quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Aos que não Viajam

Dizem que conhecer outros países muda o olhar. 

Talvez mude.

Dizem que conhecer outros países expande horizontes.

Talvez.

Mas usar um passaporte carimbado como certificado de evolução. É injusto.

Porque viajar custa dinheiro.

Passagem custa dinheiro.

Hospedagem custa dinheiro.

Tudo custa.

E quando você divide seu salário entre moradia, alimentação, transporte e outras contas a pagar, conhecer outro país não é uma opção pra você.

Não é falta de curiosidade.

Não é falta de cultura ou inteligência.

Significa apenas que você não tem privilégios.

Significa que você não partiu do mesmo lugar que essa gente que coleciona bandeirinhas no perfil.

Há quem conheça o mundo por aeroportos, e há quem conheça o mundo por livros.

Por filmes.

O cartão da biblioteca é seu passaporte.

O tamanho do mundo de uma pessoa não pode ser medido pela quantidade de carimbos em seu passaporte.

Immanuel Kant, entre outros, passou praticamente toda a vida em Königsberg e nunca viajou para fora da Prússia Oriental. Ainda assim, construiu uma das obras filosóficas mais influentes da modernidade.

Você não precisa atravessar o oceano pra descobrir mundos e evoluir, porque há mundos que se descobrem por dentro, e são, na maioria das vezes, mais ricos e belos.

Você pode nunca ter visto Paris.

Pode nunca ter caminhado pelas ruas de Copenhague.

E ainda assim pode ter passado uma noite lendo Dostoiévski e acordado no dia seguinte vendo o mundo de outra maneira.

Pode ter descoberto Victor Hugo, Hannah Arendt, Simone de Beauvoir, Clarice Lispector ou Machado de Assis e percebido que existe um universo inteiro escondido dentro daquilo que pensamos ser a nossa própria vida.

Pode ter conhecido mais sobre o mundo sentado numa cadeira do que alguém conheceu em dez aeroportos.

Viajar é bom, mas transformar isso em medida de evolução pessoal é injusto.

Porque existe uma espécie de elitismo escondido na ideia de que a mente só se expande quando o corpo atravessa fronteiras.

Como se uma pessoa que nunca saiu do país tivesse uma vida intelectualmente menor.

Como se o passaporte fosse um certificado de profundidade.

Não é.

Há pessoas que viajaram o mundo inteiro e voltaram exatamente iguais.

E há pessoas que nunca puderam sair da própria cidade e passaram a vida inteira viajando por ideias.

A diferença não está necessariamente na distância percorrida.

Está na disposição de olhar além de si mesmo.

Talvez você nunca tenha dinheiro para conhecer outro continente.

Mas você pode continuar lendo.

Pode estudar.

E talvez uma das melhores formas de viajar seja justamente essa:

Chegar a uma nova versão de si mesmo.

Sem avião.

Sem hotel.

Sem passaporte.

Porque existem fronteiras que nenhum avião atravessa.

E, às vezes, a viagem mais transformadora não é aquela que nos leva para longe de casa.

É aquela que nos leva para longe de quem éramos antes.

E nos faz entender que nem todos são privilegiados.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Panelinhas - do Ponto de Vista Sociológico

Fiquei perdido por um longo tempo em meus pensamentos ao analisar o porquê da existência de "panelinhas", seja no trabalho, na escola ou em outro lugar qualquer onde mamíferos bípedes que se autoafirmam racionais se aglomerem.

Ao pensar nisso, eu estava tentando entender por que pessoas capazes de compreender os mecanismos sociais continuam reproduzindo esses mesmos mecanismos, gastando tempo em atividades voltadas predominantemente à manutenção do reconhecimento dentro do grupo.

Bourdieu afirma que as pessoas acumulam vários tipos de capital: econômico, cultural, social, simbólico... e a panelinha protege um tipo de capital social: uma rede de contatos, um status social. Assim, não importa o nível intelectual dos envolvidos, pois permanecendo juntos, eles reforçam este tipo de capital e geram oportunidades e identidade para os integrantes da panelinha, diferenciando quem está dentro de quem está fora. E por este motivo, um carro caro, um cargo, uma renda mais alta, uma casa mais luxuosa, vinhos caros e viagens exclusivas deixam de ser objetos ou objetivos, tornam-se símbolos de pertencimento, e ao mesmo tempo, excluem quem não os possui.

O conceito de gaiola de ferro de Weber pode ser aplicado aqui: o pertencimento deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação racional para preservar posição, oportunidades e reconhecimento. As pessoas confundem meios com fins: 

- O cargo deveria servir à realização de um trabalho;

- O dinheiro deveria servir para melhorar a vida e quem sabe ajudar outros;

- O carro deveria ser um meio de locomoção;

- O prestígio deveria ser consequência de uma contribuição.

Durkheim afirma que o ser humano precisa de integração social, independente se isso exclui outros, ou seja, mesmo que ele perceba que a corrida por cargos, estilo de vida e status é vazia, ele continua participando do jogo para evitar a ausência de vínculos.

A sociedade cria uma visão de mundo considerada "normal", e mesmo nesse pequeno mundo da panelinha, uma pessoa pode ler e compreender filosofia, sociologia, história, pode perceber que o consumismo é fútil e a luta por status é vazia, e mesmo assim se recusar a sair da panelinha para não perder pertencimento, aprovação por seus pares e distinção social, pois ela não quer deixar de participar do "mundo normal" e correr o risco de ser taxada de "estranha".

Na panelinha, a pessoa não quer ser a mais lúcida do grupo, mesmo sendo. Ela pode ler vários livros, estudar, se graduar, falar vários idiomas, compreender as relações sociais e suas diferenças e injustiças, mas prefere obter aprovação do grupo e distinção social. Por que conversar com alguém "diferente" sobre ficção científica, cinema, livros - mesmo gostando muito destes assuntos - quando pode falar sobre vinhos com membros da panelinha e manter o prestígio?

O conhecimento adquirido por uma pessoa que se mantém na panelinha não gera transformação ou algum outro resultado, se torna apenas decoração, como um quadro na parede ou um vaso caro e inútil na mesa.

O ser humano independente desapega das disputas sociais. Você nunca ouvirá esta pessoa te perguntar quanto você ganha, qual seu cargo, qual carro você tem, quais países você conhece ou quais locais você frequenta. Mas a sociedade continua organizada em torno destas referências. 

O ser humano independente é autônomo intelectualmente, possui opinião própria e embasada, é crítico, é livre. Porém, encontra cada vez menos pessoas com quem compartilhar esta visão.

