terça-feira, 8 de novembro de 2011

O que isso tem a ver com a Apple???

O trabalho e o sucesso de Steve Jobs, e toda a evolução que causou em nossa sociedade não deveriam ser comparados a coisas tão sem sabor e importância.

domingo, 6 de novembro de 2011

Memórias do Século XXI - por Max Gehringer (Capítulo 2)

Continuarei publicando aqui o texto de Max Gehringer "Memórias do século XXI conforme prometido, divirtam-se:

Capítulo 2

LOCAL

O sistema jurássico de trabalho era coletivo, e as empresas até usavam jargões como “team-work” para incentivar essas aglomerações, sem atentar para o fato de que elas eram uma fonte de proliferação de micróbios. O ponto de encontro era o escritório, um lugar onde os funcionários escreviam, daí a origem da palavra. Eram área enormes, onde pessoas se amontoavam em cubículos e passavam a maior parte do tempo produzindo “documentos”, cuja principal finalidade era a de servir como evidência física de que as pessoas estavam ocupadas. Após produzidos, os documentos eram imediatamente “arquivados”, de preferência em lugares onde nunca mais pudessem ser localizados. Isso na época tinha o mesmo nome de hoje, “burocracia”. A diferença é que os atrasados do século XX faziam tudo com oito cópias, e nós, 150 anos depois, conseguimos reduzir para sete.


INDIVIDUALIDADE

O primeiro passo para erradicar o coletivismo inútil foi o “SoHo” (Small Office, Home Office), uma sigla surgida aí por 2000, que permitia aos funcionários trabalhar, confortável e produtivamente, em suas próprias casas. No Brasil, uma das conseqüências imediatas do SoHo foi o aparecimento de uma variante esperta, o “SoNo”. O que obviamente implicou num aumento brutal da quantidade de documentos produzidos, porque só assim os chefes acreditariam que seus funcionários estavam acordados em suas casas. Depois do SoHo veio o “SoCo”, aí por 2050. O “Co”, todo mundo sabe, significa Chip Office. Foi quando as corporações conseguiram implantar um microchip em cada funcionário para controlá-lo 24 horas por dia, desde o batimento cardíaco até o nível de atividade dos neurônios. Uma das características do SoCo que mais agradou às chefias – além do comando de “wake up call” – foi a possibilidade de emitir um choque elétrico remoto quando o funcionário atrasasse a remessa de um documento.
(continua)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Monte Saint-Michel - França

Seu antigo nome é Mons Sancti Michaeli in periculo mari (Monte Saint-Michel em perigo do mar). Nesta ilha, no ano 708, o bispo Aubert de Avranches mandou construir um santuário em honra a São Miguel Arcanjo. No século X os monges beneditinos instalaram-se na abadia e uma pequena vila foi se formando aos seus pés.

O Monte Saint-Michel já foi fortaleza na Guerra dos Cem Anos, resistindo aos ingleses sem nunca ser tomada. De 1789 até 1863 foi utilizada como prisão. É considerado Patrimônio Mundial desde 1979 e foi declarado Monumento Histórico em 1987.

A ilha liga-se ao continente através de uma ponte natural que é coberta pelo mar na maré alta, isolando o monte e tornando a paisagem ainda mais bela, fazendo deste local o ponto turístico mais visitado da Normandia com cerca de 3.200.000 visitantes por ano.

Os fãs de Cornwell já conhecem o local. Ele aparece como Ynys Trebes no livro “O Rei do Inverno”. Abaixo, um trecho do livro descrevendo Saint Michel:

“Ouvi homens dizerem que nenhuma cidade, nem mesmo Roma ou Jerusalém, era tão bela quanto Ynis Trebes, e talvez esses homens falassem a verdade, porque apesar de não ter visto aquelas outras, conheci Ynis Trebes, e era um local de maravilhas, uma cidade espantosa, o lugar mais bonito que já vi. Era construída numa íngreme ilha de granito dentro de uma baía ampla e rasa que podia se encher de espuma e uivar com o vento, mas dentro de Ynis Trebes tudo ficava calmo. No verão a baía tremulava de calor, mas dentro da capital de Benoic sempre parecia fresco, Guinevere teria amado Ynis Trebes, porque todas as coisas antigas eram consideradas tesouros, e nada de feio tinha permissão de manchar sua graça.

