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domingo, 4 de junho de 2017

Relações de Trabalho

Há várias coisas, vários fatores atualmente, que tem me deixado confuso com relação às relações de trabalho. Quero citar aqui alguns deles:

- O empregador desonesto que se aproveita da necessidade do empregado para negar-lhe alguns de seus direitos;

- O empregador gente boa e honesto, que por ser bom demais acaba lesado por alguns de seus funcionários;

- O funcionário responsável, que sofre juntamente com o irresponsável porque o empregador não distingue um do outro;

- O funcionário irresponsável que prejudica a equipe toda por sua falta de interesse.

A culpa não está na lei trabalhista, nem mesmo na reforma que está sendo feita. O problema, como sempre, é o ser humano, que sempre quer tirar vantagem da situação em que está. Protecionismo nas empresas, ameaças, chantagens. Pessoas consideradas competentes apenas porque tem amigos influentes. Pessoas responsáveis que não crescem profissionalmente porque não estão dispostas a puxar o saco de ninguém ou puxar o tapete dos outros. Funcionários que não admitem que o chefe cobre suas tarefas. Chefes incompetentes que não enxergam a competência dos seus subordinados. Pessoas que não aguentam a pressão. Todos esses fatores tornam um ambiente de trabalho insuportável, prejudicando o bom funcionamento de uma empresa.

E ainda existem pessoas que querem que consideremos a empresa nossa "segunda família". Por favor, vamos ser mais realistas. Não existe interesse comum ou preocupação com os outros nas empresas. Devemos trabalhar honestamente e com competência, mas não devemos alimentar ilusões. Como já dizia um sábio provérbio: "O pássaro deve confiar nas asas, e não no galho onde senta".

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A Depressão e a Pressão dos Bancários

Trago hoje um resumo da reportagem da revista FENAE AGORA, Edição 87, de junho de 2016, que fala sobre assédio moral, isolamento social, depressão e suicídio. Muito interessante e necessário nesses tempos de angústia em que vivem os trabalhadores, pressionados por metas e chefes hostis, desvalorizados cada dia mais por seus empregadores, que querem apenas aumentar seus ganhos. 

"Qual o castigo maior para um mortal que ousou burlar a morte, do que ser condenado a passar a eternidade realizando um trabalho inútil, sem sentido e sem esperança? Foi assim que pensaram os deuses gregos ao condenarem Sísifo a empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. A pedra, então, rolaria para baixo e ele teria que começar tudo de novo. Por toda a eternidade.
Alber Camus em seu livro "O Mito de Sísifo", escrito em 1947, compara a mitologia com a vida laboral moderna, operários que trabalham a vida toda, fazendo tarefas para as quais não vêem utilidade. Camus defende que esse destino é mais trágico ainda se o trabalhador não tem consciência disso. Pode levar ao desespero e à desistência da vida. A maneira para combater isso é a revolta, a discussão sobre a desumanização do trabalho.

O pesquisador Marcelo Augusto Finazzi defendeu sua tese de mestrado - intitulada "Patologia da solidão: o suicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho" - na UNB, na qual afirma que o assédio moral, o incentivo ao individualismo e à competição foram fatores determinantes na decisão dos pesquisados em tentar o suicídio.

A reestruturação econômica dos tempos modernos mudou a relação de trabalho dos bancários com seus colegas e com o próprio trabalho. O enxugamento, a eficiência a qualquer custo, a pressão por produtividade e as metas abusivas, sem falar nos chefes hostis que cobram jornadas de 10, 12 e até 15 horas por dia, criam um clima de 'ninguém é amigo de ninguém'.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, entre 1993 e 2005 um bancário cometeu suicídio a cada 20 dias. O trabalhador passa a acreditar que ele é o problema, não percebendo mais que é o ambiente de trabalho que está oprimindo a ele e seus colegas.

