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domingo, 16 de agosto de 2020

O Livro nos Livra

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Frase dita por Cristo quando esteve neste mundo, que em sua época já era dominado pela ganância, falsa moralidade e hipocrisia romana. Frase esta que foi tomada pelos evangélicos para justificar sua própria hipocrisia e exploração da fé alheia. Frase esta que foi deturpada e distorcida pelo presidente deste país miserável e ignorante. 

A verdade realmente liberta, e é trazida pelo conhecimento. E qual o principal canal do conhecimento? O que proporciona ao ser humano conhecer as coisas, pensar, desenvolver espírito crítico e opinar? O livro! O livro nos transporta pela história, nos teleporta por mundos que não conhecemos, nos deixa participar de aventuras e nos faz reviver grandes momentos da história do mundo. O livro nos dá o conhecimento desenvolvido por grandes homens. O livro nos esclarece sobre fatos que muitos tentam distorcer ou esconder. O livro não julga e não escolhe seu leitor, fornecendo seu conteúdo indistintamente a quem o deseje.

No Brasil, o hábito da leitura vem se desenvolvendo aos poucos, e há uma pequena parcela da população que aprendeu a pensar e julgar por si mesma. E é esta pequena parcela da população que assusta quem está no poder, pois um homem que pensa por si mesmo não pode ser enganado. Então o que o governo faz, através do "guru da economia" (que até agora não resolveu nenhum dos problemas econômicos)? Resolve taxar o livro, aumentar os impostos, afirmando que livro é "coisa da elite". 

Livro não é objeto de consumo da elite! Livro é objeto de consumo de quem deseja não ser ignorante, de quem gosta de caminhar com as próprias pernas, de quem não quer repetir os erros do passado. Livro é conhecimento e o conhecimento liberta. A elite não quer que o trabalhador pense, pois quem pensa, reage. 

Um governo eleito por ignorantes deseja dificultar o acesso a livros para manter seu eleitorado, manter o gado no curral, manter seus seguidores quietos e fiéis, acreditando que existe uma ameaça comunista, acreditando que a Terra é plana, acreditando que empresários são mais importantes que trabalhadores, mantendo assim essas "verdades" na cabeça dos manipulados, que não pensam por si mesmos, que tomam os discursos do presidente por verdade absoluta e nunca irão reagir à crueldade dessa gente vil que está no poder, nem mesmo quando se tornam vítimas da loucura do presidente.

É a falta de leitura de bons livros que faz um ignorante aplaudir quando o governo facilita o acesso às armas. É a falta de conhecimento que faz com que brasileiros saiam às ruas protestar contra o isolamento social. É a falta de educação que faz com que pessoas invadam hospitais e perturbem o atendimento. É a falta de cultura que faz com que pobres acreditem que se estão pobres é por falta de esforço próprio. E é assim que o governo quer manter seu eleitorado: quieto e fiel, ou nas palavras de Zé Ramalho: "Vida de gado, povo marcado, povo feliz".


Observação importante: Livros escritos por imbecis não servem para nada. Alguns youtubers, terraplanistas, "gurus da economia", coachs e astrólogos frustrados não têm nada a ensinar. Eles fazem parte da "verdade" apregoada por Bolsonaro, que escraviza enquanto afirma libertar.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Favela Gótica - de Fabio Shiva

Acho válido divulgar este livro que é um abrir de olhos. Fabio Shiva foi fundo na ferida social: políticos que são vampiros, policiais que são lobisomens. A droga e o efeito que ela causa em suas vítimas.

O livro é distópico e ao mesmo tempo é real. Vivemos entre monstros e somos monstros. A metrópole parece uma selva, onde se deve lutar a cada dia pela sobrevivência.

E em meio a esta guerra diária, vemos uma personagem que também é vítima do mal que há em todo canto: Liana, que é jovem, que também sofre, que também é "zumbi", que também tenta enfrentar a cada dia a existência.

Liana vai, como o próprio livro informa, "das trevas para a luz", se conhecendo aos poucos e tentando se libertar através deste conhecimento. Liana vive numa "divina comédia" particular, e vamos junto com ela, às vezes nos apavorando diante de sua existência complicada, às vezes nos comovendo com as dificuldades por ela enfrentadas, e aprendemos junto com ela que "ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso."