Os romanos estiveram em Ynis Trebes, claro, mas não a haviam fortificado, apenas construído um par de vilas no cume. As vilas continuavam ali: o rei Ban e a rainha Eliane tinham-nas juntado e depois aumentado, pilhando edifícios romanos no continente em busca de colunas, pedestais, mosaicos e estátuas, de modo que agora o cume da ilha era coroado por um palácio arejado, cheio de luz, onde cortinas de linho branco balançavam a cada sopro de vento do mar brilhante. A ilha era mais facilmente alcançada por barco, mas havia uma espécie de caminho que era coberto a cada maré alta, e que na maré baixa podia ficar traiçoeiro com areias movediças. Cordas de vime marcavam o caminho, mas o surgimento das gigantescas marés da baía arrastavam as marcas e apenas um idiota tentaria a passagem sem contratar os serviços de um guia local para se desviar da areias sugadoras e dos riachos trêmulos. Nas marés baixas, Ynis Trebes emergia do mar e ficava em emio a uma vastidão de areias onduladas, cortadas por sulcos e poças, enquanto nas marés mais altas, quando o vento soprava forte do oeste, a cidade era como um navio monstruoso abrindo caminho intrepidamente pelos mares tumultuosos.

Abaixo do palácio havia um amontoado de construções menores que se agarravam às íngremes encostas de granito como ninhos de aves marinhas. Havia templos, lojas, igrejas e casas, tudo caiado, tudo feito de pedra, tudo enfeitado com esculturas e decorações que não foram desejadas no alto palácio de Ban, e todos dando para a estrada pavimentada de pedras que subia em degraus em volta da ilha, até a casa real. Havia um pequeno cais de pedra no lado leste, onde os barcos podiam atracar, mas apenas no tempo mais calmo a atracação era possível, e por isso os nossos navios tinham nos deixado num lugar seguro, a um dia de marcha a oeste. Além do cais havia um pequeno porto que não passava de uma piscina de maré protegida por bancos de areia. Na maré baixa a piscina era separada do mar, enquanto na alta o abrigo era precário sempre que o vento estava no norte. Em volta de toda a base da ilha, a não ser nos lugares onde o granito era íngreme demais para se subir, um muro de pedra tentava manter à distância o mundo exterior. Fora de Ynis Trebes era o tumulto, os inimigos francos, sangue, pobreza e doença, enquanto dentro da muralha ficava o aprendizado, a música, a poesia e a beleza”.

Saint Michel: Beleza, História e Poesia...








quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sudão Meridional

Surge no cenário mundial a República do Sudão Meridional, em nove de julho de 2011, dia de sua independência. A região obteve autonomia concedida pelo governo Sudanês através do Tratado de Naivasha, assinado em nove de janeiro de 2005 com o Exército Popular de Libertação do Sudão, numa tentativa de parar a segunda guerra civil sudanesa. O Novo Sudão, como também é chamado, surge como um dos países mais pobres do mundo, onde 73% da população é analfabeta, apenas 5% da população tem acesso à energia elétrica. A água tratada atinge somente 55% da população e a rede de esgotos, apenas 20%. No país todo, há apenas 60 km de asfalto. O resto são ruas de terra batida e algumas ruas pavimentadas na capital, Juba. De cada 1000 crianças que nascem, morrem 102. Muitos dos refugiados que fugiram durante a guerra civil estão agora retornando, tornando pior ainda a situação do país. Apesar de possuir 75% das reservas de petróleo do antigo Sudão, não há muito que ser feito, pois os portos e os oleodutos ficaram ao norte.
Na minha mania de duvidar de tudo, imagino que não foram as boas intenções e o desejo de liberdade que levaram os líderes do Sudão do Sul a proclamarem esta “independência”. Tem alguém ganhando com isso. Essas regiões petrolíferas sempre se tornam alvo de guerras e disputas movidas pela cobiça humana. Logo este país miserável que surgiu agora estará recebendo “ajuda humanitária” de outros países mais fortes e preocupados com a “liberdade e dignidade” do povo sudanês, mas também de olho em todo este petróleo que está ali sem condições de ser extraído e transportado. Não existe bondade, existem apenas desculpas para a bondade, esperando sempre algo em troca. É assim que caminha a humanidade.