O integrante da panelinha não acumulou conhecimento para ser livre, acumulou conhecimento apenas para reforçar sua posição dentro da panelinha.

Uma triste verdade: a pessoa compreende o mecanismo do sistema, mas decide não abandoná-lo. 

Outra triste verdade: quanto mais você valoriza conhecimento intelectual e cultura genuínos, e organiza sua vida em torno disso, menos amigos você terá.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Kimberly Wexler - A Coerência que Seduz

    Na série Better Call Saul, a personagem Kim Wexler marcou mais que o próprio Saul. Ela é a advogada que não muda sua essência, independente do cenário ou situação em que ela esteja. A Kim pode estar fazendo um trabalho pro bono ou advogando para a poderosa Mesa Verde Bank and Trust, pode estar morando em um belo apartamento ou numa casa simples alugada, pode estar almoçando num restaurante chique ou lanchando na Dog House... ela continua sendo a mesma Kim. Não há arrogãncia, não há mudança de perfil, não há hipocrisia: sua essência se mantém. Isso é coerência interna, isso é inteireza. 

Ao contrário de muitas pessoas que conhecemos, a Kim não muda de acordo com seu cenário. Ela se mantém, ela se sustenta, ela permanece a mesma. Ela não precisa de status pra se sentir válida, ela não precisa de dinheiro pra ser quem é, ela não depende de validação externa para sustentar sua identidade. 


Ela consegue estar num ambiente elitizado sem se vender, e consegue também estar num lugar humilde sem se diminuir por isso. Ela pode fazer o certo ou o errado, mas sustenta sua escolha.

Pensadores como Jean-Paul Sartre nos ensinam que somos livres, mas estamos condenados a fazer escolhas e nos tornamos responsáveis pelo que nos tornamos. Kim é exemplo disso: ela sabe o que está fazendo, não se esconde atrás de desculpas e escolhe conscientemente - inclusive o erro. Isso a torna autêntica, mesmo quando suas ações não são totalmente boas.

Kim é fascinante porque possui caracterísiticas difíceis de reunir. Ela tem consciência moral, liberdade real e disposição de arcar com as consequências. Isso é autenticidade, Há pessoas que constroem uma identidade para os outros verem, precisam mostrar evolução, precisam sinalizar status, precisam "parecer", fazendo brilhar seu papel no teatro social. Já a Kim Wexler não anuncia quem é, não precisa provar nada, não faz propaganda de si mesma. Ela não "se torna alguém", ela já é.

Por um mundo com mais Kim Wexler e menos teatro social. Um mundo onde o valor não seja provado por "conquistas" e "evoluções", onde a dignidade não venha do cargo ou do salário, mas da coerência. Por um mundo onde a humildade não seja encenada. Por um mundo onde o valor verdadeiro apareça sem precisar grifar. Por um mundo onde as pessoas valham pelo que são, não pelo que parecem.

sábado, 24 de janeiro de 2026

A Cultura do Ponto de Vista Sociológico e a Importância da CAIXA Cultural

A cultura nasce com o ser humano. É possível observar isso quando uma criança que ainda não sabe falar é vista cantarolando uma música qualquer, ou dançando inocentemente. Com a humanidade também foi assim: O homem começou a se organizar em sociedade há aproximadamente doze mil anos atrás. A escrita surgiu há quatro mil anos atrás e a partir daí surgiram as primeiras cidades, e posteriormente os grandes impérios. Mas a cultura, na forma da arte, veio muito antes: em 1995 em uma caverna na Eslovênia foi descoberta uma flauta de osso, cuja datação por carbono apontou ser de aproximadamente sessenta mil anos atrás, construída pelo nosso antepassado, o "Homem de Neandertal". 

A cultura é socialmente construída: ela se desenvolve no agrupamento de pessoas. É dinâmica: sempre se transforma e se adapta. É material e imaterial: Um bom exemplo disso é o crucifixo carregado por um cristão (um objeto material) que de acordo com suas crenças detém um poder de proteção (imaterial). 

A cultura é, juntamente com a linguagem, a identidade de um povo. E por este mesmo motivo a cultura é o primeiro alvo de governos autoritários e ditatoriais. Quando um governo ataca a cultura, desvalorizando-a ou sufocandoa, seu único objetivo é deter o controle de narrativas, distorcendo a História, eliminando a diversidade e neutralizando o pensamento crítico, pois a arte, a literatura, a música, o teatro, o cinema, todos são ferramentas de questionamento e resistência. 

Um exemplo disso é a proibição de livros e filmes (como já ocorreu na Alemanha nazista, na ditadura no Brasil em 1964, nos EUA sob o governo Trump e até mesmo atualmente em alguns estados brasileiros, onde livros como "O Diário de Anne Frank" e "1984" foram censurados), a desvalorização do conhecimento de povos nativos e a marginalização cultural.

A cultura não nasce da erudição, nasce do povo. O mesmo sentimento que inspirou Pablo Picasso a pintar o famoso quadro "Guernica" retratando o terrível bombardeio da cidade de Guernica durante a guerra civil espanhola pode inspirar também um menino da periferia a grafitar um muro criticando a ação violenta do Estado contra os menos favorecidos. A arte não escolhe cor, raça ou posição social. A cultura não é conservadora, é transformadora e libertadora, e na maioria das vezes nasce de momentos difíceis, como escape e protesto. 

A colonização cultural é o que ocorre quando impomos nossa própria cultura a outro povo, como no caso da cristianização dos indígenas pelos portugueses aqui no Brasil. Toda religião deve ser respeitada, mas nenhuma deve ser imposta a ninguém. Quanta riqueza cultural foi perdida pelo simples fato de que muitas tradições nativas foram consideradas "pecado" pelos missionários e jesuítas. A religião é uma característica cultural: Se você tivesse nascido no Japão ou na Índia, você seria um cristão? Provavelmente não. 

A apropriação cultural ocorre quando nos apropriamos de saberes de outros povos, sem muitas vezes dar a eles o devido crédito, como ocorreu também na história do Brasil: você sabia que muitas técnicas de cultivo foram aprendidas com os indígenas? Você sabia que os africanos que foram aqui escravizados possuíam técnicas de extração de ouro e diamantes que os portugueses e brasileiros desconheciam? Aprendemos com eles e negamos a eles a liberdade e o reconhecimento de seus saberes. 