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

A Revolução dos Bichos - George Orwell

Terminei de ler este livro, que foi publicado em 1945 no Reino Unido. Uma crítica ao totalitarismo da União Soviética de Stalin, e atualmente, ainda é válida como um alerta a qualquer tipo de governo autoritário e hipócrita, seja ele de direita ou esquerda.

A fábula mostra perfeitamente como os ideais de uma sociedade justa - por mais bem intencionados que sejam - podem tornar-se uma ameaça quando impostas por um líder autoritário. 

A ignorância e a exploração dos trabalhadores - que desconhecem o seu poder e importância como geradores de riqueza - são o combustível para a manutenção da elite. Um líder autoritário, como o porco Napoleão da fábula, pode distorcer os ideais, manipular a história, e fazer alianças justamente com quem tratava antes como inimigo. Não há preocupação com os menos favorecidos, há somente interesse próprio.

O socialismo falhou, e a ditadura de Stalin matou milhões de pessoas, matou mais que o nazismo. O capitalismo também falhou, e somente permanece porque é o modelo econômico que favorece a elite. Se houvesse justa divisão de renda, o capitalismo seria viável, pois o único problema deste modelo econômico é que após a geração de lucro pelo trabalhador, este fica com a menor fatia, não há justa divisão. E se considerarmos todas as pessoas mortas em guerras por petróleo e território, e todas as pessoas que morrem de fome devido à exploração, o capitalismo matou muito mais que Stalin.

Em tempos de falsos leões (que na verdade também são porcos), o livro de George Orwell é uma obra que indico a todos. Juntamente com "1984", do mesmo autor, "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley e "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess formam uma biblioteca indispensável de alerta sobre os perigos da desinformação, da manipulação de ideias e fatos, da perda de liberdade em prol de segurança, da falta de consciência de classe e da falsa esperança de que líderes autoritários são a solução para países em desenvolvimento.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Diário de Guantánamo

A jornalista Mahvish Rukhsana Khan relata neste livro as atrocidades que o Governo americano cometeu contra os presos em Guantánamo, uma prisão para “terroristas”. Sim, há terroristas em Guantánamo, mas a grande maioria dos presos são pessoas comuns, que viviam suas vidas comuns no Oriente Médio: médicos, professores, jornalistas, pastores de ovelhas, dentistas. E por que estão lá? Porque foram entregues por pessoas de mau caráter, por parentes que não gostavam deles, por pessoas que deviam a eles e os entregaram como conspiradores para que não precisassem pagar suas dívidas, ou simplesmente porque o governo americano, através de seus militares, considerou que fossem ameaças…

Como pode um homem de 80 anos que não pode caminhar ser considerado uma ameaça pelo governo dos EUA? Sim, haviam presos idosos e doentes que foram torturados e tiveram sua liberdade negada pelos EUA. 
Graças a Mavish e uma equipe de advogados americanos, alguns deles puderam recorrer e lutar por justiça, sobrevivendo à tirania do governo americano e retornando às suas famílias.

Um livro indispensável para que quer conhecer o lado negro do imperialismo americano.


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

632 anos depois de Ford. Isso mesmo, o nosso Ford, que nesta distopia se tornou um deus para o que restou da humanidade. É em 632 depois de Ford que a história se passa... e a humanidade não é mais a mesma: Condicionamento de classes, manipulação genética, criação de classes destinadas a determinados trabalhos... e uma felicidade imposta a todos através da soma, uma droga que faz você se sentir muito bem, mesmo quando as condições são adversas.

É assustador pensar que a classe alta adoraria que as classes menos favorecidas aceitassem sua condição de trabalhadores sem outro destino, e se sentissem "felizes" com isso. No livro, aqueles que por algum motivo não aceitaram tal condicionamento da humanidade, foram excluídos da sociedade, moram em reservas, como "selvagens".

Ao contrário do que acontece no livro 1984, em Admirável Mundo Novo o sexo é incentivado, até mesmo com erotização infantil. O que não é permitido é o amor, a formação de famílias, o sentimentalismo. 

