Submarino

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Mais um Silva

Difícil acreditar que um dia eu pararia para assistir o programa da Regina Casé. Mais difícil imaginar que eu pararia para escrever sobre isso. A morte é algo que nos paralisa, e quando a morte vem aliada a violência e a nossa impotência para agir, além de nos paralisar, nos entristece e nos revolta. O dançarino Douglas Rafael Pereira da Silva, conhecido como DG, foi assassinado no morro do Pavão Pavãozinho. Quase que identicamente à morte que ele viveu num curta metragem chamado Made in Brazil.

O DG era mais um Silva. Quando a Regina Casé perguntou à plateia quem era Silva, instintivamente eu quase levantei a mão. O Sérgio é quase um Silva também, porque sua mãe era Silva. Sua filha podia ser Silva. A morte desse rapaz ganhou a repercussão que ganhou pela sua fama, mas infelizmente é mais uma morte, como tantas nesse país, nos morros, nas favelas, nas cidades grandes e pequenas. Não são casos isolado, a morte dele não e mais ou menos triste do que tantas e tantas outras. A morte desse moço é mais uma tragédia, e ao mesmo tempo é única, como todas as outras, porque tragédia é sempre tragédia, morte é sempre morte, e violência é sempre violência. A mãe dele é mais uma mãe enterrando o filho morto pela violência do Brasil, a filhinha dele é mais uma criança a crescer sem pai. Imagina você perder seu filho, imagina você perder seu pai ou sua mãe, ou qualquer ente querido seu. Imagina você, pai de família, ver sua família destruida por uma bala, uma briga, uma injustiça que nos cala e nos prende, e nos revolta. Até quando vamos ver essa violência destravada nesse país sem pulso, essa violência que é somente um reflexo de um país sem freio, sem prioridades, de um país corrupto, até quando? E não adianta insistir em criticar somente políticos, a polícia, qualquer coisa, e não fazermos a nosso parte, educarmos nossos filhos, educarmos para o bem e a paz, educarmos para a justiça, exercermos nossa cidadania na frente da urna, nas ruas, em toda parte.

Esse rapaz é mais uma vítima, mais um de muitos sem nome, sem rosto. Mais um, como Joel Linhares da Costa, meu tio, assassinado aos 26 anos na saída de um baile Aqui, no interior de SC. Isso foi há 28 anos. O tempo passou e é difícil alguém que não conheça alguém que foi vítima da violência. 

Segundo site da revista Época (http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/os-25-paises-mais-violentos-do-mundo-brasil-e-o-18o), o Brasil é o 16° país mais violento do mundo. A maioria dos demais são nossos vizinhos da América Latina. E não é só arma de fogo que mata e agride. No dia 12 de abril, na cidade de Rio do Sul, a lageana Maristela Stringhini foi arrastada por 800 metros por um carro dirigido por uma criatura que eu não posso qualificar aqui. Maristela sobreviveu por um milagre, teve os seios mutilados e as mãos e braços queimados. Por causa de uma briga de transito. Maristela também é mais uma pessoa que foi arrastada por carros, algo que parece estar virando moda nesse país.

DG, Maristela, Joel, tantos e tantos e tantos outros. Temos medo de sair de casa, de viajar, e sermos assaltados, tenho medo de ver a pessoa que eu amo, que é bancário, ser assaltado em seu trabalho, ou coisa pior. Até quando seremos reféns do nosso país, da nossa sociedade, até quando?






UPDATE: após editar essa matéria, obtive uma informação contundente a respeito de certas ações do rapaz Douglas. Não muda o fato de que a violência é gritante em nosso país, não muda nenhuma das queixas que expus acima. Mas vamos averiguar esses fatos a respeito do rapaz assassinado, e me comprometo a trazer em breve essas informações aqui.

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