É com a compreensão, aceitação e respeito pelas características individuais de cada ser humano e de cada grupo social que aprendemos a viver em sociedade de forma mais justa e equitativa. E foi com este intuito que a CAIXA, como banco público e instituição brasileira preocupada com o desenvolvimento social criou em 12 de agosto de 1980 em Brasília a CAIXA Cultural, que nasceu com o intuito de democratizar o acesso à arte e preservar o patrimônio cultural brasileiro. Cada unidade funciona como um centro cultural completo. Elas abrigam galerias de arte, teatros, salas de cinema, espaços para oficinas e leitura, e acervos históricos. A unidade de São Paulo, por exemplo, fica em um edifício histórico no centro e reúne o Museu da CAIXA, exposições, mobiliário antigo e documentos que contam parte da história financeira e social do país. 

A CAIXA Cultural se destaca por sua programação variada: artes visuais, teatro, dança, música, literatura e cinema. Muitas atividades são gratuitas ou têm preços populares, reforçando o compromisso de democratizar o acesso à cultura. Além de fomentar novas produções artísticas, ela também preserva a memória institucional da CAIXA, mantendo acervos, obras e documentos de grande valor histórico. Sua importância social está no fato de que contribui para a formação de público, valoriza a diversidade cultural brasileira e cria espaços de reflexão e convivência. A CAIXA Cultural Belém foi inaugurada no dia 8 de outubro de 2025 aumentando o alcance na divulgação da cultura.

A CAIXA Cultural mostra como uma grande instituição financeira pode exercer um papel social relevante, promovendo cultura, história e inclusão, e tornando a arte acessível a diferentes grupos da sociedade. Que sirva de exemplo para outras empresas e instituições, pois toda forma de cultura é válida e deve ser preservada. 

Parafraseando Umberto Eco: “Cultura é a tela invisível na qual cada ser humano pinta todos os dias um diálogo infinito entre símbolos e interpretações, buscando uma forma de compreender o outro, compreender o mundo em que vive, e consequentemente, compreender a si mesmo”.

Saiba mais e veja as fotos das unidades Caixa Cultural

domingo, 8 de dezembro de 2024

Para os que Levantam Cedo e Enfrentam o Mundo

       Hoje o valor de uma pessoa é medido por padrões de sucesso que ignoram as realidades da maioria. O discurso da meritocracia nos diz que quem não chegou lá é porque não se esforçou o suficiente. Mas a verdade é outra: o ponto de partida nunca é igual para todos.

Você, que acorda antes do sol, enfrenta transporte lotado, um trabalho exaustivo e, ainda assim, volta pra casa com um salário que mal paga as contas, precisa saber que o problema nunca foi você. Você trabalha duro, luta por sua família e faz o que pode com o que tem. O que falta ao mundo é reconhecer que essa sua força é o verdadeiro mérito.

O sistema em que vivemos favorece quem já começou a corrida com vantagens — seja pela herança de riqueza, pela educação de qualidade ou pelas conexões que abrem portas. Enquanto isso, o seu esforço muitas vezes é invisibilizado. Não porque vale menos, mas porque não gera o tipo de lucro que o capitalismo aplaude.

Você não é menos por não ter carimbos no passaporte, ou nem mesmo passaporte, ou uma casa grande e bonita. Você é a engrenagem que mantém o mundo funcionando. Você, que constrói, limpa, cuida, organiza e faz o básico acontecer, merece respeito.

Aqueles que apontam o dedo e chamam você de "perdedor" não enxergam o privilégio que os colocou onde estão. Eles não entendem o peso que você carrega todos os dias, nem a dignidade que há em fazer o melhor com o pouco que a vida te ofereceu.

Seu valor não está no status, bens materiais ou em viagens luxuosas. Está na sua humanidade, no seu esforço silencioso e, principalmente, na sua resistência. Porque, apesar de tudo, você segue em frente, dia após dia. E isso é algo que nem o dinheiro mais sujo ou a vida mais fácil pode comprar.

Mesmo que ninguém te diga isso, saiba: você importa. O mundo só funciona porque pessoas como você existem. E é no trabalho honesto e na luta cotidiana que está a verdadeira grandeza. E como já disse o sábio mago Gandalf:

“I have found it is the small things, everyday deeds of ordinary folk that keep the darkness at bay. Simple acts of kindness and love.”

("Eu descobri que são as pequenas coisas, os atos cotidianos de pessoas comuns que mantêm as trevas afastadas. Simples atos de bondade e amor.")

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Distorcendo Valores

As coisas que acontecem na sociedade humana, que se considera evoluída e superior, têm me perturbado. É surpreendente observar até onde chegamos com nossas novas manias e tendências. A constante inversão de valores em relação às coisas e às pessoas é algo preocupante e me leva a questionar: até quando isso vai?

Vivemos em uma era em que os avanços tecnológicos e o progresso material têm ocupado um lugar central em nossas vidas. No entanto, nessa busca incessante por conquistas e acumulação de bens materiais, muitas vezes esquecemos do verdadeiro valor que as pessoas ao nosso redor possuem.

É triste constatar que o ser humano parece ter dificuldade em reconhecer a importância das relações interpessoais e o impacto que elas têm em nossas vidas. Estamos mergulhados em uma cultura do individualismo, em que o egoísmo muitas vezes é confundido com uma doença social.

Esquecemos que são as pessoas que nos rodeiam, nossos familiares, que nos oferecem suporte, no entanto, trocamos as relações pessoais por objetos, metas, pets (sim, tudo que é demais prejudica), ou qualquer outra coisa, negligenciando as relações familiares!

É necessário um despertar do cultivo de relações saudáveis. Devemos lembrar que somos seres sociais e que nosso bem-estar está diretamente ligado à qualidade dos laços que estabelecemos com as pessoas ao nosso redor.

Precisamos repensar nossas prioridades e colocar em prática uma cultura baseada na empatia, solidariedade e respeito mútuo. Somente assim poderemos construir uma sociedade mais humana, na qual as pessoas sejam valorizadas pelo que são.

É fundamental reconhecer que nada deve sobrepor-se à importância das relações humanas.

Portanto, cabe a cada um de nós refletir sobre nossas ações e escolhas, buscando priorizar o que realmente importa: as pessoas que nos rodeiam. É através do reconhecimento do valor humano e do fortalecimento dos vínculos interpessoais que poderemos construir uma sociedade mais justa, equilibrada e verdadeiramente evoluída.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Hora de Tirar as Máscaras?

Seiscentos e cinquenta mil mortos. Famílias que perderam o pai, a mãe, filhos, avós... este é até agora o saldo da pandemia que assolou o mundo e ainda não acabou. Mas no Brasil - esta terra de faz de conta onde o que importa é a aparência - o governo decidiu que a Covid já é uma endemia, e que as máscaras não precisam mais ser utilizadas.