A sociedade se divide em alfas, betas, gamas, deltas e ípsilons, que se classificam ainda em "+" ou "-", de acordo com suas funções. Nenhum ser humano nasce de relações sexuais, todos são gerados em laboratório e condicionados de acordo com as necessidades do sistema. Os termos "pai" e "mãe" são uma ofensa, algo que não deve ser pronunciado, e remetem a uma sociedade inferior, que não existe mais. O crescimento demográfico é controlado e a sociedade importa mais que o indivíduo.

Este livro, assim como 1984, Fahrenheit 451 e outras distopias, é um alerta para nossa própria sociedade, que vive somente para o trabalho, cultiva um desejo desesperado de sucesso e busca a felicidade como status a ser divulgado a todos ao seu redor, esquecendo-se de realmente viver a vida e enfrentar as coisas como elas realmente são.

O livro foi publicado em 1932. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Os Miseráveis

Estou lendo a obra prima de Victor Hugo - Os Miseráveis. Que livro fascinante! Victor Hugo mostra de perto as dificuldades enfrentadas pelos menos favorecidos. A pobreza extrema, a injustiça, o desprezo. O livro nos faz chorar.

Como não torcer por Jean Valjean? Como não amar Fantine e Cosette? Que personagens maravilhosos, que beleza e pureza que eles nos passam ao enfrentarem suas dificuldades, ao chorarem e sofrerem. 

O livro foi publicado em 1862, e continua tocando os corações dos sensíveis até o dia de hoje.

Abaixo, alguns dos trechos mais marcantes:

"Enquanto esperamos, estudemos as coisas que já não existem. É necessário conhecê-las, ainda que só para evitá-las. As contrafações do passado tomam falsos nomes e gostam de ser chamadas de futuro. Este fantasma, o passado, está sujeito a falsificar seu passaporte. Coloquemo-nos a par da armadilha. Desconfiemos. O passado tem um rosto, a superstição, e uma máscara, a hipocrisia. Denunciemos o rosto e arranquemos a máscara." (Pág 550)

"Está na moda uma estranha mas cômoda maneira de suprimir as revelações da história, invalidar os comentários da filosofia e eliminar todos os fatos constrangedores e todas as questões obscuras." (Pág 555)

"Estes teóricos  (...) têm um procedimento bem simples, aplicam ao passado um reboco a que dão o nome de ordem social, direito divino, moral, família, respeito pelos antepassados, autoridade antiga, tradição santa, legitimidade, religião; e vão gritando: 'Vejam! Tomem isso, homens de bem!' Essa lógica também era conhecida dos antigos. Cobriam de cal uma novilha preta, e diziam: 'É branca'." (Pág 557)


"Esses homens que se agrupavam sob diferentes denominações, mas que podiam, todos, ser designados pelo título genérico de socialistas, tratavam de perfurar essa rocha para dela fazer jorrar a água viva da felicidade humana.
(...)
Todos os problemas que os socialistas se colocavam, as visões cosmogônicas, os sonhos e o misticismo colocados de lado, podem ser reduzidos a dois problemas principais. 
Primeiro problema: produzir a riqueza. 
Segundo problema: reparti-la. 
O primeiro problema contém a questão do trabalho. 
O segundo contém a questão do salário. 
No primeiro problema, trata-se do emprego das forças. 
No segundo, da distribuição do que se produziu. 
Do bom emprego das forças resulta o poderio público. 
Da distribuição do que foi produzido resulta a felicidade individual. 
Por boa distribuição deve-se entender, não distribuição igual, mas distribuição equitativa. A primeira igualdade é a equidade. 
Da combinação destas duas coisas, poderio público no exterior, felicidade individual interna, resulta a prosperidade social. 
Prosperidade social significa felicidade para o homem, liberdade para o cidadão, grandeza para a nação." (Pág 881)

"De onde viemos? Há mesmo a certeza de que nada fizemos antes de nascermos? A terra não deixa de ter semelhanças com uma prisão. Quem sabe se o homem não é um condenado pela justiça divina? Olhem a vida de perto. Ela é feita de tal modo que por toda parte se vê punição." (Pág 1027)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O Ser Humano Decepciona Sempre

Analisando o mundo e as mudanças políticas que ocorreram em 2018, só fico mais decepcionado com a hipocrisia e a falta de bondade do ser humano. Poucos da nossa espécie merecem ainda estar vivos. Há muita gente que não crê em Deus. Eu creio, e sei que Ele deve ser muito bom mesmo para tolerar o ser humano com toda a maldade que há no coração.

