Submarino

terça-feira, 18 de março de 2014

Atualizando: A Guerra Fria nunca acabou

Kiev. Novembro de 2013. A população vai às ruas para forçar o então presidente ucraniano Viktor Yanukovich a fechar um acordo comercial com a União Europeia - UE, acordo este que vinha sendo negociado há três anos. Mas Viktor deu as costas ao povo e aceitou um pacote - leia-se empréstimo - bilionário da Rússia e um desconto no preço do gás natural
O povo reagiu, ocupando a prefeitura de Kiev. O governo reagiu com violência excessiva, mas a revolta continuou.

(tropas russas se dirigindo às áreas de conflito - foto: Band)


Houve um acordo de paz no fim de fevereiro, que não durou 24 horas. Viktor deixou o país, e um governo pró-UE assumiu. A população se dividiu: ocidente da Ucrânia pró-UE e oriente pró-Rússia. A Rússia não reconheceu tal ato, e o conflito começou. Tropas russas começaram a exercer o controle das áreas afetadas pela revolta.
Na Criméia, que foi transferida para a Ucrânia pela União Soviética em 1954, mais da metade da população se considera de origem russa, e apóia as decisões do Governo Russo. Na verdade, isso reflete o que acontece no resto da Ucrânia, onde há muita gente que apóia a Rússia. É na Criméia que está localizada a sede da poderosa Frota do Mar Negro, que pertence à Rússia.

Aproximadamente 80% das exportações de gás da Rússia para a Europa passa pela Ucrânia. A Rússia fornece um terço do gás que a Europa consome. Uma guerra afetaria o abastecimento. Já a Ucrânia é a terceira maior exportadora de trigo e milho do mundo, produção esta que também sofreria sérios abalos.

Diante da crise, até países como a Suécia e Polônia estão pensando em mudar a política de defesa e reforçar o orçamento militar. Caças americanos pousaram na Lituânia, e Obama ameaça a Rússia com sanções. Vários países ocidentais enviaram pedidos para mediar a crise, mas foram ridicularizados pelo Kremlin. Putin justifica suas ações afirmando que está defendendo a população de origem russa da Criméia, que inclusive fala o idioma russo no dia-a-dia. O Parlamento Regional da Criméia aprovou uma moção em que pede para fazer parte da Rússia. Cidadãos nas ruas afirmam que sentem-se protegidos com as tropas russas que se aproximam, e com os 25 navios enviados ao Mar Negro. 

(marinheiro ucraniano observa navios russos na Criméia - foto: Band)


O primeiro ministro russo diz que teme o ressurgimento da Guerra Fria. Na minha opinião, ela nunca morreu.

2 comentários:

Larissa Silva disse...

Parabéns, Sérgio, é incrível sua capacidade para fazer textos claros e concisos, passando a mensagem de maneira direta e competente. Parabéns, tenho muito orgulho de você. E também concordo, a cold war nunca morreu.

Sérgio Rodrigues disse...

Obrigado...