Depois de receitar remédio para vermes para ser usado contra a Covid, depois de criticar a vacina e desprezar os cientistsas, médicos e pesquisadores que tentavam em vão esclarecer a população contra os perigos da doença, o governo brasileiro, na pessoa do desprezível Jair Bolsonaro e também os governadores dos estados, desobrigam o uso de máscaras.

E o que vemos em poucos dias após a liberação? Casos aumentando novamente, como aconteceu no Reino Unido, Itália, Grécia, Israel e EUA. 

Tornou-se cansativo explicar nas redes sociais coisas básicas clomo a necessidade de vacinas. O que mais irrita são os comentários sem embasamento feitos por pessoas que não lembram sequer das aulas de biologia do ensino médio, mas agora "acham" que a vacina foi desenvolvida muito rápido e por isso não é confiável. 

Pais que se recusam a vacinar seus filhos, alegando preocupação com a saúde das crianças... isto é algo que não consigo sequer entender. Pra mim é simples: se você ama seu filho, você mantem suas vacinas em dia. Estes pais irresponsáveis devem ser os mesmos que saem de carro e levam os filhos pequenos no banco da frente.

O maior problema do Brasil tem sido a ignorância, e com o governo Bolsonaro, os ignorantes de todo o país tiveram coragem para se manifestar e expor suas colocações ridículas, como se entendessem alguma coisa a respeito do assunto. Não estudam, não pesquisam, não lêem, e "opinam". E quando alguém com bom senso  mostra os fatos, com embasamento, ainda é taxado de arrogante.

Use sua máscara sempre que achar necessário, a pandemia ainda não acabou. Se proteja e proteja sua família. Evite aglomerações e evite  mais ainda as pessoas sem bom senso. mantenha suas vacinas em dia. Se informe sobre a Covid, busque pesquisas sérias e confiáveis, fuja da ignorância e dos bolsonaristas, eles fazem mal à sua saúde.

sábado, 12 de março de 2022

Rússia e Ucrânia

Ucrânia

Kiev, a atual capital da Ucrânia, foi o centro do primeiro estado eslavo, criado por um povo que se autodenominava “Rus”, isso em meados do século IX.

Foi a partir deste estado medieval que surgiram a Rússia e a Ucrânia, argumento este utilizado pelo presidente Putin para identificar a Rússia e a Ucrânia como povos irmãos, e que não está totalmente errado. A este estado medieval os historiadores chamaram “Rus de Kiev”.

São Vladimir Svyatolasvich, “O Grande”, consolidou o reino Rus, que se estendia no território que hoje corresponde à Belarus, Rússia e Ucrânia.

A região já foi dominada pelo Império Mongol no século XIII, foi dividida entre o Grão-Principado de Moscou e o Grão Principado da Lituânia no século XIV, e a partir de então, a Ucrânia sofreu influências diferentes relativas a cada dominador. Uma parte da região oeste foi influenciada pela dinastia dos Habsburgo, já a Crimeia teve influência dos povos gregos e tártaros, e teve períodos sob o domínio otomano e russo.

Em 1764, Catarina, a Grande, passou a avançar sobre terras ucranianas que eram dominadas pela Polônia. Com lo século XX veio a revolução russa e a União Soviética, que mexeu novamente com as fronteiras e com a influência sofrida pela Ucrânia.

Isso resume as mudanças e influências que a Ucrânia como povo vem sofrendo ao longo de séculos em busca de identificação e independência, sem falar do sofrimento como Holodomor, a grande fome imposta por Stalin para forçar camponeses ucranianos a se unirem ao regime comunista, e a transferência de soviéticos para a Ucrânia tentando uma dominação cultural.

Quando os nazistas invadiram a Ucrânia, muitas pessoas os tomaram por libertadores, que os libertariam do regime de Stalin, e deram seu apoio às forças alemãs. Hoje ainda existem muitas células neonazistas na Ucrânia, como o Batalhão de Azov, envolvidas diretamente com o Governo da Ucrânia e que foram criadas e armadas pela CIA na Guerra Fria, pois a CIA aproveitou-se deste sentimento de apoio ao nazismo que surgiu durante a Segunda Guerra.

Após o colapso da União Soviética, um tratado entre Rússia e Ucrânia definiram as fronteiras das duas nações, mas as diferenças continuaram existindo no meio do povo ucraniano devido às influências que sofreu sob domínio de tantos povos diferentes, muitos ucranianos desejam retornar ao controle da Rússia, que consideram sua pátria mãe, e outros desejam trilhar o caminho ocidental, abandonando as tradições herdadas da velha Rus de Kiev.

Ucrânia e suas fronteiras

 

Rússia e OTAN

A OTAN surgiu em 1949 com 12 membros iniciais, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Portugal, Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica, Islândia e Luxemburgo, com o objetivo de frear a expansão da União Soviética, a velha história (que é usada ainda hoje por governos autoritários para manter seus eleitores ignorantes) da “ameaça comunista”.

O principal fundamento da Otan é a defesa mútua, não é um acordo comercial ou cultural ou de qualquer outro interesse, é um acordo militar. Com a queda da União Soviética, eu pergunto: por que a Otan ainda existe?

Hoje a Otan possui um número de membros muito maior, e cada membro investe 2% de seu PIB em gastos relacionados à defesa. Desde o fim da União Soviética, a Otan já incorporou a Polônia, a República Tcheca, a Romênia, a Bulgária, a Eslováquia, a Eslovênia, a Estônia, a Lituânia, a Letônia, a Albânia, a Croácia, Montenegro e Macedônia. A Otan se tornou uma ferramenta americana de ameaça contra a Rússia, pois os Estados unidos possuem grande interesse nos recursos da região, principalmente o gás.

Putin, ex-agente KGB, assumiu o comando da Rússia em 2000, e levou 8 anos para consolidar seu poder interno e levantar a Rússia de sua precária situação econômica, mas em 2008 começou a reagir com mão forte para virar o jogo imposto pela Otan.

A Rússia sempre quis criar um cordão sanitário em volta de suas fronteiras para evitar más surpresas, como a instalação de mísseis em áreas próximas, e por isso Putin critica tanto o fim da União Soviética, chamando de “a pior tragédia geopolítica da História”.

Não podemos negar que Putin age como o novo czar da Rússia, e manipula as informações dentro de seus muros, reprime manifestações contra seu governo e influência até mesmo fora de suas fronteiras, como no caso das eleições americanas que levaram Trump ao poder.