O povo americano continua idolatrando seu presidente, um homem sem escrúpulos, preconceituoso, ambicioso ao extremo como todo bom capitalista.

O Vaticano continua em seus "negócios" usando a obra de Deus como desculpa para seus lucros e permitindo que homens inescrupulosos controlem seu capital.

O radicalismo e a intolerância religiosa se espalham pelo mundo, deixando as minorias com cada vez mais medo.

Israel esquece que foi "estrangeiro em terra estranha", como a própria Bíblia diz, e trata mal seus vizinhos, pois há extremismo nos dois lados. Em Deuteronômio 10:19 está escrito: " Portanto amareis o estrangeiro, porque fostes igualmente peregrino na terra do Egito".

A Itália pós-operação mãos limpas - que custou a vida de tanta gente boa - permite que a Máfia continue influenciando os assuntos do Governo.

O Brasil cai no mesmo conto do vigário, acreditando haver "planos comunistas que irão destruir o país", sem perceber que esta é a velha desculpa que foi usada pelos militares e por políticos todas as vezes em que precisaram enganar o povo para tomar o poder. Aliás, a desculpa do comunismo foi usada em várias ocasiões na História Mundial, sempre fazendo com que o povo ficasse com medo e escolhesse algum "salvador" que posteriormente se mostrou pior que a "ameaça comunista" que nunca existiu.

Fico triste e ao mesmo tempo surpreso quando ouço pessoas dizendo que a corrupção no Brasil já acabou. Como pode? Como foi feita esta lavagem cerebral coletiva? 

Não é o poder que corrompe o homem, mas o homem corrompe o poder. O comunismo, a esquerda, a direita, e até mesmo o capitalismo não são ameaças a serem combatidas, são apenas ideais, são somente "filosofias" diferentes. O que deve ser combatido é o oportunismo e o mau caráter de pessoas que usam estes ideais como ameaças ou como solução milagrosa para mascarar suas intenções egoístas e sede de poder. O que deve ser combatido é o político que quer comandar o país esquecendo-se do trabalhador, tratando o cidadão como engrenagem de uma máquina. 

Após tantos anos de guerras, após as lutas para libertação de escravos em vários países, após a morte de pessoas que lutaram para que hoje tivéssemos mais direitos e liberdade, nos vemos em pleno século XXI dando um passo atrás, abandonando os valores que aprendemos, escondendo-nos por trás da religião, acreditando em pastores que só querem enriquecer e manter seus pequenos impérios através do dinheiro de seus fiéis.

A igreja evangélica aprendeu que a política pode ser útil, e usa os "valores cristãos" para influenciar decisões políticas e encher seus cofres, ou você acha mesmo que os pastores estão preocupados com a sua alma?

Não há evolução moral, só há extremismo. Mesmo entre os grupos que hoje tentam resistir contra a opressão de certos políticos, há extremismo, e tudo que é demais não faz bem.

Quando o ser humano aprenderá a ser melhor? Ainda há esperança ou devemos apenas aguardar que alguém aperte um botão nuclear e acabe de vez com a raça humana?

Se você acha que estou exagerando, te recomendo a leitura de um livro que mostra muito bem a influência que o dinheiro proporciona na política e na religião, e o que acontece quando homens de bem tentam reverter a situação: EM NOME DE DEUS de David Yallop.

domingo, 11 de março de 2018

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

O que dizer de Fahrenheit 451? O livro de Ray Bradbury é uma lição, pois a distopia ali apresentada é quase o que vivemos hoje. Não há ainda ninguém queimando livros, mas há muitos desprezando o conhecimento e inibindo a educação para que tudo pareça correto, para que não vejamos o que realmente ocorre na sociedade.

Na distopia apresentada no livro, os bombeiros queimam os livros que são encontrados nas casas, pois livros são uma ameaça. E como dizia Heinrich Heine: "Onde se lançam livros às chamas, acabam por queimar também os homens". As demais personagens vivem dedicando toda sua vida a uma espécie de vida virtual, apresentada nas telas gigantes dentro de suas casas, interagindo com personagens aos quais chamam de família, esquecendo de viver e se socializar com seus entes queridos reais. 

