Submarino

sábado, 24 de janeiro de 2026

A Cultura do Ponto de Vista Sociológico e a Importância da CAIXA Cultural

A cultura nasce com o ser humano. É possível observar isso quando uma criança que ainda não sabe falar é vista cantarolando uma música qualquer, ou dançando inocentemente. Com a humanidade também foi assim: O homem começou a se organizar em sociedade há aproximadamente doze mil anos atrás. A escrita surgiu há quatro mil anos atrás e a partir daí surgiram as primeiras cidades, e posteriormente os grandes impérios. Mas a cultura, na forma da arte, veio muito antes: em 1995 em uma caverna na Eslovênia foi descoberta uma flauta de osso, cuja datação por carbono apontou ser de aproximadamente sessenta mil anos atrás, construída pelo nosso antepassado, o "Homem de Neandertal". 

A cultura é socialmente construída: ela se desenvolve no agrupamento de pessoas. É dinâmica: sempre se transforma e se adapta. É material e imaterial: Um bom exemplo disso é o crucifixo carregado por um cristão (um objeto material) que de acordo com suas crenças detém um poder de proteção (imaterial). 

A cultura é, juntamente com a linguagem, a identidade de um povo. E por este mesmo motivo a cultura é o primeiro alvo de governos autoritários e ditatoriais. Quando um governo ataca a cultura, desvalorizando-a ou sufocandoa, seu único objetivo é deter o controle de narrativas, distorcendo a História, eliminando a diversidade e neutralizando o pensamento crítico, pois a arte, a literatura, a música, o teatro, o cinema, todos são ferramentas de questionamento e resistência. 

Um exemplo disso é a proibição de livros e filmes (como já ocorreu na Alemanha nazista, na ditadura no Brasil em 1964, nos EUA sob o governo Trump e até mesmo atualmente em alguns estados brasileiros, onde livros como "O Diário de Anne Frank" e "1984" foram censurados), a desvalorização do conhecimento de povos nativos e a marginalização cultural.

A cultura não nasce da erudição, nasce do povo. O mesmo sentimento que inspirou Pablo Picasso a pintar o famoso quadro "Guernica" retratando o terrível bombardeio da cidade de Guernica durante a guerra civil espanhola pode inspirar também um menino da periferia a grafitar um muro criticando a ação violenta do Estado contra os menos favorecidos. A arte não escolhe cor, raça ou posição social. A cultura não é conservadora, é transformadora e libertadora, e na maioria das vezes nasce de momentos difíceis, como escape e protesto. 

A colonização cultural é o que ocorre quando impomos nossa própria cultura a outro povo, como no caso da cristianização dos indígenas pelos portugueses aqui no Brasil. Toda religião deve ser respeitada, mas nenhuma deve ser imposta a ninguém. Quanta riqueza cultural foi perdida pelo simples fato de que muitas tradições nativas foram consideradas "pecado" pelos missionários e jesuítas. A religião é uma característica cultural: Se você tivesse nascido no Japão ou na Índia, você seria um cristão? Provavelmente não. 

A apropriação cultural ocorre quando nos apropriamos de saberes de outros povos, sem muitas vezes dar a eles o devido crédito, como ocorreu também na história do Brasil: você sabia que muitas técnicas de cultivo foram aprendidas com os indígenas? Você sabia que os africanos que foram aqui escravizados possuíam técnicas de extração de ouro e diamantes que os portugueses e brasileiros desconheciam? Aprendemos com eles e negamos a eles a liberdade e o reconhecimento de seus saberes. 

É com a compreensão, aceitação e respeito pelas características individuais de cada ser humano e de cada grupo social que aprendemos a viver em sociedade de forma mais justa e equitativa. E foi com este intuito que a CAIXA, como banco público e instituição brasileira preocupada com o desenvolvimento social criou em 12 de agosto de 1980 em Brasília a CAIXA Cultural, que nasceu com o intuito de democratizar o acesso à arte e preservar o patrimônio cultural brasileiro. Cada unidade funciona como um centro cultural completo. Elas abrigam galerias de arte, teatros, salas de cinema, espaços para oficinas e leitura, e acervos históricos. A unidade de São Paulo, por exemplo, fica em um edifício histórico no centro e reúne o Museu da CAIXA, exposições, mobiliário antigo e documentos que contam parte da história financeira e social do país. 

A CAIXA Cultural se destaca por sua programação variada: artes visuais, teatro, dança, música, literatura e cinema. Muitas atividades são gratuitas ou têm preços populares, reforçando o compromisso de democratizar o acesso à cultura. Além de fomentar novas produções artísticas, ela também preserva a memória institucional da CAIXA, mantendo acervos, obras e documentos de grande valor histórico. Sua importância social está no fato de que contribui para a formação de público, valoriza a diversidade cultural brasileira e cria espaços de reflexão e convivência. A CAIXA Cultural Belém foi inaugurada no dia 8 de outubro de 2025 aumentando o alcance na divulgação da cultura.

A CAIXA Cultural mostra como uma grande instituição financeira pode exercer um papel social relevante, promovendo cultura, história e inclusão, e tornando a arte acessível a diferentes grupos da sociedade. Que sirva de exemplo para outras empresas e instituições, pois toda forma de cultura é válida e deve ser preservada. 

Parafraseando Umberto Eco: “Cultura é a tela invisível na qual cada ser humano pinta todos os dias um diálogo infinito entre símbolos e interpretações, buscando uma forma de compreender o outro, compreender o mundo em que vive, e consequentemente, compreender a si mesmo”.


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