Mostrando postagens com marcador saude. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saude. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Desmoronando


 "O prédio de lata estava desmoronando e eu estava dentro dele, desmoronando também. Caía de bruços como um super-herói que esqueceu como voar, com a cara virada para o chão, ou para o saguão do prédio, que se aproximava rapidamente. Se eu me espatifasse no saguão, certamente morreria, pois seria soterrado pela lataria em decomposição que acompanhava meu voo. O fim do sonho seria o meu fim também. Mas a queda era interrompida, a intervalos, como naquelas “lojas de departamento” em que o elevador parava, o ascensorista abria a porta e anunciava: “Lingerie”, “adereços femininos” etc. Levei algum tempo para me dar conta que aquelas paradas não eram só para interromper o terror da queda. Eram oportunidades de fuga. O sonho me oferecia alternativas para a morte, se eu fizesse a escolha certa. Ou então me dava um minuto para pensar em todas as escolhas erradas que tinham me levado àquele momento e à morte certa: os exageros, os caminhos não tomados e as bebidas tomadas, as decisões equivocadas e as indecisões fatais, o excesso de açúcar e de sal, a falta de juízo e de moderação. Não posso afirmar com certeza, mas acho que ouvi o ascensorista fantasma dizer, em vez de “lingerie” e “adereços femininos”: “Desce aqui e salva a tua alma” ou “Pense no que poderia ter sido, pense no que poderia ter sido...” As paradas não eram para diminuir o terror, as paradas eram parte do terror! Eu não tinha tempo nem para a fuga nem para a contrição. E o saguão se aproximava. Decidi me resignar. É uma das maneiras que a morte nos pega, pensei: pela resignação, pela desistência. Meu corpo não me pertencia mais, era parte de uma representação da minha morte, o protagonista de um sonho, absurdo como todos os sonhos. Talvez a morte fosse sempre precedida de um sonho como aquele, uma súmula de entrega e renúncia à vida, mais ou menos dramática conforme a personalidade do morto. Um sonho com anjos e nuvens rosas ou um sonho de destruição, como eu merecia. Eu nunca saberia por que meu sonho terminal fora aquele, eu desmoronando junto com um prédio de lata. Mas nossas explicações morrem com a gente.
No fim do sonho me espatifei no chão do saguão e esperei que o prédio caísse nas minha costas. Em vez disso, ouvi a voz do dr. Alberto Augusto Rosa me perguntando se eu sabia onde estava. “Hospital Moinhos de Vento”, arrisquei. Acertei. Lá juntaram as minhas partes, me espanaram e me mandaram para casa. E eu não disse para ninguém que deveria estar morto."


(crônica que Luis Fernando Veríssimo escreveu após sua passagem no hospital, quando quase morreu, em dezembro de 2012).

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A dieta do bom humor (Marvin)

Estou republicando um texto antigo, de fevereiro de 2010, quando Marvin, inspirado por certos problemas de saúde pelos quais eu passei, e que prefiro nem lembrar, foi extremamente solidário comigo e me ajudou a buscar alimentos que pudessem melhorar minha saúde. Aqui está uma síntese dessa pesquisa. Espero que vocês gostem. 

         Misturar nutrientes e alegria não é nenhuma piada. Trata-se de um assunto tão sério que já ocupa centros de pesquisas respeitadíssimos ao redor do planeta. Na Grã-Bretanha, por exemplo, há o Food and Mood Institute, ou Instituto da Comida e Humor, na tradução literal, que, por meio de pesquisas de milhões de libras, soma dados e dados a respeito da influência da dieta nos ânimos.

        Aqui no Brasil também existem estudiosos investigando essa história. É o caso da neurocientista Patrícia Brocardo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que, inclusive, tem trabalhos publicados no periódico científico internacional Neuropharmacology. Não há dúvida sobre a interferência daquilo que comemos nas variações de humor, afirma.