Montag, um bombeiro, conhece Clarisse, que é uma menina "estranha", pois sua família ainda "perde tempo" conversando e rindo, e ela caminha pelas calçadas, sentindo os cheiros, a luz do sol, a brisa, vivendo sua vida, questionando e aprendendo coisas novas. E esse jeito de Clarisse incomoda, e depois impressiona Montag, que acaba abandonando seu posto de bombeiro, entendendo o poder de um livro, o poder de questionar, de conversar, de aprender e de viver de verdade.

Leia o livro e questione, aprenda, opine, converse, sorria. Faça como Clarisse, mesmo que os outros te mandem para um psiquiatra. Não vivemos a vida se não a questionarmos, se continuarmos fechados olhando para as paredes das redes sociais ou das respostas prontas. Precisamos ler e aprender, precisamos carregar o conhecimento conosco, pois algum dia - como Montag descobriu - essa carga poderá ajudar alguém.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Livros que me fazem bem - Plantão da Noite

Estou lendo novamente este romance de Irwin Shaw. Não sei explicar o que me atrai neste livro com cara de romance barato de banca, mas é uma história que me faz sentir bem.

Não sei se é Douglas Grimmes com suas preocupações e desilusões, não sei se é Miles Fabian com sua facilidade de se integrar ao mundo, não sei se são os belos locais europeus visitados ou mesmo o simpático senhor italiano Quadrocelli com sua risada.
 
É a história de alguém que saiu do nada, e - mesmo cometendo um erro - venceu. A história de alguém em quem a vida bateu, alguém que perdeu suas asas, seus sonhos. Talvez o tubo de papelão com dinheiro encontrado no hotel tenha sido não um roubo, mas um presente do destino. Douglas Grimmes mereceu este presente.

E os quadros pintados por Ângelo Quinn retratando as andanças de seu pai? Mesmo não conhecendo os locais e não vendo as pinturas, fico impressionado com a beleza e melancolia descritas na tela. São livros assim que nos prendem, livros simples, histórias simples, mas que tem algo de familiar.

De tempos em tempos preciso ler Plantão da Noite. E há também outros livros e filmes que preciso rever de vez em quando, mas tratarei deles futuramente aqui.

Abaixo, Sag Harbor, onde Douglas vai morar com Evelyn numa casinha a beira-mar após resolver voltar para os EUA.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Último Turno - Stephen King SEM SPOILERS

Provando que um ótimo autor de livros de terror pode ser um ótimo autor de livros policiais, Stephen King finaliza magistralmente a trilogia Bill Hodges com o terceiro livro, intitulado "Último Turno".

Comecei a ler esta trilogia por acaso, pois peguei o primeiro livro emprestado (Mr. Mercedes), e quando comecei a ler, não consegui mais parar. Logo de início, King nos conta quem é o assassino, e mesmo assim você continua lendo ávidamente página após página tentando entender como funciona a mente deste psicopata e qual sua influência em suas vítimas.

Já no segundo livro, "Achados e Perdidos", Bill Hodges, nosso querido detetive aposentado enfrenta um outro assassino, um fã obsessivo que mata por seu "amor" à literatura, enquanto o psicopata do primeiro livro está internado numa clínica de traumatismo à beira da morte...

No terceiro livro, "Último Turno" - título escolhido pela esposa de Stephen King - uma pequena dose de terror é acrescentada à trama policial, e nos vemos pulando de coisas inexplicáveis para fatos totalmente explicáveis. No fim, o mal é vencido, e os fatos se ajustam para o término da história de uma maneira que só Stephen King sabe fazer.

A trilogia nos deixa com saudade dos personagens, nos deixa torcendo pra que eles continuem tendo sucesso em outras histórias das quais não vamos saber. O livro nos faz entender e admirar pessoas que não são entendidas ou admiradas por puro preconceito. É policial, é uma pequena dose de terror, mas é também uma lição para fazermos sempre o que precisa ser feito.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Os Miseráveis

Hoje ganhei de presente um dos maiores clássicos da literatura mundial: Os Miseráveis. Um ótimo presente para clarear nossas ideias e nos fazer lembrar que muitos vivem em tristeza e injustiça, sem esperança. Vivemos num mundo tão injusto, tão cruel e insensato, que as misérias que assolam os menos favorecidos apenas mudam de face, mudam de lugar, mudam de época, mudam seus meios de ataque. Mas o resultado é sempre o mesmo.

