Leonardo Gargioni. Esse indivíduo marcou seu nome na minha
fecal vida. E pelo pior motivo possível. Estava eu esperando fazer o nobre concurso do banco do Brasil, e
esse camarada senta do meu lado e põe uma calculadora científica gigante em
cima da mesa, e estica as pernas, como se estivesse esperando a professora
particular. Possivelmente membro de uma abastada família da minha patética cidade,
em função do seu sobrenome, o garoto não deu por si de que tal artefato eletrônico,
aliás, QUALQUER ARTEFATO ELETRÔNICO, é terminantemente proibido em um concurso
público. E o mancebo não se tocou. E eu, tal qual uma capricorniana típica, fui
me irritando. E toda a minha pouca concentração destinada à nobre prova foi
desviada desavergonhadamente para o moleque e a calculadora. Os fiscais
entregaram o gabarito, entregaram a prova – que, na capa, apresentava em letras
grandes, a advertência CELULARES E CALCULADORAS SÃO PRIBIDOS – e o garoto não
guardou a porra da calculadora. Quando o fiscal disse valendo podem começar, eu
não tive piedade. Chamei-o, e diante de toda sala disse:
TEM UMA PESSOA COM UMA CALCULADORA.
Não, mermão, nada de ser discreta e falar só pro candidato, baixinho. Não mesmo. Ele perdeu todas
as chances dele. Qualquer pessoa que se propõe a fazer uma prova de concurso
tem o dever cívico de ler o edital. Sim, vinte e poucas paginas. Tem que ler
sim. E, mesmo que você não leia, PROVA DE CONCURSO NÃO TEM CALCULADORA, PORRA!
ATÉ A MINHA MÃE SABE DISSO!
Pois é, o Leonardo ficou vermelho, se fez de desentido – se ele
realmente achava que podia fazer a prova com calculadora, e científica, é pior
ainda – e guardou a parada. Imaginei várias hipóteses. Um tiro a queima roupa,
assim que eu saísse da sala, minha conta do twitter raqueada, o parente médico
dele me atendendo e me dando veneno no lugar de remédio, qualquer coisa nesse
sentido. Mas não importa. Eu fiz um playboizinho da sociedade falida de Lages
passar vergonha. E isso não tem preço.
E ainda diz que gosta de Harry Potter, o cretino. A Hermione teria te dado um tapa, Malfoy.
"Ando tão fudido que nem bio tenho mais". Pelo menos uma coisa na vida dele tá certa.
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