 

Estados Unidos

Os Estados Unidos têm influenciado, manipulado, invadido e destruído vários países sempre com a desculpa de proteger os interesses do povo americano ou de levar democracia a outros povos. Seja através da CIA, ou de invasão militar, ou ainda com sanções econômicas e políticas, os EUA perturbam a ordem e a soberania de países que consideram potencialmente perigosos. Mesmo hoje, enquanto criticam a ação da Rússia na Ucrânia, os EUA mantêm forças militares em vários países como Síria, Iêmen, Afeganistão, Iraque, Somália, Líbia e outros.

Também através da CIA os EUA têm fomentado golpes de estado e derrubada de governos democraticamente eleitos, como ocorreu na própria Ucrânia com Viktor Ianukovitch, presidente pró Rússia que foi derrubado depois de intensos protestos e ataques de grupos neonazistas como o Batalhão de Azov, todos fomentados pelos Estados Unidos.

 

A Situação Atual

O que você, leitor, acha que os EUA fariam se a Rússia criasse um pacto de defesa mútua com países como México, Venezuela, Cuba, Brasil, e utilizasse estes países como base de lançamento de mísseis intercontinentais? Os Estados unidos não interfeririam? Eu não tenho dúvidas.

Outra questão é o pacote de sanções econômicas sofridas pela Rússia, e por outros países que por qualquer motivo contrariam os interesses americanos, como Cuba e China. Quando os Estados Unidos invadem países, matam supostos terroristas e apoiam a derrubada de governos legítimos eu não vejo nenhuma sanção econômica sendo imposta. Já ouvi defensores do sonho americano afirmando que os EUA são o centro econômico do mundo e por isso não pode m sofrer sanções. Mas ser o centro econômico do mundo não dá o direito de influenciar ou subjugar outros países de acordo com sua vontade. 

Neste momento a economia russa está sendo estrangulada, as ações do principal banco da Rússia, o Sberbank, caíram 90%. A bolsa está fechada. Os juros foram aumentados. Mesmo assim a Rússia continua fazendo uma guerra de pressão contra a Ucrânia, cansando as defesas ucranianas e ainda sobra fôlego para ameaçar a Finlândia e a Suécia. O presidente da Ucrânia diz que seu exército não está cedendo, mas ao mesmo tempo afunda seus próprios navios com medo de perdê-los para a Rússia. A situação vai se prolongar.

 

Principados de Rus de Kiev

Possíveis Saídas

Mesmo com todas as sanções impostas à economia russa, ainda demora uns seis meses para que o sapato comece a apertar no pé russo. Acredito que seria viável a Ucrânia tornar-se um país neutro, não participando da OTAN. Da mesma forma a Rússia poderia aceitar a participação da Ucrânia na União Europeia, por não se tratar de um pacto de defesa, mas sim econômico. A independência das províncias de Donetsk e Lugansk poderiam ser reconhecidas pela Ucrânia, e um acordo de paz poderia ser assinado.

Ou na pior hipótese, a guerra pode se prolongar até a Rússia quebrar, o que pode fazer com que Putin aperte o cerco antes e force uma invasão total na Ucrânia, sendo que este fato pode acabar forçando também outros países a entrarem militarmente no conflito, enviando tropas, levando a guerra para o patamar mundial, o que na verdade ninguém quer, pois basta um líder “nervoso” escorregar o dedo no botão nuclear num momento de “aposto tudo” e só Deus sabe o que restaria da humanidade.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

A Ignorância não tem Limites

Hoje ainda ouvi alguém dizer: "Fui vacinado e mesmo assim tive Covid! Não confio nesta vacina que foi feita a toque de caixa". Respirei fundo e pensei: "A vacina serviu pra você não morrer, imbecil, não pra você não pegar Covid".

São estas coisas que cansam, a ignorância de um povo que vê um vídeo de um influencer desinformado no youtube e toma aquilo por verdade, mas quando um cientista renomado afirma que a vacina salva vidas, não acredita e critica. Gente que esqueceu as aulas de biologia do oitavo ano, que não sabe como um vírus age, mas que afirma que a vacina "não serviu pra nada".

Quase setecentos mil mortos e as pessoas ainda afirmam que a mídia "exagerou" quando falou dos perigos do coronavírus, e que "tocou o terror" quando pedia que as pessoas ficassem em casa. A incompetência do governo destruiu a economia e estas mesmas pessoas afirmam que foi a pandemia que afetou a economia brasileira. Interessante é que os países que agiram de imediaro e fizeram um lockdown completo foram os que melhor se saíram na recuperação de sua economia. É fácil justificar a incompetência do governo e a má intenção da elite usando a pandemia. 

E estas mesmas pessoas não são ricas! São empregados, trabalhadores, ganham bem e por isso pensam que fazem parte da elite, criticando as políticas sociais e valorizando uma meritocracia que qualquer pessoa com um mínimo de bom senso sabe que não existe. Qual é o problema delas? Como não percebem que estão erradas?

Quando o Brasil vai mudar? Quando os ignorantes vão aprender alguma colisa? A ignorância não tem limites.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Hipocrisia

Quando ocorreram os protestos que culminaram no impeachment da presidente Dilma, eu comentei que isso não ocorreu - ou começou - pelos míseros centavos da passagem de ônibus, e sim porque o povo ignorante, o mesmo que elegeu Bolsonaro, estava simplesmente "seguindo a onda" e nem sabia o que estava fazendo.

A mesma coisa ocorreu quando a história do famigerado "triplex do Lula" que nunca foi do Lula, condenou o presidente. O povo é ignorante. O povo que ganha dois mil reais e compra um gol parcelado em 60 vezes acha que pertence à classe alta e começa a criticar pobre, sem preceber seu verdadeiro lugar na pirâmide social. Foi com o apoio desta gente ignorante que o presidente atual promoveu a desinformação, a ignorância e o preconceito, o desprezo à ciência, o corte de verbas na educação e na pesquisa, o descaso com a saúde pública, e tantos outros desmandos. E hoje só estão a seu favor as pessoas que são ou muito ignorantes ou de muito mau caráter.

Lembrando que o triplex que não era do Lula foi leiloado por dois milhões e duzentos mil reais, e hoje temos um presidente "honesto" que gasta somente em leite condensado QUINZE MILHÕES DE REAIS. Isso é roubar descaradamente na cara do povo, é chamar seus próprios apoiadortes de imbecis e ainda ter seu apoio.

Parabéns a você que elegeu este miserável e se tornou cúmplice da corrupção descarada e também dos mais de duzentos mil mortos vítimas do descaso com a saúde pública.



domingo, 25 de outubro de 2020

O Contrato Social

Você já leu "O Contrato Social", de Rousseau? Ele defendia a liberdade natural do homem, e a instituição da justiça e da paz para submeter tanto o forte quanto o fraco, tanto o rico quanto o pobre. O contrato social seria um pacto legítimo, onde o povo seria o soberano, não o rei. Imagina o incômodo que isso causou a Rousseau, sendo que ele viveu no século XVIII na Europa, onde reinava o poder absolutista...