Já comentei com a Larissa várias vezes que há pessoas que lutam tanto, se esforçam tanto e não vêem resultados. A vida não as favorece. É sempre a velha história, a dificuldade que assola tantos para que uns poucos tenham o que não precisam.

Os Miseráveis foi escrito em 1862 por Victor Hugo. Uma magnífica obra que denuncia todas as injustiças humanas. Uma crítica social atemporal. Um homem que rouba um pão e é condenado a 19 anos de prisão. Uma jovem que é abandonada pelo namorado quando tem uma filha. Uma menina explorada por um casal, sendo forçada a trabalhar o dia inteiro. Histórias tristes e marcantes que viram a sociedade humana pelo avesso, mostrando o lado injusto e triste de vidas que lutam por justiça e felicidade.


sexta-feira, 17 de março de 2017

A Batalha de Eduardo Spohr

Estou lendo o livro Anjos da Morte, de Eduardo Spohr. Um livro incrível que, como comentávamos outro dia, mesmo que a história não fosse tão boa, só a pesquisa feita pelo autor já valeria a leitura. Amarrando a história das principais guerras com a história de seus personagens, Eduardo Spohr envolve seus leitores com uma excelente trama.

É tão interessante ver em cada página que viramos citações e referências vividas pelo autor, coisas que já ouvimos no nerdcast e que sabemos que fazem parte da vida do autor, de sua cultura e de sua experiência. Até mesmo os títulos de alguns capítulos nos fazem lembrar de outros filmes e outras histórias de que o autor gosta.

Acredito que o segredo de uma boa escrita, o segredo para criarmos uma obra interessante é justamente isso: colocar no papel suas próprias referências, sua vida. É falar daquilo que você viveu, daquilo que você gosta e conhece. Se você é um aspirante a escritor como eu, acredito que o caminho seja esse. Foi isso que fez com que A Batalha do Apocalipse deixasse de ser apenas um manuscrito dentro de um armário e se tornasse uma obra conhecida em vários países.

Eu e a Larissa fomos para Florianópolis em 2013 e tivemos a honra de conhecer Eduardo Spohr, que é um cara humilde e muito aberto a falar sobre tudo que faz parte da cultura nerd, e sobre o interesse em escrever, essa vontade que tanta gente tem, mas que poucos conseguem pôr em prática. 

A técnica é importante, o conhecimento da língua é importante. A capacidade de desenvolver uma trama é importante, mas o principal é escrever porque gosta. Escrever porque ama. Todo o reconhecimento e até mesmo o dinheiro que pode vir depois não devem ser almejados quando ainda estamos escrevendo. A única coisa que precisamos fazer é gostar do que estamos produzindo. O resto virá depois, no tempo certo.

Florianópolis - SC - 2013

segunda-feira, 13 de março de 2017

O Sol é Para Todos

Depois de ler o excelente livro de Harper Lee - sim, eu disse EXCELENTE, embora alguns discordem - tive a sorte de encontrar na Netflix o filme, de 1963. O filme é em preto e branco, e com excelentes atores: Mary Badham interpreta Scout, Gregory Peck (falecido em 2003) interpreta Atticus Finch e Brock Peters (falecido em 2005) interpreta Tom Robinson.

O filme - dirigido por Robert Mulligan - segue de perto a história original, onde em 1932 no Alabama um negro é acusado de violência e estupro contra uma jovem branca, e Atticus o defende no tribunal, apesar de toda a cultura racista da época. Esse interesse de Atticus pela justiça acaba interferindo na sua vida e na vida de seus filhos, mas mesmo assim ele mantem seu senso de dever ao defender o pobre Tom Robinson, ensinando a seus filhos que a Justiça, assim como o sol, deve ser para todos. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Forrest Gump - "Idiota é quem faz idiotices"

Forrest Gump: O Contador de Histórias. Um dos poucos filmes que, apesar de ser classificado muitas vezes como comédia, me emocionou de verdade, porque traz um único e simples ensinamento: "Você deve fazer o melhor com o que Deus deu para você".

Ganhador de seis Oscars, o filme foi lançado em 1994 e dirigido por Robert Zemeckis. É baseado no romance de Winston Groom, escrito em 1986. 