   Ingredientes vindos do prato são capazes de modular a fabricação de neurotransmissores. O palavrão ao lado, que não tem nada de divertido, tampouco de saboroso, refere-se a um grupo de substâncias químicas responsáveis pela comunicação das células no nosso cérebro. Para que você se sinta feliz, disposto e tranqüilo, é fundamental que esse grupo desempenhe bem o seu papel e esteja em níveis adequados na massa cinzenta. E são três os principais envolvidos com o alto-astral: serotonina, dopamina e noradrenalina. O professor brasileiro Ivan de Araújo, que trabalha com neurociências na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, explica que o primeiro é derivado do triptofano e os dois últimos são produzidos com a ajuda da tirosina. Não fique zangado com todos esses nomes. Leia as próximas linhas com calma para saber aonde quero chegar.

Proteínas para sorrir

       Pois bem, o desconhecido triptofano pode estar mais perto do que você imagina. Alimentos como o grão-de-bico, a ervilha, a lentilha e os feijões oferecem boas doses dele. Carnes, peixes, ovos, leite e, ufa!, seus derivados também são fornecedores. Dietas recheadas com essas opções garantem serotonina. O triptofano funciona como os tijolos no processo de montagem molecular do neurotransmissor, compara Araújo. O resultado é uma tendência bioquímica a se sentir feliz. Isso porque a sinalização serotonérgica como os especialistas definem a atuação da substância tem tudo a ver com a regulação do humor. Portanto, se faltam fontes de triptofano no prato, abrem-se brechas para que o dia-a-dia seja cinza, sem a menor graça.

          E a tal de tirosina? Ela também é um aminoácido, ou seja, um pedaço de proteína. E é encontrada na turma mencionada acima. Mas sua relação é bem mais estreita com a dupla dopamina e noradrenalina, que controla as suas reações a estímulos de conteúdo emocional enfim, como vai encarar os sorrisos e as caras feias dos outros no cotidiano, por exemplo. Fica uma lista de alimentos para que você não deixe faltar triptofano, tirosina e carboidratos para o seu organismo:
 - Leite e iogurte desnatados;
 - Queijo branco;
 - Banana;
 - Arroz integral;
 - Batata;
 - Feijão;
 - Lentilha;
 - Abacate;
 - Soja e derivados;
 - Pão integral ou não;
 - Mel;
 - Carne de aves sem pele;
 - Peixes;
 - Grão de bico;
 - Ovos;
 - Ervilha.

(nunca digite "café colonial" no Google)

domingo, 5 de junho de 2011

Darth Vader, o instável

O vingador intergalático era desajustado em tudo: relacionamentos, autoimagem, afeto, comportamento. E teve o mesmo fim que 10% dos borderlines – o suicídio.

Há muito tempo, numa galáxia muito distante, um borderline foi responsável por uma saga sem precedentes, que mexeu com republicas e impérios, e concretizou a maior das profecias: acabar com a raça dos shits. Um artigo publicado na revista Psychiatry Research afirma: Anakin Skywalker, o herói-vilão de guerra nas estrelas, atende a 6 dos 9 critérios para o transtorno de personalidade borderline (limítrofe, em inglês). E o artigo vai alem: o fato de o distúrbio ser mais comum entre adolescentes ajuda a explicar o sucesso da saga.
O paciente oscila rapidamente entre ver tudo preto e tudo branco: ora adora, ora detesta alguém; ora está muito satisfeito, ora entra em desespero e é tomado pela raiva. Embora seja fácil fazer confusão, isso é bastante diferente do transtorno bipolar, marcado por um episódio de depressão aqui e outro de euforia ali, intercalado por períodos normais.
O borderline exige que as pessoas estejam sempre lá para lhe darem atenção. Uma hora está carente. Depois, vira um vingador inveterado. Para completar, pode ter um sentimento crônico de vazio, ficar terrivelmente entediado e querer morrer. Isso exaure parentes, amigos e colegas, bloqueia talentos e, por fim, leva 10% ao suicídio.
Nem mesmo a Força – a energia existente em todas as coisas vivas e que tão bem aceitou Anakin na sua transformação de garotinho difícil no mais poderoso cavaleiro jedi de todos os tempos – conseguiu controlar sua instabilidade. Desde a infância, garoto lá pelas bandas desérticas de Tatooine, Anakin era um impulsivo inveterado e tinha grande dificuldade para controlar sua raiva, alternando constantemente sentimentos de idealização e depreciação. Quando algo que queria era ameaçado, ou ferido, sai de perto. Tanto que, logo após a morte de sua mãe, Anakin teve de exterminar toda uma tribo de tuskans.
Só que, mais do que impulsividade e instabilidade, o que marca o borderline é a crise de identidade. O tempo todo Anakin se questionava sobre quem realmente era. E, ao longo da saga, isso fica mais grave. Anakin migra para as forças do mal, vira Darth Vader e só deixa de encarnar o perfil de maior vilão das galáxias ao ver o filho agonizar na sua frente. É quando novamente troca as trevas pela luz e decide morrer como bom moço. Quer mais crise de personalidade?