O pensamento de Rousseau valorizava a verdadeira democracia, a vontade geral do povo, a não manipulação da população. O poder do governo deveria ser limitado à manutenção da igualdade entre todos os indivíduos. 

Segundo Rousseau, a desigualdade social tem origem na noção de propriedade privada, onde cada indivíduo acumula mais e mais numa busca desenfreada de poder e riqueza com o único objetivo de superar e submeter seus semelhantes. É neste processo que o indivíduo se converte em um ser egoísta e individualista, convertendo sua bondade natural, gradualmente, em maldade.

A filosofia de Rousseau explica e expõe muitos defeitos da democracia atual, e até mesmo da situação que nosso país vive nestes dias, pois de acordo com ele, a desigualdade causada por circunstâncias sociais deve ser combatida, pois acaba com a liberdade dos indivíduos, restando no homem somente o culto das aparências. De acordo com Rousseau, a civilização afastou o homem da felicidade.

sábado, 12 de setembro de 2020

O Rei Asoka

 Asoka foi um rei Indiano, neto de Chandragupta, que invadiu Kalinga, ampliando seu domínio Indiano em 255 a.C, e após a invasão, ficou tão enojado com a violência da guerra que decidiu adotar as doutrinas pacíficas do Budismo, afirmando que suas únicas conquistas seriam religiosas.

Seu reinado durou 28 anos, e foi um dos mais brilhantes modelos de adiministração até mesmo para os dias de hoje. Enquanto em pleno século XXI temos presidentes ignorantes de ultra direita que desprezam a ciência e fazem descaso com as necessidades sociais, Asoka, em 255 a.C, criava hospitais pelo país, mandava perfurar poços de água e plantar árvores, ampliando as áreas verdes de seu Império e criava jardins públicos e hortas para o cultivo de plantas medicinais. 

Asoka criou até mesmo um Ministério para a proteção de aborígenes e outras raças desprivilegiadas, implantou um fundo para a educação das mulheres (em 255 a.C!). Favoreceu o desenvolvimento da cultura e enviou missionários educadores para outros lugares, disseminando o conhecimento.

Asoka foi a maior prova de que sempre há possibilidade de desenvolver a educação e a ciência e favorecer o povo. Infelizmente, após sua morte, a casta social privilegiada dos brâmanes (sempre a casta privilegiada), que sempre se opôs aos ensinamentos budistas, suplantou o desenvolvimento da India e desmantelou o país.

O Rei Asoka

domingo, 30 de agosto de 2020

Gerônimo - Uma Lenda Americana

Assistí novamente o filme "Gerônimo - Uma Lenda Americana", de 1993, com direção de Walter Hill. Não quero aqui analisar caracterísitcas técnicas do filme, mas sim a mensagem que nos deixou.

Na expansão americana para o Oeste, os índios navajos foram obrigados a viver em reservas, e mesmo estas não eram respeitadas, pois eram constantemente invadidas pelos brancos, que quando não exploravam a região por causa do ouro, vendiam aos índios bebidas e armas, destruindo sua cultura e tirando-lhes a paz.

Um índio se revoltou contra a imposição dos brancos, e por ter perdido sua esposa e filhos em um massacre da cavalaria americana, se recusou a ir para as reservas, tornando-se a dor de cabeça do general Crook Charles. Seu nome era Goyahkla, ele lutou contra o exército americano e mexicano, escapando de diversas capturas. Conta a lenda que ele foi chamado de Gerônimo devido aos gritos dos mexicanos quando fugiam de seus ataques: "Valha-me, São Gerônimo!".

Ele se rendeu em setembro de 1886 às tropas do general Nelson Miles no Arizona, e nunca retornou à terra onde nasceu, pois morreu na prisão em 1909. 

O México e os EUA sempre acusaram Gerônimo de massacrar americanos e mexicanos, mas se esqueceram prontamente da destruição dos povos navajos causada pela ganância dos desbravadores do Oeste. O homem branco decidiu que era superior aos índios, e dizimou o povo indígena e sua cultura. 

O texto abaixo, parte do filme, demonstra em poucas linhas o sentimento de tristeza e derrota do povo navajo, que não merecia o fim que teve, assim como todos os demais índios das Américas Central e do Sul, com toda sua riqueza e cultura, que o homem branco, em sua ignorante ganância, destruiu ao longo dos anos:

“Ninguém sabe por que o Deus único deixou homem branco tirar nossa terra.

Por que eles tinham que ser tantos?

Por que tinham tantas armas, tantos cavalos?

Por muitos anos o Deus único me fez guerreiro.

Nenhuma arma, nenhuma bala me matou.

Era esse o meu poder.

Agora o meu tempo acabou.

Agora talvez o tempo do nosso povo tenha acabado.”

- Gerônimo.


domingo, 16 de agosto de 2020

O Livro nos Livra

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Frase dita por Cristo quando esteve neste mundo, que em sua época já era dominado pela ganância, falsa moralidade e hipocrisia romana. Frase esta que foi tomada pelos evangélicos para justificar sua própria hipocrisia e exploração da fé alheia. Frase esta que foi deturpada e distorcida pelo presidente deste país miserável e ignorante. 

A verdade realmente liberta, e é trazida pelo conhecimento. E qual o principal canal do conhecimento? O que proporciona ao ser humano conhecer as coisas, pensar, desenvolver espírito crítico e opinar? O livro! O livro nos transporta pela história, nos teleporta por mundos que não conhecemos, nos deixa participar de aventuras e nos faz reviver grandes momentos da história do mundo. O livro nos dá o conhecimento desenvolvido por grandes homens. O livro nos esclarece sobre fatos que muitos tentam distorcer ou esconder. O livro não julga e não escolhe seu leitor, fornecendo seu conteúdo indistintamente a quem o deseje.

No Brasil, o hábito da leitura vem se desenvolvendo aos poucos, e há uma pequena parcela da população que aprendeu a pensar e julgar por si mesma. E é esta pequena parcela da população que assusta quem está no poder, pois um homem que pensa por si mesmo não pode ser enganado. Então o que o governo faz, através do "guru da economia" (que até agora não resolveu nenhum dos problemas econômicos)? Resolve taxar o livro, aumentar os impostos, afirmando que livro é "coisa da elite". 

