imagine que este protagonista é assassinado. A crueldade da morte leva a vida de seu protagonista e a esperança de dar um final surpreendente à sua história. Sua morte te choca, te entristece, mesmo sendo ficção. Te comove. Você sente a perda. Dói,  mesmo sendo ficção.

Agora imagine que não é ficção. O que é narrado aconteceu de verdade.

Neste 28 de setembro, 36 anos do falecimento de Albino Luciani, o papa João Paulo I (na verdade, a morte do Papa, dentro do que se pode saber, situa-se entre 21h30 de 28/9/78 e 4h30 de 29/9/78, mas, segundo as investigações do livro, a morte ocorreu após as 4h, após Luciani acordar, pois foi encontrado sentado), gostaria de deixar alguns trechos do livro "Em nome de Deus", do jornalista David Yallop. Uma obra que trás aspectos da vida, da eleição e da morte desse homem que teria tudo para mudar a história da Igreja Católica, e foi impedido. Difícil encontrar obras que falem da morte desse homem, um assunto espinhento, e que, por isso mesmo, não pode ser abafado.


Em Veneza, Albino Luciani continuava a usar as batinas deixadas por seu predecessor, o Cardeal Ubaldi. Durante todo o período do seu patriarcado, recusou-se a comprar outras, preferindo que as freiras que trabalhavam para ele as remendassem e tornassem a remendar. De qualquer forma,raramente usava as vestes de Cardeal e Patriarca, dando preferência a sua simples batina de padre.
Sua humildade pessoal acarretou muitas situações interessantes. Viajando de carro pela Alemanha, em 1975, em companhia do padre Senigaglia, o Cardeal chegou à cidade de Aachen. Desejava muito rezar no antigo altar da principal igreja local. Senigaglia ficou observando enquanto dirigentes da igreja comunicavam um tanto arrogantemente ao cardeal que o altar já fora fechado e que ele deveria voltar outro dia. Tornando a entrar no carro, Luciani traduziu a conversa para Senigaglia. Furioso, Senigaglia saltou do carro, foi até uma igreja e teve uma explosão em italiano com os responsáveis. Eles compreenderam o suficiente para descobrir que o pequeno sacerdote que haviam repelido era o Patriarca de Veneza. Agora, foi a vez de Luciani ficar furioso com seu secretário, enquanto era quase arrastado do carro pelos sacerdotes alemães. Enquanto Luciani entrava na igreja, um dos padres murmurou-lhe:
- Um pouco de vermelho, por menos que seja, poderia ser útil, eminencia.
Em outra ocasião, Luciani compareceu a uma conferência sobre ecologia, em Veneza.ficou profundamente absorvido em conversa com um dos participantes. Desejando continuar o diálogo, convidou o ecologista a visitá-lo em sua casa.
- Onde você mora? - perguntou o biólogo.
- Ao lado da Igreja de São Marcos - respondeu Luciani.
- No Palácio do Patriarca?
- Isso mesmo.
- E a quem devo chamar?
- Diga que quer falar com o Patriarca.

Foto histórica. O sacerdote ajoelhado era o Arcebispo de Munique, Joseph Ratzinger. 27 anos depois, seria eleito Papa Bento XVI. Fonte: http://www.snpcultura.org/albino_luciano_nasceu_ha_100_anos_e_tornou_se_joao_paulo_i_papa_sorriso.html

Albino Luciani tinha ideias definidas sobre dinheiro e riqueza, especialmente a riqueza da Igreja. Algumas dessas ideias derivavam de Rosmini [Antonio Rosmini, padre e filósofo, que inspirou Luciani em sua tese de Doutorado], outras diretamente de sua experiência pessoal. Acreditava numa Igreja Católica dos pobres e para os pobres. As ausências compulsórias do pai, a fome e o frio, os sapatos de madeira com pregos extras nas solas para que não gastassem, cortar capim nas encostas das montanhas para aumentar a escassa alimentação da família, os longos períodos no seminário sem ver a mãe, que não tinha condições de visitá-lo, tudo isso produziu em Luciani uma profunda compaixão pelos pobres, uma indiferença total à aquisição de riqueza pessoal e uma convicção de que a Igreja, a sua Igreja, não devia ser apenas materialmente pobre, mas também vista assim.


Luciani acreditava firmemente em praticar o que se pregava. Numa de suas "cartas" a São Bernardo [coluna que ele escrevia no jornal diocesano, quando Patriarca de Veneza. As cartas forma reunidas eu um livro, Ilustrissimi, em italiano], discutira a virtude da prudência.
'Concordo que a prudência deve ser dinâmica e deve exortar as pessoas à ação. Mas há três estágios a se considerar: deliberação, decisão e execução.
Deliberação implica procurar os meios que levam ao fim. Baseia-se na reflexão, nos conselhos solicitados, na análise cuidadosa.
Decisão significa, depois da análise dos diversos métodos possíveis, a opção por um deles... A prudência não é uma gangorra permanente, a mente se angustiando na incerteza; também não é espera interminável, a fim de se decidir pelo melhor. Diz-se que a política é a arte do possível; de certa forma, está certo.
Execução é o mais importante dos três estágios: a prudência, ligada com a força, evita o desânimo diante de dificuldades e obstáculos. É o momento em que um homem demonstra ser líder e guia.'