O borderline...
• Esforça-se freneticamente para não ser abandonado.
• Ora idealiza as pessoas, ora as desvaloriza.
• Tem imagem de si muito instável.
• Comporta-se impulsivamente: gasta sem parar, abusa de substancias, dirige imprudentemente...
• Faz ameaças ou gestos suicidas ou automutilantes.
• É afetivamente instável.
• Sente-se sempre vazio.
• Não consegue controlar a raiva.
• Tem idéias paranóicas.

(fonte: especial Superinteressante, abril 2011)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Você usa esmaltes?

A segurança dos esmaltes brasileiros foi posta a prova num teste realizado por um laboratório francês. De acordo com a “Folha Universal”, edição 996, a análise feita a pedido da ProTeste, órgão de defesa do consumidor, testou 12 esmaltes das marcas Impala, Colorama e Risqué. A análise encontrou substancias alergênicas nos esmaltes testados. De acordo com os padrões europeus de segurança, apenas os esmaltes da Colorama e os hipoalergênicos da Risqué (mais caros que os demais) seriam seguros. Os produtos testados da Impala foram reprovados. Os resultados dos testes foram encaminhados a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – e ao Ministério Publico.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cereais

Você certamente já viu esta cena de filme americano: O sujeito acorda, desce uma escada e chega à cozinha, onde frita ovos com bacon e põe sobre o pão, ou ainda melhor, enche uma tigela de cereais e derrama leite por cima, nos deixando com água na boca, e nos fazendo acreditar que este é um café da manhã saudável. Engano nosso: Que bacon não é um bom alimento todo mundo sabe. Mas o que muita gente não sabe é que os cereais que compramos não são “enriquecidos com cálcio” e nem têm “múltiplas vitaminas” como suas caixinhas anunciam. A verdade é que os processos industriais destroem quase todas as vitaminas dos grãos que vão para as máquinas, enfraquecendo-as. Quando as empresas anunciam que o cereal que estão vendendo é “enriquecido com cálcio” ou “possui três vezes mais vitaminas”, significa que eles tentaram repor o que tiraram. E saiba você que esta reposição que eles fazem ao final do processo de industrialização não devolve nem 60% das vitaminas que foram destruídas anteriormente.

(Marvin)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Sexo pela manhã melhora o humor o dia todo

Nós até podemos dizer que não era necessário um estudo para saber disso, afinal, não é nenhuma novidade que o sexo traz muitos benefícios a nossa saúde, inclusive influenciando no nosso humor, porém a educadora sexual Debby Herbenick, do Instituto Kinsey para Pesquisa sobre Sexo, Gênero e Reprodução da Universidade de Indiana, nos EUA, e autora do livro Because It Feels Good (Por que isso nos faz bem), resolveu estudar os efeitos do ato sexual pela manhã e concluiu que a liberação da substância química oxitocina, ocorrida durante o ato de fazer amor ao despertar, nos leva a ficar muito mais bem-humorados durante o dia.


Mas os benefícios do “sexo matinal” são muito mais abrangentes que isso, pois além de influenciar no nosso humor, ele aumenta nossas defesas imunológicas, fortalece nossos ossos e músculos, ou seja, em vez de correr para a academia, fique onde está, na horizontal, ao lado de seu parceiro(a).

É claro que com as responsabilidades e compromissos de nossa vida corrida não são muitos os casais que poderiam desfrutar de relações pela manhã, mas aí vai um alerta para as mulheres: vocês podem se surpreender com o grau de paixão de seus homens se os convencerem a continuar um pouco mais na cama, pois segundo a pesquisadora Gabrielle Lichterman: “Enquanto o macho dorme, a testosterona que ele usará para o dia seguinte é acumulada”, ela escreveu o livro “28 Days” e disse que os homens tendem a sentir o auge da excitação durante três horas após o despertar.