Livro não é objeto de consumo da elite! Livro é objeto de consumo de quem deseja não ser ignorante, de quem gosta de caminhar com as próprias pernas, de quem não quer repetir os erros do passado. Livro é conhecimento e o conhecimento liberta. A elite não quer que o trabalhador pense, pois quem pensa, reage. 

Um governo eleito por ignorantes deseja dificultar o acesso a livros para manter seu eleitorado, manter o gado no curral, manter seus seguidores quietos e fiéis, acreditando que existe uma ameaça comunista, acreditando que a Terra é plana, acreditando que empresários são mais importantes que trabalhadores, mantendo assim essas "verdades" na cabeça dos manipulados, que não pensam por si mesmos, que tomam os discursos do presidente por verdade absoluta e nunca irão reagir à crueldade dessa gente vil que está no poder, nem mesmo quando se tornam vítimas da loucura do presidente.

É a falta de leitura de bons livros que faz um ignorante aplaudir quando o governo facilita o acesso às armas. É a falta de conhecimento que faz com que brasileiros saiam às ruas protestar contra o isolamento social. É a falta de educação que faz com que pessoas invadam hospitais e perturbem o atendimento. É a falta de cultura que faz com que pobres acreditem que se estão pobres é por falta de esforço próprio. E é assim que o governo quer manter seu eleitorado: quieto e fiel, ou nas palavras de Zé Ramalho: "Vida de gado, povo marcado, povo feliz".


Observação importante: Livros escritos por imbecis não servem para nada. Alguns youtubers, terraplanistas, "gurus da economia", coachs e astrólogos frustrados não têm nada a ensinar. Eles fazem parte da "verdade" apregoada por Bolsonaro, que escraviza enquanto afirma libertar.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Quando a Incompetência e a Ignorância te Precedem...

O ex-ministro da Deseducação, Weintraub, foi correndo para os Estados Unidos antes mesmo de ser exonerado de seu cargo. Foi indicado para trabalhar no Banco Mundial - para você que não entendeu, é como se indicássemos um javali para dirigir um ônibus...

Eu comentei sobre isto dizendo que ele não duraria no seu novo trabalho, devido às exigências do Banco Mundial, que afinal de contas não é o Brasil onde qualquer um pode ser ministro desde que tenha aspirações fascistas e não saiba escrever. Mas eu estava enganado... ele não está tendo dificuldades NO trabalho. Está tendo dificuldades para COMEÇAR  o trabalho, porque os funcionários do Banco Mundial não querem nem mesmo que ele assuma seu cargo devido à sua postura agressiva, racista e intolerante.

Segue abaixo cópia da carta enviada pelos funcionários ao presidente e vice-presidente do Comitê de Ética do Conselho do Banco Mundial, apontando os absurdos ditos por Weintraub e sua falta de bom senso:


Caros Sr. Schoenleitner e Sra. Shuaibu, 

A Associação dos Funcionários do Banco Mundial deseja chamar à atenção do Comitê de Ética da Diretoria o registro do Sr. Abraham Weintraub, que deve começar a trabalhar no Banco Mundial na qualidade de diretor-executivo interino da EDS15. 

Muitos funcionários ficaram profundamente perturbados ao saber o seguinte: 

De acordo com várias fontes, Weintraub publicou um tuíte de acusação racial que zomba do sotaque chinês, culpando a China pelo novo coronavírus e acusando-os de "dominação mundial", levando o Supremo Tribunal Federal a abrir uma investigação sobre acusações de racismo (crime no Brasil). Weintraub sugeriu que os juízes da Suprema Corte fossem presos.

Weintraub deu declarações públicas contra a proteção dos direitos das minorias e a promoção da igualdade racial (seu último ato como ministro da Educação foi revogar diretrizes para promover cotas para afrodescendentes e povos indígenas no ensino superior). Ele já disse odiar o termo "povos indígenas". 

Embora sua indicação tenha sido condenada por vários países clientes, a Associação dos Funcionários entende que a escolha deste diretor-executivo é do Brasil e somente do Brasil. Dito isto, podemos e devemos garantir que o comportamento e as ações de nossos membros efetivos modelem o Código de Conduta para Funcionários do Conselho — exigindo os mais altos padrões de integridade e ética em sua conduta pessoal e profissional — e alinhados com nossas políticas operacionais, como nossa política de povos indígenas. 

Portanto, solicitamos formalmente ao Comitê de Ética que reveja os fatos subjacentes às múltiplas alegações, com vistas a (a) suspender sua indicação até que essas alegações possam ser revisadas e (b) garantir que o Sr. Weintraub seja avisado de que o tipo de comportamento pelo qual ele é acusado é totalmente inaceitável nesta instituição. 

O Grupo Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição. Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do Conselho de expor o racismo onde quer que o vejamos. Confiamos que o Comitê de Ética do Conselho compartilhe essa visão e faremos tudo ao seu alcance para aplicá-la. 

Atenciosamente, 

Assembleia Delegada da Associação de Funcionários do Banco Mundial.


Ele pode assumir o cargo? Pode. Mas com uma carta de apresentação dessas, se ele tivesse vergonha na cara, voltaria para o Brasil e se esconderia em casa.

sábado, 21 de março de 2020

O que é um Vírus

Um vírus é um serzinho desprezível, e na verdade, muito incapaz. Não é nem considerado um organismo! É formado somente por uma cápsula proteica que envolve o material genético. Seu nome vem do Latim, e significa "toxina". É um ser tóxico, que prejudica, que ofende, que fala do que não sabe e infecta outros...

O vírus sozinho não é nada, ele precisa de algum lugar para viver. E vive de forma parasitária, como muita gente que conhecemos. Ele invade uma célula e planta ali suas ideias, para se reproduzir. E como se reproduz rápido! Cria milhões de outros vírus que repetem exatamente a mesma coisa que ele: ofendem, são tóxicos e falam do que não sabem.

O vírus não tem nem metabolismo próprio! Ele precisa explorar alguém, uma célula, um organismo, uma câmara de deputados, um plenário, um Palácio do Planalto... e só então  o problema começa. Quando um vírus se instala no hospedeiro, ele age como um ditadorzinho, um reizinho mau: ele explora, retira energias e nutrientes, e depois intoxica e mata seu hospedeiro.

Quando está fora da célula hospedeira, o vírus não pode nem captar nutrientes, não consegue utilizar energia e não realiza nenhuma atividade. E mesmo quando invade a célula e vive dela antes de destruí-la, ele não faz muita coisa diferente, manda um projetinho ou outro para  aprovação, projetos que são em sua maioria rejeitados.