Quarenta anos de história dos Estados Unidos contados pelo ponto de vista de um simples homem com "QI baixo", que nasceu com problemas na coluna e que não estava nem aí para os acontecimentos dos quais participou. Isso é demonstrado várias vezes no filme pelo personagem de Tom Hanks.

Atravessando eventos como a Guerra do Vietnã - onde fez um grande amigo, que aprendeu o valor que Forrest tinha - o personagem nunca se abala, independente da situação. Em sua simplicidade, Forrest faz uma boa ação atrás da outra, ajudando outras pessoas e fortalecendo-se a si mesmo.

Ele conhece presidentes, inspira Elvis Presley e John Lennon, se torna amigo de um negro mesmo afirmando ser descendente do fundador da KKK, denuncia o caso Watergate sem saber, enfrenta o Furacão Carmen, investe na Apple - definida por ele como "um negócio de frutas" - e inspira frases e smiles.

Deixando de lado a fatia de humor do filme, é uma grande lição. Nos inspira e emociona profundamente. Podemos enfrentar a vida sabendo que merdas acontecem, e quando nos taxarem de idiotas, podemos dizer com confiança: "Idiota é quem faz idiotices".

Edição por computador inserindo o personagem de Tom Hanks numa cena real acontecida em 1963 em frente à Universidade do Alabama, envolvendo uma questão racial discutida pelo presidente Kennedy e o governador George Wallace

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Sou brasileiro e não desisto nunca

Esta crônica eu escrevi em 2012 quando estávamos - eu e a Larissa - fazendo um curso de crônicas promovido pelo SESC. Ela foi publicada em algum lugar numa certa coletânea de crônicas dos alunos deste curso, coletânea esta que nunca vi...


Sou brasileiro e não desisto nunca

Seu Luis acordou pela manhã com a voz dos filhos reclamando que não havia leite e teriam novamente que tomar café preto antes de sair para a escola, sinal de que sua mulher não havia recebido o Bolsa Família deste mês. Ah, esse Governo, não tem jeito mesmo. O filho mais velho, já com seus treze anos, aproveitou a oportunidade para fugir da obrigação e disse:

- Quer saber? Não vou pra aula sem café!

Jogou a mochila em um canto do sofá, pegou uma bola velha de couro, jogou dentro de uma sacola e saiu levando o precioso objeto. A mãe gritou um “volte aqui, moleque” mais por obrigação que por vontade própria, mas o garoto já estava longe.

A vida era dura, seu Luís tinha pouco estudo. Casou novo, e agora não tinha tempo pra terminar o ensino médio. Já haviam lhe falado em escola para adultos, mas era complicado. Como ele iria passar suas noites numa sala de aula, sendo que estava acostumado com o futebol e a roda de samba? Ele precisava viver.

Enquanto pensava, Luís levantou esfregando os olhos para espantar o sono. No meio do caminho para o banheiro, pegou uma garrafa de cachaça que encontrou no armário e tomou um gole, fazendo uma careta. Após lavar o rosto, sentou-se à mesa. Seu café estava servido: uma fatia de pão amanhecido, café fraco sem leite, e o mau-humor de sua mulher.

Foi trabalhar, mas chegou atrasado, pois passou no bar do Chico pra marcar o pagode pra mais tarde. Luís tocava pandeiro, e se fosse dedicado ao trabalho como era ao pandeiro, os problemas da construção civil no Rio de Janeiro seriam menores. Quando chegou na obra, os pedreiros já estavam pedindo massa.

- Ô chefe, desculpa o atraso aí...

- Tudo bem, Brasil (seu chefe o chamava pelo sobrenome, lembrando os tempos de exército), só quero saber se você confirmou o pagode pra hoje à noite.

- Tá firmado. É só levar a cerveja. Já tem quem toque e também quem dance...

- Essa é a melhor parte!