Trecho da conversa entre Luciani e Jean Villot, cardeal secretário de estado no papado de Paulo VI e Luciani, e um dos homens que tinha motivos e oportunidades para assassinar o papa:
Eminência, conversamos sobre o controle de natalidade durante cerca de 45 minutos. Se as informações forem corretas, se as estatísticas forem precisas, no período de nossa conversa mais de mil crianças com menos de cinco anos de idade morreram de desnutrição. Durante os próximos 45 minutos, enquanto nós dois aguardamos com expectativa a nossa próxima refeição, outras mil crianças morrerão de desnutrição. Amanhã, a essa hora, 30 mil crianças que se encontram vivas nesse exato momento estarão mortas de desnutrição. Deus nem sempre provê.
 
Frase que Luciani teria dito, já papa, a um amigo padre do norte da Itália:
Já notei que há duas coisas que parecem estar em escassez no Vaticano: honestidade e um bom café.

O Vaticano é incomparável no negócio de Espionagem. Basta considerar o número de padres e freiras existentes no mundo, todos jurando fidelidade à Roma.

Mais uma conversa de Luciani com Villot:
Será dito também que traí a João [Papa João XXIII]. Traí a Pio [Papa Pio XII]. Cada um formulará sua própria lista, de acordo com suas conveniências. Minha preocupação é não trair a Jesus Cristo.



Relatos do dia da morte de João Paulo I:

Ao lado da cama do Papa, na mesinha de cabeceira,  estava o medicamento que Luciani vinha tomando para pressão baixa. Villot guardou no bolso o vidro de remédio e retirou das mãos do Papa morto as anotações sobre as transferências e nomeações papais que também guardou. Da escrivaninha no gabinete foi removido o testamento de Luciani. E também desapareceram do quarto os óculos e os chinelos do Papa. Nenhuma dessas coisas jamais foi vista outra vez. Villot criou então, para os aturdidos membros do círculo papal, um relato totalmente fictício das circunstâncias que levaram à descoberta do corpo. Impôs um voto de silêncio sobre a descoberta da Irmã Vincenza [foi ela quem descobriu o corpo de Luciani] e determinou que a notícia da morte não seria revelada enquanto ele não autorizasse expressamente. Depois, sentado no gabinete papal, Villot fez uma série de ligações. Baseado no que disseram as testemunhas oculares que entrevistei, o remédio, os copos, os chinelos e seu testamento estavam todos no quarto e no escritório papal antes que Villot entrasse nos aposentos.após seu exame e visita inicial, todos os itens acima mencionados sumiram.

 Luciani, ao lado da maior falácia do século XX, Karol Wojtyla.

 Às 7 horas, mais de duas horas depois da morte ter sido descoberta pela Irmã Vincenza, o mundo em geral ignorava que João Paulo I não estava mais vivo. Enquanto isso, a aldeia do Vaticano continuava a ignorar totalmente o édito de Villot. O Cardeal Benelli, em Florença, soube da notícia por um telefonema às 6h30. Dominado pela dor e chorando abertamente, retirou-se imediatamente para seu quarto e começou a orar. Todas as esperanças, sonhos e aspirações estavam destruídos. Os planos que Luciani fizera, as mudanças, a nova orientação, tudo dava em nada. Quando um Papa morre, todas as decisões ainda a serem anunciadas morrem com ele. A menos que seu sucessor decida adotá-las.
[Convenientemente, não foi o que ocorreu].


Para homens que nada tem a esconder, as ações de Villot e outros membros da Cúria Romana continuaram a ser incompreensíveis. Quando alguns homens conspiram para esconder alguma coisa, é porque existe algo a esconder.
Angelus de 3 de setembro de 1978. 25 dias depois, ele estaria morto.
Texto deste Angelus em portugês em albino-luciani.com.

sábado, 2 de agosto de 2014

Papa Francisco visita igreja Pentecostal na Itália


(Imagem: diariodonordeste.verdesmares.com.br)

Na segunda-feira, 28/07/14, o Papa Francisco viajou até Caserta, cidade no sul da Itália, e, numa atitude histórica, tornou-se o primeiro papa a visitar uma igreja Pentecostal. Jorge Bergolio visitou a Igreja Evangélica da Reconciliação, e reuniu-se privadamente com o pastor Giovanni Traettino, amigo pessoal de Bergolio há vários anos.