São poucos os bancários que ainda não tomam antidepressivos e não estão sofrendo de síndrome do pânico, problemas psicológicos que acabam encontrando uma válvula de escape como doenças físicas, prejudicando a vida. E quando o desespero chega ao extremo, o trabalhador passa a contemplar o suicídio como uma opção convidativa. Triste realidade do capitalismo, da produção excessiva, dos lucros sem medida. Triste realidade das modernas relações de trabalho."


sábado, 11 de abril de 2015

Vamos Terceirizar o Brasil

O texto principal do projeto da lei da terceirização (PL4330) foi aprovado na Câmara nesta quarta-feira, por 324 votos contra 137. Depois de concluídas algumas alterações e a votação, o projeto de lei seguirá para o Senado.

A proposta permite que as empresas, inclusive públicas, possam terceirizar QUALQUER serviço, inclusive as atividades-fim. Os "benfeitores" por trás deste projeto são Arthur de Oliveira Maia (SD-BA) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O PT, os juízes e os procuradores trabalhistas são contra este projeto de Lei. Pois ele fará com que o desemprego aumente, as condições de trabalho sejam precarizadas, os salários sejam reduzidos, a qualidade dos serviços caia, e os trabalhadores percam seus benefícios.

Também acabarão os concursos públicos e as promoções por mérito, será o fim dos planos de carreira. Haverá apenas duas classes sociais: empresários e assalariados. 


Exemplo? Imagine que uma empresa possui 4 funcionários trabalhando 6 horas por dia, ganhando 2 mil reais mensais cada um. Com esta lei, poderá demitir todos eles, contratar 3 funcionários ganhando mil reais cada um e trabalhando 8 horas, e terá as mesmas 24 horas de trabalho pela metade do custo.

Empresários estão comemorando, e também realizando os cálculos do que poderá ser economizado com esta lei...

E o povo não viu isto acontecer... Não entendo como algumas pessoas ainda apoiam isso.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Quem merece

Conheço uma pessoa, funcionário de uma grande empresa pública há mais de cinco anos, inteligente, muito competente, com ensino médio completo e que gastou e gasta grande parte do seu tempo estudando. Seu salário ainda não chega a 1000 reais. Seu serviço é intelectual, não braçal. Certa empresa privada, de grande porte, instalou-se numa cidade do interior de Santa Catarina, e pagará cerca de 700 reais para seus funcionários que exercerão a função de pintor de parede. É um trabalho mais braçal do que intelectual. A escolaridade exigida não passa da 4ª serie do ensino primário. Não desmereço nenhuma profissão, mas será que alguém que não estudou merece ganhar quase o mesmo salário que meu amigo que tem ensino médio, faz faculdade, inglês e sempre está estudando?


Provavelmente o problema não está no salário do rapaz pintor. Um pai de família mal consegue sustentar sua casa com 700 reais. O problema está no salário de meu amigo, que infelizmente está aquém de sua capacidade. Mais além, o problema está na estrutura trabalhista brasileira, e, claro, na população, já que muitas pessoas infelizmente relutam em estudar. Sim, hoje, em 90% dos casos, não há dificuldade em freqüentar uma escola, e ainda assim, muitos estudantes, na maioria homens, abandonam a escola. A troco de que? O que lhes impede de estudar? Meu pai parou de estudar para trabalhar. Meu avô mal conseguia dar comida para seus treze filhos vivos. E hoje, será que todos esses jovens que param de estudar fazem isso para trabalhar exaustivamente para suas famílias? Será que jovens que pararam de estudar por preguiça merecem conseguir um emprego que não lhes exigirá intelectualmente e ganharem 700 reais por isso?

Quanto ao caso de meu colega, sabemos que o emprego publico fornece um certo... descanso por parte dos empregados, que, em muitos casos, não se esforçam, não se atualizam, não trabalham para melhorar porque seu salário e emprego está garantido. Assim, pessoas como meu amigo nem sempre são valorizados, nem sempre tem o emprego que merecem. Meu colega provavelmente evoluiria de cargo e salário dentro de uma empresa privada. Portanto, existem empresas publicas que valorizam seu funcionário, mas, às vezes, vale a pena trocar, se possível, por uma empresa privada, principalmente as de grande porte. A valorização do profissional pode ser maior. Como naquela empresa citada no inicio. Imaginem o salário de um técnico dentro dela. Essas são realidades brasileiras.