O vírus começou a ser estudado em meados do século XIX, com a Teoria Microbiana das Doenças, de Louis Pasteur, mas sabemos que eles atuam há muito mais tempo, desde o Império Romano, onde algum vírus muito prejudicial fez com que um Imperador nomeasse seu cavalo como senador. Este mesmo imperador, se tivesse um filho fritador de hambúrguer, o teria nomeado como embaixador...

O vírus só é barrado pela vacina. A maravilhosa vacina que faz com que desenvolvamos anticorpos que identificam a ignorância e inutilidade do vírus e o combatem imediatamente, antes que ele se hospede nas cadeiras do governo.

Há muita discussão na comunidade científica se o vírus deve ser considerado ser vivo ou não. A maioria dos cientistas defende a ideia de que para ser considerado ser vivo, um organismo precisa ter capacidade própria de retirar energia e nutrientes do ambiente, deve ter metabolismo próprio, ou seja, viver por si mesmo. E o vírus é somente uma partícula infecciosa. 

Eu concordo com estes cientistas: quem não tem capacidade de viver sem ser às custas dos outros, quem precisa parasitar um cargo e infectar outros para se manter no poder, nem gente é!

segunda-feira, 16 de março de 2020

Coronavírus - Pandemia

O surto de Coronavírus surgido na China em dezembro espalhou-se pelo mundo. Já são mais de 180 mil infectados, e os cenários mais críticos são Itália e Irã. Vários países - como França, Rússia e Espanha - fecharam suas fronteiras, e a América Latina toma providências para isolamento.

Os EUA possuem um cenário complicado devido ao sistema de saúde praticamente inexistente, que ignora as pessoas que não têm recursos, sendo que um teste de Coronavírus custa aproximadamente 4 mil dólares, e os americanos optam por não fazer o teste, correndo um risco altíssimo.

No Brasil, os números saltaram de 121 casos no sábado dia 14 de março para 234 hoje, dia 16 de março. O governo brasileiro se recusou a participar da conferência dos países da América Latina sobre combate à pandemia. 

O presidente Bolsonaro saiu às ruas domingo, dia 15 de março, para apoiar a manifestação antidemocrática contra instituições brasileiras - Congresso e STF - num ato totalmente irresponsável. O presidente apresentou o primeiro teste de Coronavírus como positivo, e o segundo como negativo, apesar de não haver documento físico comprovando o teste negativo. Bolsonaro descumpriu o Artigo 268 do Código Penal, Lei nº 2848/40.

Os eleitores, tomados por teimosia e ignorância, saíram às ruas aumentando a propagação do vírus. Líderes evangélicos, como Malafaia e Edir Macedo, não suspenderam os cultos em suas igrejas, aumentando os riscos de infecção e fazendo seus fiéis acreditarem que "os ungidos de Deus não ficarão doentes".

Para quem tem bom senso e deseja orientações e informações sobre o vírus e o desenrolar da situação mundial, há um excelente canal no Youtube, do Doutor em Virologia Átila Iamarino, com informações completas e atualizadas.

E não esqueça:

- Lave as mãos, evite locais fechados e aglomerações, use álcool gel, evite tocar os olhos, boca e nariz, proteja o nariz e a boca ao espirrar, evite cumprimentos de mão, abraços e beijos, oriente corretamente seus filhos, e não seja irresponsável como o presidente.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Favela Gótica - de Fabio Shiva

Acho válido divulgar este livro que é um abrir de olhos. Fabio Shiva foi fundo na ferida social: políticos que são vampiros, policiais que são lobisomens. A droga e o efeito que ela causa em suas vítimas.

O livro é distópico e ao mesmo tempo é real. Vivemos entre monstros e somos monstros. A metrópole parece uma selva, onde se deve lutar a cada dia pela sobrevivência.

E em meio a esta guerra diária, vemos uma personagem que também é vítima do mal que há em todo canto: Liana, que é jovem, que também sofre, que também é "zumbi", que também tenta enfrentar a cada dia a existência.

Liana vai, como o próprio livro informa, "das trevas para a luz", se conhecendo aos poucos e tentando se libertar através deste conhecimento. Liana vive numa "divina comédia" particular, e vamos junto com ela, às vezes nos apavorando diante de sua existência complicada, às vezes nos comovendo com as dificuldades por ela enfrentadas, e aprendemos junto com ela que "ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso."

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Democracia em Vertigem não Ganhou o Oscar mas Tirou o Sono dos Canalhas

O documentário brasileiro "Democracia em Vertigem" perdeu para o "Indústria Americana", dirigido por Steven Bognar e Julia Reichert, que mostra o impacto da chegada de uma indústria chinesa numa comunidade que tinha uma fábrica americana de automóveis como referência de trabalho. O filme vencedor foi a primeira produção da Higher Ground, empresa criada por Barack e Michelle Obama no ano passado.

"Democracia em Vertigem" incomodou políticos milicianos, jornalistas incompetentes, escritores frustrados e cidadãos ignorantes. Tirou o sono de gente que escreve "impressionante" com "c" e perturbou filhinhos de papai que brincam de trabalhar na política. Até Pedro Bial não aguentou a pressão e expôs sua frustração em forma de crítica ao documentário, talvez porque ele nunca tenha emplacado um sucesso...

Parabéns à Petra Costa por seu excelente trabalho, pois só o fato de ter seu documentário indicado ao Oscar já é uma vitória, e tornou conhecida no mundo todo a sujeira que escorre entre os dedos dos atuais governantes do Brasil.

Petra Costa

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Democracia em Vertigem

Petra Costa, a jovem cineasta brasileira de 36 anos, elevou o nome do Brasil - ao contrário de nossos governantes que nos envergonham diante do mundo - com seu filme Democracia em Vertigem, que foi indicado ao Oscar 2020 de Melhor Documentário de Longa Metragem.

(Petra Costa)

O filme, que teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance em 24 de janeiro de 2019, e na Netflix em 19 de junho de 2019, mostra a traição cívica que derrubou Dilma, além de abranger também o governo Lula. O roteiro contou com a consultoria do jornalista Eduardo Bueno, um grande conhecedor da História do Brasil, que compartilha seu conhecimento e alfineta ignorantes através do canal Buenas Ideias.

Petra Costa abrange todo este processo de um ângulo bem pessoal, mas mesmo assim mostra toda a maquinação política por trás da derrubada de um governo democraticamente constituído, expondo as manipulações e jogadas desonestas de senadores e deputados.

A cerimônia do Oscar ocorrerá em 09 de fevereiro em Los Angeles, e torcemos para que Democracia em Vertigem obtenha o Oscar, mas concordamos que somente a indicação já é motivo de orgulho, pois o documentário expõe a crise política na qual nosso país encontra-se mergulhado.