É sexta-feira. Luís Brasil está feliz. Recebeu seu dinheirinho e vai ao pagode mais tarde, com muita cerveja e muita mulher. Tinha baile funk no morro do Engenho, mas Luís não ia. Quando comparecia, era só pra ver as funkeiras.  No sábado vai ter jogo do Mengão no Maraca, Luís Brasil, torcedor fiel, não vai faltar. Tá certo que o transporte do morro até o estádio é complicado e caro, e o ingresso do jogo, mais caro ainda. E em casa, a carne e o leite haviam acabado, e o gás já estava dando seus últimos suspiros de vida na cozinha, mas o dinheiro do ingresso e da cerveja era sagrado, e por isso, mantido longe das vistas de sua mulher. Eu preciso de um pouco de diversão – pensava o Brasil – não posso viver só me preocupando com o trabalho! Quando os filhos reclamavam, a consciência doía um pouco, mas logo passava, e o sorriso malandro voltava a estampar a face de Luís Brasil. Um dia – pensava ele – as coisas vão melhorar. Afinal, sou brasileiro, e não desisto nunca.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Língua e Linguagem - Rui Barbosa

Certa vez, Rui Barbosa chegou em casa e ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal. Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Então aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

"- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada."

O ladrão, confuso. perguntou:

"- Dotô, rezumino... eu levo ou dêxo os pato?"


domingo, 8 de janeiro de 2017

Achados e Perdidos

Acabei de ler o segundo livro da trilogia Bill Hodges, de Stephen King: Achados e Perdidos. Quem achou que Stephen King não se daria bem no gênero policial, errou feio. King escreve de uma maneira fantástica, prendendo o leitor e lhe proporcionando alguns sustos de vez em quando.

Bill Hodges agora possui uma agência de investigação onde trabalha com Holly. Quando ele resolve ajudar uma adolescente amiga da irmã de Jerome, o que parece ser um caso de envolvimento com dinheiro ilícito acaba se mostrando algo muito maior e mais perigoso. Também é interessante ver King mostrando em pequenos momentos da história algumas cenas envolvendo poderes paranormais durante as visitas de Bill Hodges ao vilão do livro anterior - Mr. Mercedes. Uma trama envolvendo literatura e os perigos que podem ser causados por um leitor fanático.

Pra quem lembra de Misery, Achados e Perdidos é um retorno à obsessão.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Livro em Branco

A mensagem abaixo está rolando por aí no whatsapp, e diferente de 90% do que se espalha nas redes sociais, ela é bem profunda e significativa. Por esse motivo, resolvi replicá-la aqui. Leia e avalie o "livro" que você escreveu no ano que passou. Ao contrário dos autores que conhecemos, não podemos revisar nosso "livro" para depois publicá-lo, mas podemos sim escrever uma bela continuação, onde erros antigos não precisam mais ser repetidos.

"Quando 2016 começou, ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos...
Você podia fazer dele o que quisesse...
Era como um livro em branco, e nele você podia colocar um poema, um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais, já não é seu.
É um livro já escrito... Concluído. 
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e você não poderá corrigi-lo. Estará fora do seu alcance.
Portanto, antes que 2016 termine, reflita, tome seu velho livro e o folheie com cuidado. 
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. Não tente arrancá-las. Seria inútil. Já estão escritas. Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue. Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar, seu velho livro, beije-o.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele...
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: OBRIGADO(a) e PERDÃO!!
E, quando 2017 chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco todo seu, no qual você irá escrever o que desejar.
FELIZ LIVRO NOVO!"

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Há um livro do mundo de Harry Potter que cataloga 75 espécies de animais mágicos encontrados nos cinco continentes. O livro didático de Hogwarts, após ter sua versão para os trouxas publicada, foi adaptado para o cinema, estreando hoje. 

Dirigido por David Yates (que já dirigiu Harry Potter), o filme é situado aproximadamente 70 anos antes de Harry Potter e conta a história de Newt Scamander (Eddie Redmayne), um famoso magizoologista que chega a Nova Iorque levando consigo sua maleta onde ele carrega animais fantásticos que coletou em suas viagens pelo mundo. Alguns animais acabam fugindo e Newt precisa recapturá-los urgentemente.


sábado, 29 de outubro de 2016

Stephen King no The Late Late Show

Já li alguns livros de Stephen King, dentre eles "Desespero" e "Mr. Mercedes". Li "Sobre a Escrita" duas vezes, e não conheço outro livro que nos ensine tanto sobre a arte de escrever. Stephen King é uma máquina de criar histórias boas e sabe prender o leitor, fazendo-o virar página após página sem parar. É claro e direto, dono de um humor sarcástico e agressivo que faz parte de sua marca nas histórias que criou. Confira essa entrevista, que foi ao ar em 06 de agosto de 2012.