O fato é que sexo sempre é bom não importa a hora, se por uma lado durante a noite contribui para um sono mais tranquilo e relaxado, pela manhã nos ajuda em nossos relacionamentos pessoais e profissionais, até porque nos tornamos mais tolerantes e sociáveis, pois os efeitos ficam claros nas relações de trabalho e não diluídos numa noite de sono, mas no fim das contas, a melhor hora para se fazer amor é quando o desejo não pode esperar, para cada casal pode funcionar de um jeito diferente.

fonte: minilua.com

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Parabéns

Parabéns à senhorita Camila Franklin Cucco, psiquiatra, CRMSC 12979, que neste ano de 2011 deixará de atender dezenas de pacientes do SUS, inclusive eu. Não sei quais são seus motivos, mas uma coisa eu sei. Os médicos defendem a vida e bem estar do ser humano, e essa atitude da srta. Cucco contradiz completamente esse princípio, afinal essas pessoas, muitas delas com casos muito piores que o meu, terão que sair em mais uma via-crucis a procura de um novo psiquiatra no glorioso e eficiente sistema de saúde nacional. Talvez a srta. Cucco ache que seus pacientes pobres são idiotas, talvez ela jamais leia esse texto, mas eu espero que ela cruze o meu caminho mais uma vez, e que eu possa tratá-la da maneira como ela me tratou. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sobreviver no Brasil

Há três meses tenho meu remédio, que é de alto custo, fornecido pelo governo. Na ultima sexta, fui até a secretaria regional na minha cidade para pegar as caixas referentes a dezembro. Tinham sido mandadas apenas duas caixas, com a metade da dose que eu tomo. Como se não bastasse isso, tive que ouvir da funcionaria a seguinte frase: “esse aqui é de novembro, que você já devia ter tomado...”
O que a gente faz quando precisa muito de algo, e a única ajuda que você consegue te trata como refém, uma hora pode me ajudar, mas uma hora não pode? Não preciso falar do descaso da saúde publica nesse país. O que eu faço sem meu remédio? As pessoas acham que depressão é brincadeira, que você está assim porque quer. Quem toma antidepressivos não pode ficar sem eles, de jeito nenhum, é como ficar sem comer. Você não pode interromper bruscamente o tratamento, o paciente pode morrer. Falo do meu problema, mas não é apenas isso. Qualquer pessoa que faça uso crônico de um remédio precisa dele como de comida. E o governo faz de conta que é uma brincadeira, e não sei por que cargas d’água manda as coisas quando quer! Como se isso fosse pouco, põe palermas irresponsáveis para nos atender, e nós, que estamos doentes, que temos que nos submeter ao sistema, vamos com toda boa vontade todo o mês nesses lugares asquerosos pegar nossos remédios, e temos que ouvir uma irresponsável, incompetente, nos jogar na cara que não estamos tomando nossos remédios? Que brincadeira é essa? Ela acha o que, que perdemos nosso tempo lá para chegarmos em casa e jogar o remédio fora? Pensa cinqüenta vezes antes de falar, porque se eu fosse uma depressiva louca, poderia ter batido nessa vaca – o que, alias, tive muita vontade de fazer.
Esse é o país em que vivemos. E, apesar de eu estar aqui desabafando, sei que pouco adianta, porque não vai mudar. Pra mudar, tinha que nascer de novo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Como faz bem para a saúde (fonte: Revista Seleções 07/10)

Uma ou duas vezes por semana, produz 30% a mais de imunoglobulina A, que estimula o sistema imunológico, e reduz o risco de câncer, cardiopatia e AVC. Deixa as pessoas menos estressadas e mais contentes. Queima cerca de 96 calorias em uma “seção” de 20 minutos – imagine se demorar mais. É anti-histamínico, ou seja, combate sintomas da asma e rinite alérgica. Pessoas que praticam duas ou mais vezes por semana apresentam risco de morte 50% menor. Faz bem para o sono – ah, nada como dormir abraçado depois de se cansar. Enfim, com a pesoa certa, e na hora certa, só faz bem. Alguém sabe do que estou falando?