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quarta-feira, 9 de março de 2016

#366Acordes - Acorde #69 - Arrastão


#69 – 09/03/16 – “Arrastão”
Composição: Vinícius de Moraes/ Edu Lobo
Interpretação: Elis Regina

O tempo não volta. Como um rio, o mar, suas águas correm sem piedade, sem olhar para trás e sem remorso. Entre os anos 60 e 80, o Brasil viveu o período pesado do Regime Militar, mas, mesmo assim – ou por causa dele – foi na década de 60 que floresceu aquela que, na minha fecal opinião, foi a mais emblemática das manifestações culturais desse país bunda. Mesmo com a forte repressão cultural da época, os festivais de MPB nasceram e cresceram, alimentando a música popular brasileira. Transmitidos pelas maiores emissoras de TV da época – a Record, a Excelsior, a Globo e a TV Rio, despontaram grandes artistas e canções imortais.

A precursora de todos os festivais foi a TV Excelsior. Em 1965, o I Festival de Música Popular Brasileira revolucionou a música nacional – revolucionou mesmo, pois nos anos seguintes, os festivais pipocaram nas outras grandes emissoras. Os Festivais eram musicais de televisão em sua essência, que, diferentemente de hoje, primavam pela qualidade musical. Assim, no primeiro festival, a vencedora foi uma música emblemática. Arrastão, com letra de Vinícius de Moraes e melodia do grande Edu Lobo, se tornou uma canção histórica. Apesar da letra sem graça e brasileiramente pagã de Vinícius, a genialidade de Edu Lobo criou uma melodia e arranjos visionários para a época em que ainda predominava a bossa nova. Aliada à interpretação espalhafatosa e o vozeirão magnífico de Elis Regina, com 20 anos na ocasião, a canção rompeu com a intimista bossa nova, e se tornou, extraoficialmente, a primeira canção de MPB da história da música brasileira.

 (o único vídeo que encontrei com um trecho original da apresentação de Elis)


Eh! tem jangada no mar
Eh! eh! eh! Hoje tem arrastão
Eh! Todo mundo pescar
Chega de sombra e João Jôvi

Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É meu irmão me traz Iemanjá prá mim
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É meu irmão me traz Iemanjá prá mim

Minha Santa Bárbara me abençoai
Quero me casar com Janaína
Eh! Puxa bem devagar
Eh! eh! eh! Já vem vindo o arrastão
Eh! É a rainha do mar
Vem, vem na rede João prá mim

Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais se viu tanto peixe assim
Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais se viu tanto peixe assim


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