Discursando para uma igreja lotada, Francisco pediu perdão pela perseguição católica ao Protestantismo, em particular ao Pentecostalismo.

"Eu sou o pastor dos católicos e peço o seu perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo Diabo".

"O Espírito Santo cria diversidade na igreja. A diversidade é bela, mas o próprio Espírito Santo também cria unidade, para que a igreja esteja unida na diversidade: (...) uma diversidade reconciliadora".

"Não compreendo um cristão que está quieto, o cristão deve caminhar. Há cristãos que caminham ao lado de Jesus, mas em alguns momentos não caminham na presença de Jesus. Isto é porque são cristãos que confundem caminhar com andar, são errantes".

Sobre o impacto da visita: "Alguém vai se surpreender: 'O papa foi visitar os evangélicos?', Mas ele foi ver seus irmãos".


 
Francisco e o pastor Giovanni Traettino.  
(Imagem: g1.globo.com) 
                                                 

Francisco foi o primeiro líder da igreja Católica a dar um real passo de civilidade e compreensão, visitando uma igreja Pentecostal. O Pentecostalismo é um ramo do Protestantismo, surgido no início do século XX, defendendo a experiência direta com Deus através do Pentecostes - a vinda do espírito santo à Virgem Maria e os apóstolos, narrada nos primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos. É a corrente que deu origem às maiores igrejas evangélicas do Brasil, as Pentecostais e as Neo-Pentecostais. A Assembleia de Deus é a maior igreja pentecostal do Brasil e do mundo, com mais de 12 milhões de membros no Brasil e 66 milhões no mundo.

Jorge Bergolio volta e meia me surpreende com seus gestos, suas palavras e suas ideias. Me anima e me dá um pouco de esperança no Cristianismo.


                                                              (Imagem: g1.globo.com)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Noé: reprovado pelos fundamentalistas e aprovado por quem tem bom senso


O filme Noé, de Darren Aronofsky, estreado por Russell Crowe (melhor Noé impossível), Emma Watson (HP), Anthony Hopkins (Hannibal Lecter), Jennifer Connelly (já foi esposa de Crowe em Uma mente brilhante), está agradando o público, com a releitura da aventura épica de Noé contada na Bíblia. Parece que não somente fundamentalista idiotas evangélicos - entre eles a pastora Fernanda Brum, om uma crítica totalmente vazia e preconceituosa, mas tudo bem, não vou deixar de gostar dela porque ela perdeu o bom senso - mas até determinados blogueiros famosos desse país estão criticando o filme porque "distorce a bíblia". As quatro páginas da bíblia. Eu não vou me abalar a falar quão idiota é criticar algum filme BASEADO na bíblia que acrescentou algo a história, ou modificou. BASEADO não é cópia fiel. Se o filme, ou série, ficou bom e passou sua mensagem, a crítica não tem fundamento (ao contrário das novelas da Record que não só rasgam a bíblia como são horríveis).

O pastor e cantor mexicano  Jesús Adrian Romero, radicado nos EUA, foi na contramão da maioria de seus colegas e entendeu a mensagem do filme. Seu depoimento foi divulgado em seu facebook e está disponível no site Gospel mais. O que me deixa com mais raiva são os comentários do próprio site, que se manteve levemente neutro. Internautas criticam o filme, o pastor, sempre com a desculpa de que o filme distorceu a bíblia. Um "inteligente", inclusive, disse que "não é arte, é a palavra de Deus", referindo-se ao fato de que o filme não é um filme comum, mas um filme calcado na bíblia. 

MAS NÃO É UM FILME DE EVANGELIZAÇÃO, CAC*TE! O objetivo do Noé de Aronofsky é contar a história de Noé da SUA forma, não necessariamente evangelizar. As pessoas acham que a bíblia é intocável. Eu na minha ignorância, só acho que filmes que se BASEIAM na bíblia são mais uma oportunidade de compreender a palavra, mesmo quando a intenção principal não é essa.

 Watson com o Matusalém de Hopkins. A personagem de Emma, Ilá, não existe na Bíblia. Isso não diminui o brilhantismo das duas, personagem e atriz.



Segue o comentário de Romero:

"Ontem eu fui ver o filme ‘Noé’, e em seguida, deixei recomendações através de redes sociais. Alguns líderes que não entendem de cinema estão desencorajando as pessoas, dizendo para não irem ver o filme, argumentando que se afasta da narrativa bíblica… Sério? Assim como em ‘Noé’, todo filme precisa fugir um pouco da narrativa e incluir alguma ficção. A história bíblica de Noé está contida em apenas quatro folhas da Bíblia, o que é muito pouco material para fazer um roteiro de filme. Em compensação, uma série de livros que se tornaram roteiro de filme, quase nunca é seguida ao pé da letra."

