Submarino

domingo, 22 de maio de 2011

Você quer ser enfermeiro (a)?

Você já pensou em seguir a carreira de enfermagem?
Você, por acaso, percebeu que sua vocação é ser enfermeiro (a)?
Você tem certeza disso?
Então, você está ciente de que precisa estar preparado, ou aprender a se preparar para varias situações.
Um enfermeiro precisa estar preparado para fazer tirar a temperatura do paciente, levar seus remédios no horário certo, medir sua pressão arterial.
Um enfermeiro precisa estar preparado para fazer curativos. Desde curativos mais simples, como uma mão com um corte profundo, até o curativo de uma perna amputada.
Um enfermeiro precisa estar preparado para socorrer um doente, esteja ele desmaiado, infartado ou despedaçado.
Um enfermeiro enfrentará em seu dia-a-dia pessoas hipertensas, diabéticas, gripadas, operadas, sem perna, sem braço, ou com algum órgão para fora.
Um enfermeiro poderá cuidar de crianças, estejam elas com pneumonia, câncer, paralisia, estejam elas acidentadas, sem membros, esmagadas, queimadas. Limpas, sujas, vomitadas, evacuadas, fedidas, irritadas, chorando sem parar.
Um enfermeiro poderá cuidar de idosos. Simpáticos, antipáticos, cuidadosos, irresponsáveis, frágeis, muito frágeis, quebrados, sujos, insuportáveis. Poderão estar com febre, sem sono, sem querer comer, sem querer tomar remédios. Poderão estar despedaçados também. Poderão estar sozinhos, sem forças sequer para se virar na cama. Também poderão estar queimados.
Um enfermeiro poderá atender adultos doentes, ou acidentados. Poderão chegar ao hospital com uma crise diabética, ou infartados. Poderão chegar acidentados. Poderão ter partes do corpo esmagadas, membros despedaçados. Abdome aberto, víscera para fora. Poderão vomitar na sua cara, evacuar no momento do banho, ou da troca de fraldas. Poderão chegar ao hospital num emaranhado de intestinos, ou generosamente lavados em sangue. Talvez tenham AIDS.
Alem da AIDS, terão pneumonia, sífilis, hepatite, ou qualquer outra doença altamente contagiosa. Sem contar as visitas, os acompanhantes. Eles podem trazer uma doença bem grave ao hospital. Talvez nem saibam que tenham.
Um enfermeiro também participa de cirurgias. Partos, nasçam as crianças vivas ou mortas. Inteiras ou mutiladas. Pessoas poderão morrer na mesa de cirurgia. Lombrigas moles, brancas, geladas, compridas, inúmeras, como uma macarronada, sairão de inúmeros intestinos. Órgãos, membros, serão removidos. Também serão removidos amígdalas, hérnias, apêndices, tumores, e vários outros seres estranhos.
Também chegarão mulheres grávidas feridas no hospital. Seu feto poderá virar um retorcido de órgãos, disforme. Ou o feto sobrevivera, mas a mãe perecera sem saber que pariu uma criança. Ou mãe e filho serão queimados, mutilados, prensados.
Por falar em queimados, mãos, pés, pernas, órgãos internos serão queimados. Pior que isso, faces. Olhos, lábios, orelhas. Crianças, adultos e velhos, homens e mulheres ficarão irreconhecíveis.
Você ainda quer ser enfermeiro?
Ainda que você ainda queira ser enfermeiro, você precisa da característica fundamental de um profissional da saúde.
Paciência.
Você precisa entender que a pessoa que está lá, por mais errada que esteja, está doente. Com ou sem razão, você será o amigo de todo dia dela. Você levara seus remédios, você a verá humilhada, nua, suja, fedida. Você a verá quase virada num bebê indefeso e semiirracional. Você precisará ter paciência toda vez que a campainha tocar, mesmo que toque a cada 20 segundos, te impedindo de seguir tua rotina de banhos, remédios, pressão, soro, banhos, remédios, soro, pressão...
Você precisará ter paciência com a família. Respeitar não só o paciente, mas seus entes queridos. Você devera ajudá-los quando você for solicitado. Você deverá esperar o tempo do paciente se recuperar.
Enfim, você precisa se despir de sua vida, seus problemas. É difícil, mas lá, dentro do hospital, você carregara um pedacinho dos problemas de cada paciente que atender.
E aí, você ainda quer ser enfermeiro?

Pus-me a pensar nessa profissão tão nobre, e banalizada, depois que minha avó passou 10 dias no hospital, em virtude de uma cirurgia. Nada justifica, mas peço desculpas por ter ficado algum tempo sem blogar, mas esse imprevisto roubou nosso tempo no último mês. E nesse tempo, em que me dividi entre minha casa e o hospital, comecei a perceber quão delicado é um ambiente hospitalar, e quão despreparados estão muitos dos enfermeiros. Encontrei pessoas que nem mereciam ter um emprego, tão inúteis que são. Mas encontrei verdadeiros seres humanos, profissionais da saúde de uma competência e paciência grandiosas. Não só os enfermeiros, mas todos aqueles que trabalham no hospital: os profissionais da cozinha, da limpeza, da segurança. Cheguei a pensar se eu mesma teria alguma competência para ser enfermeira. Não tenho problemas com sangue ou pedaços de gente. Infelizmente as pessoas, a maioria mulheres, chegam num curso de enfermagem achando que sua função será apenas medir a pressão arterial de um doente, ou no máximo tirar uma amostra de sangue. E se desesperam quando se deparam com uma foto de uma pessoa sem cabeça. Mas o pior não é não ter estomago para assuntos viscerais. E não ter coração para atender de uma pessoa doente. E não saber ser educado e gentil sem deixar de ser profissional, ou pior, não saber ser nem educado, nem gentil, e, naturalmente, nem profissional. Em qualquer profissão você precisa ser educado e paciente, mas mais paciente quando trabalha diretamente com clientes, e mais paciente ainda quando seus “clientes” são doentes. Por isso, pense bem antes de decidir sua carreira, ou pense bem se você está na carreira certa. Já basta de enfermeiros grosseiros, verdadeiros animais. Mas, aos bons enfermeiros, parabéns a todos vocês. A carreira de vocês é uma via-crúcis, que vocês atravessam com nobreza dia a dia.

6 comentários:

unhas da pri disse...

Poxa adorei seu texto, você foi tao realista que no começo me assustei mas concordo com tudo o que vc falou, é a mais pura verdade, eu já acompanhei meu esposo em 2 cirurgias e hospital é tenso, eu tenho vontade de ser enfermeira mas há coisas que realmente acho que eu nao teria capacidade ou sangue frio suficiente, gosto de cuidar das pessoas e sou paciente mas enfermagem é mais que vontade, é vocaçao e muito amor ao proximo. Parabens pelo texto

Sérgio Rodrigues disse...

Agradeço em nome da Larissa! Obrigado! Continue acompanhando nossas postagens.

Daniel Ferreira disse...

Nunca tive vocação pra enfermagem. Mais como minha cidade nao tem muitas opções vou acabar fazendo enfermagem.. Só tenho medo de me arrepender depois

Daniel Ferreira disse...

Nunca tive vocação pra enfermagem. Mais como minha cidade nao tem muitas opções vou acabar fazendo enfermagem.. Só tenho medo de me arrepender depois

Daniel Ferreira disse...

Muito bom' eu ia cursar enfermagem esse ano, porém nunca tive vocação e nem vontade. Desisti, pois acabaria me arrependendo.

Sérgio Rodrigues disse...

É. Às vezes começamos um curso animados e acabamos vendo que não era exatamente isso que queríamos. Isso é bem complicado.