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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Aos que não Viajam

Dizem que conhecer outros países muda o olhar. 

Talvez mude.

Dizem que conhecer outros países expande horizontes.

Talvez.

Mas usar um passaporte carimbado como certificado de evolução. É injusto.

Porque viajar custa dinheiro.

Passagem custa dinheiro.

Hospedagem custa dinheiro.

Tudo custa.

E quando você divide seu salário entre moradia, alimentação, transporte e outras contas a pagar, conhecer outro país não é uma opção pra você.

Não é falta de curiosidade.

Não é falta de cultura ou inteligência.

Significa apenas que você não tem privilégios.

Significa que você não partiu do mesmo lugar que essa gente que coleciona bandeirinhas no perfil.

Há quem conheça o mundo por aeroportos, e há quem conheça o mundo por livros.

Por filmes.

O cartão da biblioteca é seu passaporte.

O tamanho do mundo de uma pessoa não pode ser medido pela quantidade de carimbos em seu passaporte.

Immanuel Kant, entre outros, passou praticamente toda a vida em Königsberg e nunca viajou para fora da Prússia Oriental. Ainda assim, construiu uma das obras filosóficas mais influentes da modernidade.

Você não precisa atravessar o oceano pra descobrir mundos e evoluir, porque há mundos que se descobrem por dentro, e são, na maioria das vezes, mais ricos e belos.

Você pode nunca ter visto Paris.

Pode nunca ter caminhado pelas ruas de Copenhague.

E ainda assim pode ter passado uma noite lendo Dostoiévski e acordado no dia seguinte vendo o mundo de outra maneira.

Pode ter descoberto Victor Hugo, Hannah Arendt, Simone de Beauvoir, Clarice Lispector ou Machado de Assis e percebido que existe um universo inteiro escondido dentro daquilo que pensamos ser a nossa própria vida.

Pode ter conhecido mais sobre o mundo sentado numa cadeira do que alguém conheceu em dez aeroportos.

Viajar é bom, mas transformar isso em medida de evolução pessoal é injusto.

Porque existe uma espécie de elitismo escondido na ideia de que a mente só se expande quando o corpo atravessa fronteiras.

Como se uma pessoa que nunca saiu do país tivesse uma vida intelectualmente menor.

Como se o passaporte fosse um certificado de profundidade.

Não é.

Há pessoas que viajaram o mundo inteiro e voltaram exatamente iguais.

E há pessoas que nunca puderam sair da própria cidade e passaram a vida inteira viajando por ideias.

A diferença não está necessariamente na distância percorrida.

Está na disposição de olhar além de si mesmo.

Talvez você nunca tenha dinheiro para conhecer outro continente.

Mas você pode continuar lendo.

Pode estudar.

E talvez uma das melhores formas de viajar seja justamente essa:

Chegar a uma nova versão de si mesmo.

Sem avião.

Sem hotel.

Sem passaporte.

Porque existem fronteiras que nenhum avião atravessa.

E, às vezes, a viagem mais transformadora não é aquela que nos leva para longe de casa.

É aquela que nos leva para longe de quem éramos antes.

E nos faz entender que nem todos são privilegiados.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Vídeo de Segurança da Air New Zealand - ÉPICO

A Air New Zealand, que se autodenomina com razão "A Companhia oficial da Terra Média", lançou um vídeo épico para demonstrar os procedimentos de segurança nos aviões. O vídeo usa elementos de "A Batalha dos Cinco Exércitos" proporcionando uma agradável experiência aos passageiros.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

#365Livros - #Livro30 - GATO PRETO EM CAMPO DE NEVE




Gato preto em campo de neve
Érico Veríssimo

Foi o primeiro livro de viagens que li – por enquanto, o único. Érico Veríssimo, além de ter dado a vida ao maior escritor do Brasil, tem o mérito de escrever sobre várias coisas, e maravilhosamente bem, desde as obras que eu, particularmente não gosto, da história e costumes do RS, até histórias de cotidiano, e, dessa vez, Érico resolver narrar sua viagem aos Estados Unidos. Era o ano de 1941 – seu filho Luis Fernando era, então, um pirralho na primeira infância. Érico embarcou no vapor Argentina coitado, para passar três meses no Tio Sam. Imaginem os Estados Unidos que Érico encontrou há 70 anos. Com sua sagacidade literária Érico nos traz seu encontro com Hollywood, Nova York, Washington. Desde aquela época os americanos já achavam que no Brasil se fala espanhol, – vai ver, eles vêm à Florianópolis – e como nos dá inveja quando Érico fala como encontrou pessoas do naipe de Thomas Mann e Walt Disney. Um relato dos EUA dos anos quarenta por um dos maiores escritores do Brasil.
Quem é o gato preto? Se minha memória não estiver falha, é o trem que Érico usou, num dia de muita neve.