"Na arte há o que é conhecido como ‘licença poética e artística’, e esta é a liberdade que tem o produtor, ou compositor, ou poeta, para ficar longe de certas regras ou detalhes, a fim de melhor comunicar uma história. Acredito que aqueles que estão proibindo o filme não entendem que o cinema é arte. Estamos muito acostumados a encontrar o erro e o diabo em tudo, e dificilmente encontrar Deus. Sem entrar em detalhes, para não contar o filme, houve momentos em que eu estava profundamente tocado pela mensagem, e embora eu ache que a ideia do produtor deste filme seja o evangelismo, a história bíblica foi apresentada como arte. O filme abre uma excelente oportunidade para a evangelização e discussão sobre temas espirituais. Outros reclamam que o filme usa fantasia e tem alguns erros bíblicos, mas a verdade é que, por vezes, eu ouvi mais fantasia e erros bíblicos em pregações diretamente dos púlpitos, porém ninguém faz nada a respeito. Aproveite o filme."

Eu e o Sérgio fomos ver o filme. E sai profundamente tocada e emocionada. Sem a pretensão de evangelizar, o filme foi muito mais fiel a bíblia do que eu esperava, com detalhes que somente quem conhece as escrituras sabe, como a benção de Noé a Jafé e Sem e o fato de que a descendência de Set não comia carne - eu não sabia dessa. Além dos bons efeitos, as atuações excelentes de Crowe, enlouquecendo as poucos com a missão do Senhor, Emma, cuja personagem cresce imensamente ao longo da história e a atriz fica a altura, e o britânico Ray Winstone, que me surpreendeu como o deplorável Tubalcain, um retrato fiel do que a humanidade se tornou. Essa é a mensagem do filme: o que somos? O que fizemos com este planeta? Vamos continuar com nosso egoísmo e maldade? Lamento profundamente aqueles que não entenderam a mensagem. Uma mensagem bela de fé, amor e bondade.

domingo, 17 de novembro de 2013

#365Livros - #Livro321 - HISTÓRIA DOS HEBREUS



História dos Hebreus
Flávio Josefo

Flávio Josefo, ou Yosef ben Mattityahu foi um historiador judeu, cidadão romano, que viveu a história do povo judeu no primeiro século, registrando-a em inúmeras obras. Seus livros são algumas das obras mais importantes para reconstruir o cenário da palestina entre os anos 50 e 100 d.C. Entre suas obras, História dos hebreus, uma chaproca de mais de 1500 páginas, Josefo trás a história narrada na Bíblia, os personagens bíblicos históricos mais importantes, com descrições detalhistas, vários pormenores da história do povo hebreu, enfim, uma obra essencial para quem gosta de Teologia, mas também para quem gosta de entender a história e porque algumas coisas aconteceram como aconteceram.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

#365Livros - #Livro269 - JUDAÍSMO PARA O SÉCULO XXI




Judaísmo para o século XXI
Nilton Bonder

Nilton Bonder é um dos mais respeitados rabinos do Brasil. Gaúcho de Porto Alegre, tem uma vasta bibliografia acerca da história do judaísmo e dos caminhos que a religião precursora de todo o monoteísmo segue no Brasil e no mundo. Em Judaísmo para o século XXI, Bonder ao lado do sociólogo Bernardo Sorj, caminham pelo judaísmo e temas conflitantes – Bíblia, conflitos do oriente médio, tolerância religiosa, preconceito – de uma maneira brilhante, contemplando pontos de vistas religiosos e laicos – sim, isso é totalmente possível – tentando desenhar um futuro para a uma das religiões mais antigas do mundo.  

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

#365Livros - #Livro242 - FÉ E PAIXÃO




Fé e Paixão
Aline Barros

Ontem falei do livro de Fernanda, e hoje trago outra biografia, de outra cantora protestante, mas tão diferente de Fernanda. O livro de Aline é como sua autora, cheio de delicadezas, de purezas. Aline também nasceu numa família protestante, ao contrario de Fernanda, jamais se rebelou, afirma, desnecessária e incomodamente, que casou virgem, enfim, Aline é a corretíssima crente. Ao contrário de Fe, Aline não descreve nenhuma experiência profunda, nenhum reencontro com Deus, porque nunca se desencontraram. O livro de Fernanda traz uma verdade crua, assim como é a Fernanda em sua música, em sua pregação, e o livro de Aline é delicado e confortador, como Aline é em suas palavras e em sua voz de soprano, que virou contralto depois de uma cirurgia que quase a fez perder a voz, mas que não perdeu a delicadeza. A voz grave de Fernanda traduz sua firmeza crua e direta de sua fé. A voz suave e maravilhosamente delicada de Aline traduz sua vida tranquila e serena como seu livro. Igualmente uma oba de fé e amor, para quem crê e para quem quer crer.